A aprendizagem do estudante é o principal foco do professor de matemática na hora de buscar uma formação continuada. Esse foi um dos resultados da pesquisa “Eu ensino matemática: a formação continuada que eu quero”, do Grupo Mathema, em parceria com a Rede Conhecimento Social, que ouviu 1.838 professores de todas as regiões do Brasil. A necessidade de suprir lacunas na formação inicial e a troca entre pares também foram motivos levantados pelos entrevistados.

“Ao contrário do imaginávamos, a progressão na carreira e a titulação não são o foco para a procura pela formação continuada”, conta a sócia-diretora do Mathema, Kátia Smole. “Além disso, ao longo da pesquisa, não houve diferenças significativas nas respostas dos professores da rede pública e particular, ou entre educadores polivalentes (formados em pedagogia) e especialistas (licenciados em matemática). Ou seja, as angústias e as inquietações são compartilhadas por todos”, complementa.

Quando a pergunta foi sobre as causas dos baixos indicadores de aprendizagem de matemática no país, o professor responsabiliza a metodologia de ensino inadequada (32%), a formação inicial (19%) e formação continuada insuficientes (14%). O material didático (3%) e o currículo inadequado (9%) estão nas últimas posições.

O professor ainda acredita que a melhor maneira de ensinar matemática é contextualizar o conteúdo com a realidade do estudante (44%), ser mediador do conhecimento (24%), fazer projetos práticos e de resolução de problemas (19%). A interdisciplinaridade (9%), aulas baseadas em tecnologia (3%) e aulas teóricas (2%) foram as categorias menos mencionadas.

“Os dados dialogam, de certa forma, com a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, do Porvir, de 2016, que ouviu os alunos. Aproximadamente 36% dos estudantes responderam que a melhor maneira de aprender era por projetos”, relembra Kátia.

Busca por novas práticas

Sobre o que gostariam de aprender em um curso de formação continuada, 83% dos entrevistados disseram ter muito interesse em diferentes práticas de ensino, 75% em interdisciplinaridade, 73% no uso de tecnologia em aula e 68% em formas de considerar o erro.

“Mais do que transmitir todo o conteúdo, os professores afirmaram que levam em consideração as dificuldades dos estudantes na hora de elaborar as aulas (sete de cada dez entrevistados) e que procuram acolher a individualidade de cada estudante (quatro de cada dez entrevistados”, aponta Smole.

A sócia-diretora do Mathema, Kátia Smole, durante apresentação dos dados da pesquisa em 4 de maio de 2018 (crédito: Maisa_Gontijo/divulgação)

 

Os docentes relatam que deixam de participar dos cursos de formação continuada pelo alto valor cobrado e por falta de tempo. Além disso, a maioria afirma preferir cursos de longa duração (com mais de 30 horas, 44%) e de média duração (entre nove e 30 horas, 40%) aos cursos rápidos (de três a oito horas). Por fim, há preferência por cursos presenciais (43%) e semi-presenciais (33%) aos exclusivamente online (23%). “A troca entre os pares é considerada importante”, analisa a educadora.

A pesquisa “Eu ensino matemática: a formação continuada que eu quero” foi realizada por meio de questionário online, elaborado com a ajuda de 18 professores que ensinam matemática em diferentes regiões do Brasil. O grupo pesquisado foi composto por professores das redes pública e particular, e de atuação especializada e polivalente. Dos 1.838 entrevistados, a maioria eram mulheres (80%), entre 35 e 49 anos (60%), com mais de dez anos de docência (60%) e mais escolarizadas que a média nacional (80% com pós-graduação).

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