O símbolo ao lado é um link visual para o portal do Instituto Claro. Não acredita? Você só precisa de um celular com câmera e um pequeno software para confirmar. A imagem é um QR Code, que representa uma nova geração dos códigos de barras comumente encontrados em embalagens. Com barras horizontais e verticais, uma imagem pequena como essa é capaz de armazenar uma grande quantidade de informação, chegando a mais de 7.000 caracteres. Nesta reportagem, o Instituto Claro apresenta os conceitos envolvidos no uso dessa tecnologia e discute possíveis maneiras de usá-la no aprendizado.

 

A sigla “QR” vem de Quick Response, ou reposta rápida, pois o código consegue ser interpretado velozmente, mesmo por câmeras de baixa resolução. Seu principal uso é ler informações com o celular, sejam textos, telefones ou endereços de páginas da internet – que podem direcionar a imagens, vídeos, podcasts etc. Para isso, é necessário apenas instalar um software leitor no aparelho. “Nos meus blogs, sempre uso o QR code para informar, de maneira prática e adequada, o link da versão da página otimizada para telas pequenas (celulares, pdas, smartphones), ou informações que possam ser adicionadas à agenda do celular”, conta o professor de física Sérgio Lima.

 

Há inúmeras possibilidades para o uso dessa tecnologia e em alguns países, como Japão, Estados Unidos e França, ela já é amplamente empregada em areas como: embalagens de produtos, mostrando valores nutricionais; em vitrines de lojas, anunciando promoções; em indústrias, gerenciando inventários; em cartões de visita, informando dados pessoais; em pontos turísticos, apresentando informações sobre o local; e em paradas de ônibus, exibindo trajetórias e horários das linhas.

Por aqui, sua disseminação ainda é tímida. Algumas empresas – como a Claro – já utilizam QR Codes em campanhas publicitárias. O jornal A Tarde, de Salvador, inclui os códigos em algumas reportagens para que o leitor possa acessar informações adicionais. Assim, essa ferramenta tem como grande diferencial sua capacidade de integrar mídias, estabelecendo pontes entre os meios físicos e os digitais.

 

Um dos exemplos brasileiros mais interessantes fica por conta do CAOS – Coletivo de Amor e Ódio em Segundos, que criou uma obra auto-atualizável e colaborativa: Instantes de Amor e Ódio, que divulgam como o primeiro “livro vivo” do mundo. Em cada uma de suas 200 páginas está impresso nada além de um grande QR Code. Ao acessá-los com o celular, o leitor recebe uma compilação de frases de amor e ódio, escritas por pessoas reais no Twitter. Os links são atualizados toda semana com novas frases. Ou seja, temos sempre um livro novo, dinâmico.

 

E se esse princípio fosse também utilizado em materiais didáticos? Com parte das informações em códigos, livros escolares teriam uma vida mais longa. Em textos de geografia, por exemplo, um QR Code permitiria que os alunos acessassem os dados mais recentes de cada país. E isso não está só no campo das ideias. Na Austrália, uma universidade passou a incluir QR Codes em alguns materiais distribuídos aos estudantes. Veja como funciona, assistindo ao vídeo abaixo.

https://youtu.be/IphTJHiKGos

 

Na escola, essa ferramenta pode ser usada em gincanas educativas, com perguntas ou informações escondidas nos códigos, como sugere Sérgio Lima: “Imagine se alunos que estão aprendendo sobre o uso de mapas pudessem, usando dicas e imagens espalhadas em QR Codes, disputar quem encontra primeiro algo que foi escondido em certa região?” Um pequeno exemplo pode ser encontrado em um de seus blogs, por meio deste link. Planejamentos de atividades poderiam, também, ser apresentados dessa maneira para que fossem transferidos rapidamente para os celulares dos alunos.

 

Rogério da Costa, filósofo e professor de pós-graduação em Comunicação Semiótica da PUC-SP, vislumbra que “em uma aula de história, os alunos poderiam ir a museus e ‘tagueá-los’ com códigos adesivos, para que outros visitantes acessassem com o celular. Eles usariam uma tecnologia móvel, ao mesmo tempo em que se movimentariam pelo espaço para preenchê-lo com informações. Então não é uma simples visita ao museu”. O educador não estaria apenas fornecendo dados ou solicitando uma pesquisa comum, mas sim estimulando os alunos a construírem conteúdos, com o incentivo de que estes seriam apresentados ao público.

 

 

Vivemos uma fase de expansão da tecnologia, na qual as informações digitais começam a ir além do computador e a se apropriar do espaço urbano, criando uma camada de dados digitais no real. O QR Code ilustra bem essa tendência, ao acoplar mobilidade de informação à mobilidade física. Ele pode, inclusive, contribuir para uma mudança pedagógica. “É importante que passemos de uma educação passiva para uma educação ativa. O maior desafio fica por conta da escola, que é controladora, e do professor, que geralmente se sente ameaçado por novos métodos de ensino”, reflete Rogério.

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