A universalização do uso da internet e de tecnologias nas escolas rurais ainda é um desafio no Brasil. Segundo a pesquisa TIC Educação de 2017, somente 36% delas possuem acesso à rede, contra 97% das urbanas, que contam com, pelo menos, um ponto de conexão (seja por dispositivos móveis ou desktop). Dentre as rurais, os piores índices estão nas regiões Norte (18%), Nordeste (30%) e Sudeste (57%). Os melhores, no Centro-Oeste (73%) e Sul (81%).

“Quando comparamos esses dados, há uma diferença de conectividade que as políticas públicas precisam resolver, para que sejam oferecidas oportunidades iguais aos estudantes que vivem no campo. Há ainda discrepâncias regionais a serem combatidas”, analisa o coordenador de pesquisas do Cetic.br, Fabio Senne.

“Percebemos, também, que as escolas rurais possuem um importante papel para a inclusão digital de sua comunidade. Das 36% com internet, 46% disponibilizam o acesso aos familiares dos alunos e vizinhos. No Norte, 54% oferecem esse serviço expandido”, lembra a coordenadora da pesquisa, Daniela Costa.

A apresentação contou com o gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa; a coordenadora da pesquisa, Daniela Costa; o coordenador de pesquisas do Cetic.br, Fábio Senne e a coordenadora científica, Leila Iannone (Crédito: divulgação)

 

Após um piloto em 2016, a TIC Educação incluiu, pela primeira vez, o campo no escopo de entrevistas. Nessa área, foram realizadas 1.481 entrevistas em 4.793 escolas públicas (exceto federais) e privadas de qualquer modalidade de ensino.

Os dados mostram, ainda, que apenas 43% possuem computadores de mesa, sendo apenas 22% de uso dos alunos. Os notebooks se fazem presentes em 34% das escolas rurais, mas apenas 13% podem ser acessados pelo corpo discente. Por fim, 4% delas têm tablets e somente 2% são disponibilizados aos estudantes. Para completar, 3% dessas instituições possuem acesso à internet, mas sem computadores em funcionamento.

Sobre os motivos para não utilizar a rede na escola rural, 48% dos entrevistados alegaram falta de infraestrutura na região, seguidos de alto custo de conexão (28%), energia elétrica intermintente (16%), falta de interesse (16%), custo-benefício não compensatório (14%), falta de habilidade dos funcionários (13%), ausência de energia elétrica (9%) e falta de segurança (9%). Também, 48% deles afirmaram utilizar celulares particulares em atividades administrativas.

Diferenças entre redes

Nas áreas urbanas, a pesquisa do Cetic selecionou 957 escolas, entre públicas (exceto federais) e privadas com turmas de 5º ano ou 9º ano do ensino fundamental ou 2º ano do ensino médio. Foram ouvidos 957 diretores, 884 coordenadores pedagógicos e 1.015 professores (língua portuguesa, matemática e de anos iniciais do ensino fundamental).

Sobre o uso de computador e internet por educadores em sala de aula, 48% disseram utilizá-los em aulas expositivas, 48% em atividades de interpretação de textos com os alunos, 40% na realização de exercícios e 40% em trabalhos em grupo.

Além disso, 42% dos professores disseram tirar dúvidas dos alunos pela internet (36% da rede pública/66% da particular); enquanto 48% disponibilizaram conteúdo na internet (44% pública/61% particular), 44% avaliaram o desempenho de suas turmas (41% pública/53% particular); e 41% utilizaram programas educativos de computador, simulações e projeções (36% pública/60% particular). Apesar disso, apenas 2% disseram que criaram jogos de computador ou aplicativos com os estudantes (1% pública/4% particular).

“Os educadores são usuários da internet fora da escola, preparando aulas e atividades. Contudo, em sala de aula, usam menos”, analisa Costa. “Vemos ainda diferenças entre os profissionais da rede privada e pública sobre o uso da tecnologia. Dependendo da atividade, chegam-se a 30 pontos”, assinala Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Dos recursos disponíveis, 67% das escolas públicas urbanas possuíam página em redes sociais, contra 89% das particulares. Já 13% das públicas contavam com ambiente virtual de aprendizagem, contra 44% das privadas.

Uso responsável da internet

Uma novidade da TIC Educação 2017 foi questionar os educadores sobre o uso responsável da internet. Quando perguntados se ajudaram algum aluno a enfrentar situações ocorridas na rede relacionadas a bullying, discriminação, assédio e disseminação de imagens sem consentimento, 39% dos professores de escola pública e 44% dos docentes da rede particular responderam afirmativamente. “Vimos que eles se envolvem mais no ensino fundamental e menos no ensino médio”, compara Costa.

Os profissionais da educação também afirmaram promover debates com suas turmas sobre como usar a rede de forma segura (54% pública/63% particular) e estimular os alunos a debaterem sobre os problemas que enfrentam nela (64% pública e 79% particular).

Celular é único dispositivo

Quando o assunto são as atividades escolares realizadas na internet pelos alunos, esses afirmaram fazer pesquisa para a escola (85% pública/92% particular); trabalhos sobre um tema (80% pública / 85% particular); pesquisas sobre o que é falado em sala (74% pública/83% particular); trabalhos em grupo (72% pública/79% particular); estudar para prova (72% pública/74% particular); lição e exercícios (65% pública/65% particular); trabalhos a distância (60% pública/70% particular); jogar games educativos (55% pública/59% particular).

Contudo, apenas 37% dos estudantes das instituições públicas e 50% das particulares declararam utilizar a web no ambiente escolar. “Os indicadores apontam que os alunos usam a rede fora do colégio, em seus aplicativos móveis. Isso mostra que, apesar de rotina já incorporada, a escola não está preparada para desempenhar esse tipo de atividade”, revela Senne.

Para Costa, a pesquisa aponta três tendências, apesar de os índices ainda serem baixos em relação a esses pontos: o uso da internet para o aluno falar com o professor (25% pública/35% particular); fazer provas ou simulados (24% pública/26% particular) e participar de cursos (15% pública/17% particular).

Outro dado relevante é que 18% dos alunos utilizam a rede apenas pelo telefone celular, sendo 22% desse percentual de crianças e adolescentes de escolas públicas. “Isso implica que há outras habilidades relacionadas ao uso das tecnologias que a utilização apenas em aparelhos móveis não contempla, algo que as políticas públicas precisam olhar”, comenta Barbosa. “Nesse sentido, percebemos também que os estudantes da rede particular possuem, em linhas gerais, mais acesso a dispositivos diversificados em relação aos alunos da escola pública”, acrescenta.

Crédito da imagem principal: dolgachov – iStock

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