O grupo de crianças uniformizadas se aproxima da entrada dos cinco vagões de um trem que, para quem está do lado de fora, não sai do lugar. Mas, como já revelou a própria ciência física, tudo depende do ponto de vista.

Os vagões formam a Estação Natureza, uma das mais novas atrações da Estação Ciência da USP, criada em parceria com a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. Quando as crianças entram pela porta, acompanhadas pela professora e pelo monitor da Estação, um vídeo projetado no chão revela que uma grande viagem está para começar: uma excursão pelos biomas do Brasil que permite conhecer nossa natureza e diversidade, com a preocupação e intenção de preservá-las.

– Vocês sabem o que são biomas? – pergunta o monitor.
– Nããããooo!
– Então a gente vai descobrir o que são ao longo dessa viagem.

Do alto de seus oito ou nove anos de idade, munidos de blocos e caderninhos coloridos, eles anotam tudo o que consideram importante. Saem para o segundo vagão, onde cheiro, som e temperatura já são diferentes dos do vagão anterior e dos trens que encontramos em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Os sons dos animais, os painéis fotográficos e as representações de árvores e animais os transportam a um mangue. Uma tela, em um canto, localiza no mapa do Brasil as regiões dos Ecossistemas Costeiros. E o monitor provoca:

– O que tem na praia?
– Siri!
– Na praia tem o quê? Terra ou areia?
– Areia!
– Areia, que é um grão mais fininho. Mas tem um grão mais fininho que areia: a argila. E no mangue, a gente tem muita argila. Já ficaram parados na beira da praia? Quando o mar vem e volta o que acontece com vocês?
– Areia movediça!
– É, você vai afundando… e isso é areia movediça. Só existe areia movediça aí. Aquela areia movediça que a gente vê no desenho e engole as pessoas não existe!

Assim, o monitor explica as raízes das árvores no mangue, tão diferentes das raízes que as crianças paulistanas costumam ver nas ruas. No mesmo estilo, ele também fala sobre a coloração do guará; o pinhão e o estróbilo da araucária; e sobre o cupinzeiro iluminado na noite pelos vagalumes que entram para comer as larvas de cupim.

“Em meia hora não dá para aprender muita coisa. A gente brinca que meia hora não forma ninguém, mas deforma muita gente. O objetivo não é formar as pessoas, mas ajudar o visitante a se interessar por alguma coisa, instigar a investigação cientifica, conscientizar”, afirma o monitor, Diego Ferreira Ramos Machado, que faz licenciatura em Geociências e Educação Ambiental na USP. Para a professora Roseli de Deus, diretora da Estação, as pessoas “não saem de lá com muitas respostas, mas com muitas perguntas, querendo saber mais. É uma forma de abrir o diálogo de um jeito diferente da escola, para ajudar o professor”.

Cada elemento dos vagões colabora para incentivar a curiosidade e a interação. Os passageiros podem tocar no que quiserem e escolher o que querem ler e a que vídeos querem assistir. Tudo é oferecido ao mesmo tempo, de maneira diferente em cada vagão, de acordo com as características do bioma representado: botões acionam o aparecimento de pegadas iluminadas de tamanduás, lobos-guarás e outros animais, acompanhadas ou não dos respectivos sons; numerosas telas exibem sem parar cada uma um vídeo com cenas de animais; outros tantos vídeos trazem explicações de conceitos; as imagens de bichos estão por todos os lados e algumas são acompanhadas por pequenos textos com informações e curiosidades; compartimentos na parede revelam imagens e textos; as texturas das árvores podem ser sentidas por meio do tato.

Dessa maneira, a viagem segue por biomas como a Amazônia, o Pantanal, o Cerrado, a Caatinga, a Mata Atlântica e a Floresta de Araucárias dos Pampas. Por fim, os passageiros se deparam com um ambiente espelhado, em que veem suas imagens e as de seus colegas. Ali, são instigados a se questionar a respeito de suas próprias atitudes ambientalmente responsáveis e a refletir sobre a necessidade de salvar todas as espécies, tendo percebido que elas dependem umas das outras. A aventura da Estação Natureza termina, mas não necessariamente a viagem pela Estação Ciência, que conta com atrações em áreas como Astronomia, Meteorologia, Física, Geologia, Geografia, Biologia, História, Matemática e Humanidades, todas com o objetivo de apresentar primeiro o lúdico e depois o conceito, sem jamais dar as respostas prontas.

Estação Natureza
Endereço: Estação Ciência, rua Guaicurus, 1394, Lapa, próximo ao Shopping Center Lapa.
Horário: de terça a sexta-feira, das 8h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 18h
Ingressos: R$ 2,00; R$ 5,00 – famílias até 4 pessoas; R$ 1,00 – preço por pessoa para famílias com mais de 4 pessoas; isentos – menores de 6 anos e maiores de 60 anos, portadores de necessidades especiais com um acompanhante, professores e comunidade USP.
Mais informações: http://www.eciencia.usp.br/

 

Fotos: Maíra Soares

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Talvez Você Também Goste

13 dicas para criar uma peça de teatro com os alunos

Professores recomendam trabalhar com jogos, improvisações, literatura e música no processo criativo

Como ensinar ginástica na educação física escolar?

Professoras indicam 8 possibilidades para desenvolver com alunos do ensino fundamental

11 formas de acolher o aluno com síndrome de Tourette

Ambiente inclusivo evita que estudantes sofram com bullying e dificuldades de aprendizagem

Receba NossasNovidades

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.