Professor há mais de duas décadas, Guilherme Jacobik trabalha há 13 anos no primeiro ano do ensino fundamental do Colégio Santa Cruz, em São Paulo (SP). “Fui o primeiro professor homem não especialista (educação física, artes) a lecionar no ensino fundamental em mais de seis décadas de existência do colégio”, relembra.
 
Histórias como a de Guilherme ainda são comuns no Brasil. Dados do Censo da Educação 2014 revelam que do total de mais de dois milhões de docentes na educação básica, apenas 423 mil são homens – o que corresponderia a aproximadamente 20%. 
 
Mas, afinal, o que explicaria a predominância feminina nas salas de aula? “Muito se deve a uma tradição cultural de perceber a escola como segundo lar e a professora como uma segunda mãe”, explica o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisador na área de Educação, Sexualidade e Relações de Gênero, Fernando Seffner.
 
Para o professor do ensino fundamental 1, Anderson Regis Silva, outra explicação seria os salários inferiores neste segmento. “Tenho a impressão de que ainda resta uma marca machista, que diz que o homem tem que ser o provedor do lar e, por isso, precisa ganhar mais. Mesmo quando estava cursando pedagogia, eu era o único homem da minha turma”, relata. “As mulheres, desde a década de 70, buscam a emancipação econômica e coincidiu que este nicho de trabalho estava vago. Os homens evadiram da etapa inicial de escolarização e as mulheres ocuparam esse espaço”, opina Guilherme. 
 
Diversidade
Para Seffner, a presença do homem no ensino infantil ainda gera preconceitos. “O homem é visto como um abusador em potencial. Há estranhamento com relação às crianças sentarem no colo no professor ou dele as acompanharem ao banheiro, o que não aconteceria com uma professora”, descreve.
 
Já nos primeiros anos da educação básica, o profissional homem é encarado com maior naturalidade pelos pais. “Tive mais reações positivas, algumas até exageradas, o que não deixa de ser um preconceito às avessas. Já escutei: ‘puxa, isso dá mais autoridade e as crianças obedecem mais; ‘também com esse vozeirão, não tem como elas não te respeitarem’”, conta Guilherme.
 
Em relação aos colegas, Silva lembra ter presenciado uma única situação de preconceito. “Já ouvi comentários, em uma escola, de que seria inviável a contratação de um professor homem para os anos iniciais. Preferi não perguntar o porquê”, revela.
 
A presença do professor, contudo, é benéfica para os alunos, que passam a ter contato com a diversidade de gêneros. “Os alunos aprendem a respeitar tanto a figura masculina quanto a feminina no espaço público, e possuem mais modelos para se espelharem”, finaliza Seffner. 
 
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