Dos comentários realizados em sites de notícias aos conteúdos curtidos nas redes sociais, tudo o que disponibilizamos na internet gera uma “pegada virtual”. Para o diretor de educação da Safernet Brasil, Rodrigo Nejm, discutir o assunto em sala de aula ajuda os alunos a refletirem sobre cidadania digital e uso responsável da web.

“A pegada virtual está ligada a ideia de reputação digital ou da imagem que as pessoas fazem de mim. A questão para o jovem é: será que eu estarei feliz com essa reputação que eu construí daqui há cinco ou dez anos?”, questiona. “A internet, nesse sentido, pode ser utilizada para colaborar com o meu projeto de vida”, acrescenta.
Para os estudantes de ensino médio que buscam um estágio ou colocação no mercado de trabalho, a pegada virtual já funciona como parte do currículo, sendo decisiva na hora da contração. “As empresas buscam referências dos seus futuros funcionários na web. Pela internet, posso descobrir que aquele jovem escreve bem, gosta de artes ou integra um grupo de hip hop, por exemplo. Contudo, a mesma pesquisa pode revelar que ele compartilha discursos misóginos, homofóbicos, racistas e de incitação à violência”, ressalta.
Discutir a pegada digital no âmbito pedagógico também ajuda a combater a ilusão de anonimato da internet. “O uso da internet tem implicações sociais, éticas e legais. Assim, o objetivo é ensinar como usar e aproveitar a rede mais e melhor”, destaca.
Além disso, também pode promover uma discussão transversal sobre a privacidade na rede. “Tudo o que compartilhamos nas redes sociais costuma ser copropriedade. Ou seja, tais empresas podem usar nossas informações pessoais ou disponibilizá-las para terceiros. Essa discussão precisa ser amadurecida na sociedade”, aponta.

Exercícios práticos

Para abordar o tema da pegada virtual em sala de aula, Rodrigo Nejm orienta os professores a não se apoiarem no mito dos jovens como “nativos digitais”. “Eles realmente já nasceram conectados, contudo, tal conceito é perigoso porque supõe um hábito que eles não têm. A maioria dos alunos usa internet apenas como consumidores. Não sabem, por exemplo, apagar um histórico ou bloquear uma pessoa inconveniente nas redes sociais”, aponta.
O especialista indica três exercícios práticos para professores. O primeiro deles é orientar o jovem a pesquisar o seu nome no Google. O segundo é pedir para cada aluno entrar, sozinho, no site “Minha Conta”, do Google. Lá, é possível encontrar os registros de todas as pesquisas realizadas, o histórico de locais visitados e perfil que o site faz de cada usuário na hora de direcionar publicidades. “Em ambos, veja se os alunos se surpreenderam com alguma informação ou registro que nem sabiam que estava lá”, ensina.
Por fim, a terceira atividade é formar duplas com alunos que não sejam amigos ou íntimos. Cada um visitará as redes sociais do parceiro e analisará as informações registradas no Google. Na sequência, traça-se um perfil de personalidade baseado apenas nas impressões obtidas virtualmente. Os dados são cruzados e cada aluno pode comentar se a reputação construída por sua pegada virtual corresponde, ou não, à realidade.
A Safernet é uma ONG voltada para a segurança da internet e para a defesa dos direitos humanos na rede. Ela disponibiliza materiais paradidáticos com atividades diversas para jovens e um canal de ajuda para jovens e adultos sobre temas como ciberbullying e outros crimes e violações.
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