Em meio a mais de 18 milhões de inscritos de todo o País, 542 adolescentes que cumprem medida socioeducativa em centros da Fundação Casa se classificaram para a final da 10ª Olímpiada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), que aconteceu no sábado, 13 de setembro.

Este número é 13% maior em relação à edição do ano passado, o que indica um crescente interesse e uma melhora de desempenho no ensino da matemática dentro da instituição.

A maior novidade que tem atraído os alunos para o mundo dos números são as oficinas de matemática que agora existem em seis unidades da Fundação. Implantadas em laboratórios de informática, elas se utilizam do método Khan de ensino, um sistema educativo para ensino de matemática usado por mais de 50 milhões de pessoas no mundo.

A ferramenta foi criada pelo americano Salman Khan para ajudar sua sobrinha que tinha dificuldade em aprender a matéria. Em pouco tempo, Khan viu seu método se propagar, principalmente depois da declaração de Bill Gates de que seus filhos a utilizavam para estudar.

O Khan é bastante simples e conta com alguns exercícios, dicas e videoaulas. Seu grande trunfo está no método que permite que cada um aprenda no seu próprio ritmo. A partir das habilidades conhecidas, o site do Khan sugere exercícios e caminhos possíveis para o desenvolvimento de cada estudante. Além disso, à medida que o aluno melhora, a plataforma registra seu progresso e propõe novos exercícios. O avanço é recompensado com pontos e medalhas virtuais.

Khan na Casa

O sistema chegou na Fundação Casa graças a uma parceira com a Fundação Lemann que treinou cerca de 30 pedagogos, coordenadores pedagógicos e agentes educacionais formados em matemática para inserir o Khan nas aulas. Cada equipe teve autonomia para implantar o projeto no centro socioeducativo onde atua, respeitando a realidade escolar dos seus alunos.

Ao final de cada semana, a Khan Academy envia por e-mail aos professores um relatório de acompanhamento sobre o desenvolvimento dos alunos. A partir desse histórico, a tutora da turma indica para cada um deles uma série de exercícios que podem ajudar a clarificar conceitos que ainda não foram compreendidos.

O projeto ainda está em fase de experimentação e, por isso, só é aplicado em 6 centros da Fundação Casa. A ideia é que, diante do sucesso, ele seja ampliado para o ano que vem. As aulas acontecem uma vez por semana no contraturno das aulas de ensino formal e duram cerca de 1 hora e meia.

O Khan está sendo bem aceito na instituição porque atende individualmente os alunos com diferentes níveis, haja vista que a defasagem escolar é bastante comum lá dentro. De acordo com dados da Fundação, 92% dos seus alunos não estão na relação idade-série correta.

“Optamos por oficinas mistas, com meninos de 14 a 18 anos, para que eles também possam se ajudar nas suas dificuldades. Temos aqui desde meninos que estão resolvendo frações, até alunos mais velhos que já conseguem resolver exercícios de álgebra mais complexos. O método permite que cada um deles avance nos seu ritmo”, conta Paula Fernanda Almeida Nunes, coordenadora pedagógica da unidade Morro Azul, em Limeira.

Segundo a coordenadora, o Khan é uma forma de acompanhar paralelamente o trabalho do ensino da matemática que já vem sendo praticado na sala de aula, além de funcionar como uma preparação extra para os meninos que vão prestar Enem ou vestibular esse ano.

Mesmo em um período experimental, a coordenadora Paula Fernanda afirma que tanto os meninos quanto os professores de matemática da instituição já sentem a diferença: “Um dos professores afirmou que os alunos que estão experimentando o método apresentam um desempenho até 70% melhor do que quando assistiam somente às aulas tradicionais”.

Alunos bom de conta

Mateus (cujo nome mantém a identidade preservada), de 17 anos, está no 9º ano do Ensino Fundamental e cumpre medida socioeducativa no CASA Morro Azul, em Limeira. Ele diz que sempre gostou de matemática, mas que o Khan deixou o aprendizado mais fácil porque ele consegue focar melhor nas suas necessidades: “Se antes eu só dependia do que o professor falava para entender, com o Khan eu posso usar outros recursos. Posso ver um vídeo, fazer desafios e acho que aprendo mais fácil”.

Para Paula Fernanda, um dos sucessos do método está no desafio que ele propõe aos alunos. “Toda semana comentamos o desempenho de cada um e discutimos juntos como podemos melhorar para que todos pontuem bem durante a semana. Muitos alunos que ficaram de fora dessa fase experimental já fazem fila para participarem da próxima turma”, comenta.

A coordenadora ressalta também os benefícios que se estendem para além da matemática. Para muitos alunos, o método foi o primeiro contato com os computadores, melhorando a digitação e a compreensão sobre o funcionamento da rede.

Paula Fernanda conta: “Eles gostam tanto de aprender dessa forma que, na semana passada, um dos meninos conseguiu a liberdade e, assim que chegou em casa, me ligou e pediu a senha e o login para continuar os exercícios em casa. Saber que esse trabalho continua de forma independente pela vida deles é uma das coisas mais gratificantes para nós, educadores, e uma prova de liberdade para os meninos”.

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