Completando dez anos, a Febrace, maior feira de ciências e engenharia do Brasil voltada ao ensino fundamental, médio e técnico, apresentou nesta edição 325 projetos finalistas. Desenvolvidas por estudantes, as iniciativas ocuparam o espaço de um pavilhão, montado na Escola Politécnica da USP. As ideias apresentadas serão analisadas por uma banca avaliadora e as que forem selecionadas terão a chance de participar da feira internacional Intel ISEF, que acontece em maio nos Estados Unidos. A mobilidade foi um dos grandes destaques desta edição, que trouxe vários exemplos de como as tecnologias móveis podem contribuir na solução de problemas do dia a dia.

Este é o caso do Nutricell, projeto desenvolvido pelos alunos de ensino médio Rafael Sousa, Luiz Fernando dos Santos e Rodrigo Soares, da Etec Monte Mor, no interior de São Paulo. O aplicativo, que pode ser acessado por meio de celulares ou tablets, permite o controle nutricional de todas as refeições feitas por uma pessoa ao longo do dia. “O usuário só precisa selecionar no programa os alimentos que pretende consumir para receber o cálculo total do número de nutrientes ingeridos”, explica Rafael.

Os estudantes desenvolveram o projeto tendo em vista o número de aparelhos móveis existentes no Brasil – que atualmente já ultrapassa o total da população do país, de 190 milhões de habitantes. Do interesse em comum que os alunos tinham por saúde e nutrição, surgiu a ideia para a criação do aplicativo. Os jovens também utilizaram os conhecimentos adquiridos em um curso técnico de informática como base para o trabalho.

A iniciativa foi desenvolvida para a disciplina projeto técnico-científico, ministrada pelo professor Roney Caum, que também foi o orientador do grupo. Para o educador, a principal vantagem da Febrace é incentivar a produção de conhecimento por parte dos alunos em áreas que eles tenham maior afinidade. “Por serem de ensino médio, a parte científica é muito difícil para eles assimilarem”, conta. Para o desenvolvimento do Nutricell, por exemplo, eles precisaram buscar a ajuda de profissionais de nutrição, que não existiam na escola.

Sérgio Carvalho

A distância, aplicativo interage com dispositivos elétricos  de casa

Interação física e móvel

Um projeto que também chamou bastante a atenção do público da feira foi o Cell Casa. O aplicativo permite que os usuários usem o tablet como um controle remoto para interagir com diferentes aparelhos elétricos de uma casa, de qualquer lugar em que o usuário estiver. O grupo, vindo do Instituto Federal do Triângulo Mineiro, de Ituiutaba, Minas Gerais, levou sete meses para desenvolver o projeto e ainda pensa em implantar novas tecnologias nele, como a captura de movimentos, de forma a facilitar sua utilização. Uma das dificuldades foi a criação do ambiente 3D, utilizado na tela do aplicativo, pois os alunos não estavam familiarizados com a tecnologia.

Segundo Lucas Ferreira, integrante do grupo, as utilidades do projeto podem ser variadas: “Há várias opções, como o uso por pessoas deficientes, com dificuldade para acender ou apagar as luzes, ou na região rural, para o controle da quantidade de água gasta em mecanismos de irrigação”. Na internet, os estudantes disponibilizaram um site, no qual é possível interagir em tempo real com diferentes dispositivos elétricos de uma maquete, que está em Minas Gerais.

 

Projeto social

Sérgio Carvalho

Estudantes desenvolveram projeto para evitar acidentes de carro

Entre a grande variedade de iniciativas, alguns dos projetos apresentaram temáticas de preocupação social. Alunos da Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa, também de Minas Gerais, por exemplo, tiveram a ideia de criar um mecanismo em que o próprio motorista pode controlar a taxa de álcool ingerida. No Comunic-Car, um bafômetro é acoplado ao carro, permitindo que, ao realizar o teste, o usuário se conscientize do perigo de dirigir embriagado. Caso o aparelho detecte um nível acima do aceitável, é enviado um aviso via celular à família do motorista, com a localização do veículo. Além disso, a ignição do automóvel é cortada, impedindo que ele possa se locomover.

Para a feira, o grupo trouxe uma estrutura física nos moldes do painel dianteiro de um automóvel comum para que fosse possível demonstrar as funcionalidades do sistema. “A motivação surgiu diante de tantas notícias de tragédias e acidentes que acontecem, muitas vezes envolvendo pessoas inocentes”, conta Bruno Moreira, integrante da equipe. O projeto nasceu com o objetivo de se tornar um produto comercializável. Para isso, ele foi produzido de forma a permitir sua utilização integrada a qualquer veículo.

Geração de energia também foi explorada nos projetos

Nesta edição da Febrace, 12 projetos presentes tinham como objetivo apresentar formas inovadoras de produção de energia. Um deles é a cadeira geradora de energia elétrica, produzida por Jackson Amaral e Daniel Xavier, alunos da Escola Estadual de Ensino Profissional César Campelo, de Fortaleza. “Na nossa terra, muita gente utiliza a cadeira de balanço como forma de descanso. Então, por que não aproveitar um elemento típico da nossa região e, ao mesmo tempo, dar a isso uma funcionalidade?”, questiona Daniel.

Sérgio Carvalho

Utilizando telas touch screen de celulares, o projeto das capixabas cria células geradoras de energia

Usando princípios de eletromagnetismo, o balanço da cadeira cria uma corrente elétrica que gera energia suficiente para carregar baterias de aparelhos como celulares e máquinas fotográficas. A eletricidade produzida por três cadeiras pode alimentar o funcionamento de uma casa inteira. A falta de recursos para a iniciativa, em vez de ser um problema, chegou a trazer resultados benéficos. Devido a essa barreira, todo o projeto foi produzido com materiais recicláveis, fator que se integrou muito bem à ideia de sustentabilidade e produção de uma energia mais limpa.Desenvolvido ao longo de dois anos, outro projeto reutilizou telas touch screen de celulares para a produção de células fotoeletroquímicas, que transformam energia solar em energia elétrica. As alunas Brenda Feitoza, Beatriz Miranda e Karolina Costa vieram do Instituto Federal do Espírito Santo para apresentar a iniciativa, cujo objetivo é usar telas descartadas por oficinas de celulares na criação de células com baixo custo e alta eficiência. Esta é a segunda vez que o projeto participa da Febrace. Agora, ele está mais desenvolvido, mas ainda há um longo caminho pela frente: “Nosso principal objetivo agora é interligar essas células. Para que elas possam se tornar uma fonte secundária de energia, é preciso aumentar a quantidade de eletricidade fornecida”, conta Karolina.Segundo Thiago Maduro, orientador do projeto, a perseverança do grupo foi o principal motivo para o sucesso da empreitada. As estudantes precisaram desenvolver o trabalho dentro de suas casas, sem contar com os elementos e ferramentas presentes em um laboratório de química. No desenvolvimento da iniciativa, a equipe chegou a entrar em contato com um grupo de pesquisa de Portugal, que enviou uma série de artigos e conteúdo de apoio ao trabalho. Porém, Thiago ainda reforça a necessidade de evolução e avanços no projeto: “É um trabalho muito interessante, mas que ainda tem muito a ser desenvolvido”.

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