As preocupações de professores, alunos e acadêmicos sobre o impacto da Reforma do Ensino Médio na formação dos estudantes marcaram o VIII Seminário Fala Outra Escola, realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) entre os dias 26 e 28 de julho de 2017. Em destaque, a suposta liberdade de escolha oferecida aos secundaristas para escolha das das áreas de conhecimento que desejam estudar, uma das principais bandeiras da propaganda governamental.
 
“As propagandas governamentais reforçam que a particularidade desse modelo é a liberdade de estudar de acordo com a sua vocação. Contudo, os sistemas de ensino não são obrigados a oferecer todas as ênfases: o aluno terá que cursar a área que tiver na sua região. Assim, o poder de escolha já nasce morto”, ponderou a professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Maria Inês Petrucci-Rosa, durante a mesa “Reflexões, práticas e contribuições éticas e estéticas para a formação cidadã no ensino médio”, realizada pelo seminário. “Em longo prazo, poderá haver um déficit de formação humanista e científica”, destacou.
 
Já para o aluno do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP- Bragança Paulista), Wellington Martins, de 16 anos, não ter contato com todas as áreas de conhecimento impactará nas escolhas profissionais futuras. “As pessoas acham que o aluno do ensino médio técnico irá direto para a indústria, e isso não é verdade. O aluno precisa experimentar todas as áreas para saber escolher com o que realmente deseja trabalhar sem se arrepender no futuro. Eu mesmo entrei para cursar o técnico em engenharia mecânica, mas tive contato com outros projetos e não sei se engenharia será a minha escolha final. A diversidade de acesso ao conhecimento é fundamental”, explicou.
 
Para o estudante, a escola deve formar cidadãos, e não alunos. “Eu permaneço na escola das 7h às 18h e até seis dias na semana. Essa escola não pode focar apenas nas matérias, mas também no esporte, no desenvolvimento artístico, no tempo com os amigos”, reforçou. A professora de Língua Portuguesa do IFSP_Bragança Paulista, Maria Isabel de Andrade de Sousa Moniz, concordou. “O currículo está sendo visto como uma lista de disciplinas e conteúdos que podem ser cortados ou agrupados. Não podemos esquecer que as experiências também são importantes”.
 
Dificuldades na formação
Segundo a pesquisadora Maria Inês, a divisão do currículo por áreas precisará ser acompanhada pelos cursos universitários que formarão os professores do Ensino Médio. “A universidade continua formando professores por disciplinas, não por áreas. Isso também impactará o processo”, pontuou. 
 
Por fim, a contratação de profissionais com “notório saber” – um dos pontos da reforma – também foi motivo de críticas. “Se muitos professores com formação não possuem didática para ensinar, imagina aquele que vai dar aula sem qualquer tipo de conhecimento pedagógico?”, questionou Wellington.
 
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