Os alunos na Educação 3.0 precisam de professores? A provocação foi feita pelo diretor de Educação para América Latina da Microsoft, Angel Dubon Marchelli, durante o debate “O Dia do Professor na Educação 3.0”, no InovaEduca3.0, evento de tecnologia e educação que aconteceu em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (1/10). A resposta é sim, no entanto, o papel do docente passa a ser mais de mediador no processo de aprendizagem.

-Saiba o que é Educação 3.0, em entrevista com John Moravec

“O aluno não é tão capacitado como pensamos [autodidata]. Vivemos na geração dos distraídos, acessamos conteúdos rápidos e rasos. Nesse contexto, o professor passa de transmissor de conteúdo para curador dessa aprendizagem”, apontou o professor em cursos de pós-graduação da Miami Ad School, Gil Giardelli.

Um primeiro passo para assumir esse novo papel é o professor aprender como as novas tecnologias funcionam, já que os alunos fazem parte da geração digital. Então, ele vai apontar para o aluno “o que é importante saber, pois se deixarmos os estudantes trabalharem sozinhos, eles consumirão apenas conteúdo fast food”, afirmou o professor da Universidade de Nova York e especialista em Educação 3.0, Jim Lengel.

Também, trabalhar com grupos grandes de 30 ou mais alunos não está previsto na Educação 3.0, já que a tendência da aula é de apenas o professor falar e os alunos escutarem. Assim, combinar momentos de organizar os alunos em pequenos grupos e em momentos individuais é produtivo, segundo Lengel.

“Educar em rede é muito complexo, pois é uma sociedade muito acelerada. Teremos que ser cada vez mais alunos e professores ao mesmo tempo”. A ideia ressaltada por Giardelli é que o docente esteja aberto para a troca de experiências com os alunos, tornando o ensino uma via de mão dupla.

Em sua palestra, Lengel apresentou o Mr. Bacon, um professor fictício da era 3.0 que tem o dia-a-dia permeado por tarefas variadas. Apenas na parte da manhã ele ministrou uma aula, fez um experimento de pesquisa e levou um grupo de alunos para testar um projeto que desenvolveram. “Hoje, um terço dos professores trabalha sozinhos”, criticou Lengel.

Inovação
Umas das características principais da Educação 3.0 é a inovação. Para Giardelli, é necessário começar de baixo para cima. “Não vai vir das secretarias de educação, tem que ser dos professores. Nós devemos trazer resultados. Buscar coisas interessantes dentro e fora da escola.”

Já a coordenadora da Área de Educação e Tecnologia do Instituto Ayrton Sena, Adriana Martinelli, lembrou que outros agentes estão envolvidos no processo. Diretores das escolas, pais e comunidade, também têm a responsabilidade de contribuir com o ensino.

Angel Dubon Marchelli ainda destacou que as secretarias de educação deveriam assumir um papel de estimular o ensino rumo à Educação 3.0, bem como as universidades precisam olhar para a formação dos docentes para lidarem com os novos desafios nas salas de aula.

Segundo Lengel, a educação não mudou para estar de acordo com as novas necessidades do século 21. “O mais importante na Educação 3.0 não é a tecnologia, os livros ou a política, são os alunos”, afirmou. Ainda, o interessante é que as escolas consigam chegar a definições próprias do que é Educação 3.0. “Elas estão construindo isso”, disse.

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