Crianças de escolas públicas e particulares de uma cidade de Minas Gerais estão passando por uma experiência bem diferente. Elas participam do projeto Escrevendo com o Escritor, que reúne turmas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental de Cataguases, no sudeste mineiro. Durante um semestre, os estudantes mergulham no universo literário de um escritor, não somente lendo lendo seus textos, como trocando mensagens com ele, produzindo em conjunto e, finalmente, participando de um encontro com o autor ao final do semestre. Cerca de 30 turmas participam de cada edição do projeto.

Divulgação

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Atividades de leitura são fundamentais no projeto

O trabalho começa quando as crianças ficam sabendo, no início do semestre, o nome do autor com quem vão trabalhar. No semestre passado, o escolhido foi Álvaro Ottoni, autor de livros como “A árvore que fugiu do quintal” e “O peixe que não sabia nadar”. Apresentado, ainda no mundo virtual, o escritor propõe um desafio de escrita, publicado no blog do projeto (clique aqui para acessar). No caso de Álvaro, o desafio foi a escrita colaborativa de uma pequena história, que ele começou e cada turma contribuiu escrevendo um trecho.

O papel do professor, nesse processo, é o de ajudar na seleção dos livros mais importantes para a leitura das crianças e incentivar para que elas enfrentem o desafio. Além disso, milhares de outras atividades costumam ser pensadas levando em conta o universo do autor. Estímulo à pintura, à música e à produção teatral são algumas das atividades que acontecem todos os semestres.

Concluído o desafio, é chegada a hora em que escritor e estudantes se encontram. O evento é a oportunidade para estes mostrarem os trabalhos que foram preparados durante o semestre, em sintonia com as obras do autor. Maquetes, desenhos, pinturas e até músicas já foram feitos para a alegria dos convidados. Um grupo de teatro do Instituto Francisca de Souza Peixoto, realizador do projeto, também se apresenta, com uma peça adaptada de um dos livros do escritor.

Este é o momento também em que o convidado finalmente pode olhar dentro dos olhos das crianças e tentar responder às perguntas que lhe são feitas. A sessão de autógrafos, que tende a ser muito calorosa, não pode faltar: “Não gosto de repetir o que escrevo nos livros para as crianças, por isso, várias vezes elas voltaram e reclamaram que eu tinha escrito uma coisa diferente para o colega”, conta Álvaro, referindo-se à sua experiência em Cataguases.

“Algumas crianças me marcaram pela aproximação que tiveram de mim”, lembra o escritor. “Durante o encontro, uma garota me disse que quando ela tinha uma ideia para escrever, fazia-o na hora, porque, se não, esquecia. Quando eu disse que isso também acontecia comigo, ela continuou a conversa achando o máximo termos aquele ponto em comum”, conta Álvaro, que confessou ter um pouquinho de ciúmes dos próximos escritores convidados, já que ele não sabe quando voltará a participar do projeto.

Uma ótima ideia e uma ajudinha da tecnologia

“Eu queria apresentar autores de livros para as crianças, mas ao mesmo tempo pensava que elas deviam conhecê-los bem antes do encontro e trabalhar a escrita em cima de sua obra”, conta Andrea Toledo, que desenvolveu, coordena o projeto e é responsável pelo blog onde as mensagens são trocadas. Usar as tecnologias disponíveis foi uma maneira de criar uma ponte entre esses dois objetivos, explica Andrea.

As idas dos alunos ao laboratório de informática do Instituto são semanais e foram pensadas fundamentalmente para pesquisar sobre o escritor e seus livros, mandar recados e perguntas a ele e publicar as respostas do desafio que lhes foi proposto. No caso de Cataguases, esse uso racional é muito importante, pois poucas são as crianças que possuem computadores em casa e, muito menos, internet. Como não é possível ao laboratório receber as turmas de todas as escolas semanalmente, a prefeitura da cidade realiza um rodízio, de forma que todos os alunos consigam participar.

O projeto conta ainda com recursos do Estado, obtidos por meio de uma lei de incentivo à cultura, e auxílio de escolas particulares que participam da iniciativa. A verba levantada é destinada à compra de livros, que ficam na biblioteca do Instituto e podem ser emprestados pelos alunos durante o semestre.

Empolgação e interesse de sobra

A atual convidada do “Escrevendo com o Escritor”, Anna Cláudia Ramos, destaca a participação e o entusiasmo das crianças: “Eles mandam recados perguntando várias coisas. Quando os livros ainda não tinham chegado no Instituto, escreviam dizendo isso. Quando chegaram, recebi recados contando a novidade. E agora, enquanto leem, mandam mensagens dizendo o que estão achando”.

Anna está curiosa para saber o que os estudantes estão preparando para ela: “É um mistério. Eles já pesquisaram muita coisa sobre mim, mas eu não tenho ideia de como são suas carinhas e o que estão fazendo para o dia do encontro. Não sei nem os livros que eles estão lendo, só sei o que comentaram comigo nas mensagens”.

Assim como os adultos envolvidos, ao descrever o projeto, as crianças também não poupam adjetivos: “fantástico”, “emocionante”, “divertido”, e os mais tímidos soltam um “muito legal”. Oromar Voit, de dez anos, aluno da escola Guido Marlière, diz que uma das coisas que mais gostou foi da música que fizeram para o escritor Álvaro, baseada no livro “A árvore que fugiu do quintal”, e que foi cantada para o autor.

Para o próximo encontro, as expectativas só aumentam: “A Anna é muito simpática, estou doida para conhecê-la”, diz Alana Fontes, de nove anos, aluna do Centro de Educação Florescer, já quase íntima da autora. Não falta muito, Alana. O próximo encontro será em novembro.

https://youtu.be/EDlIhkQVcLU

 

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