Florianópolis – A aplicação das novas tecnologias nos ambientes de ensino-aprendizagem ainda é um desafio para boa parte dos gestores educacionais e professores. Porém, o que se vê atualmente são exemplos de práticas inovadoras sendo multiplicadas e compartilhadas em diversos espaços: na web, em escolas e universidades, em encontros de educação, em secretarias (municipais e estaduais) etc. Os processos educacionais atrelados à tecnologia já ocupam lugar de destaque nos debates por haver consenso de que não se trata somente de uma tendência, mas sim de uma nova realidade.

Giulliana Bianconi

Cláudio Fernando André, do MEC e Marina Nakayama, da UFSC,
durante o XX Simpósio Brasileiro de Informática na Educação

Após o frisson da aderência às novas práticas educacionais, instituições e educadores que estão na dianteira desse processo começam a avançar para um outro momento: o do desenvolvimento de instrumentos de avaliações que têm, basicamente, duas finalidades: aferir a eficácia das inovações realizadas nos ambientes de aprendizagem e “medir” o quanto efetivamente os alunos conseguem absorver de conteúdo quando as aulas são realizadas em espaços virtuais.

No XX Simpósio Brasileiro de Informática na Educação, evento realizado em novembro, em Florianópolis, essas duas vertentes da avaliação foram contempladas, e especialistas do assunto revelaram o que há de novo e o que está por vir.

Cláudio Fernando André, coordenador geral de Tecnologias da Educação da Secretaria de Educação Básica do MEC, falou sobre a parceria que foi firmada, há pouco, com a Universidade Federal de Santa Catarina. “Temos um Guia de Tecnologias Educacionais que anualmente é publicado, após seleção de projetos por edital. A UFSC terá o papel de analisar essas tecnologias já contempladas e as formas de uso das mesmas a fim de elaborar uma metodologia geral de acompanhamento e avaliação”, afirmou Cláudio André.

Marina Nakayama, pesquisadora da área de engenharia e gestão do conhecimento e uma das responsáveis pelo projeto na UFSC, destaca que, após desenvolvida, essa metodologia será levada, por meio de cursos e eventos, às instituições que lidam com as novas tecnologias. “Esperamos corrigir problemas e distorções principalmente no processo de implementação, de modo a assegurar melhores condições de êxito nas metas estabelecidas”, diz Nakayama.

Homepage do Moodle, um dos primeiros AVAs
a apresentarem mecanismos de avaliação

Ela esclarece que a pesquisa não está enquadrada em nenhum paradigma específico de uma ciência específica ou classificada por um único autor, o que possibilita legitimar diferentes linhas de raciocínio presentes no desenvolvimento das tecnologias. Para isso, serão realizadas, dentre outras ações, análises documentais, consultas aos gestores, alunos e professores, além de avaliação de material. Ao final, serão legitimados indicadores específicos para a avaliação das tecnologias educacionais.

O desenvolvimento de indicadores voltados para a aferição da relação tecnologia/educação é terreno incipiente. Iniciativas como a do MEC ainda são raras. No país, a única ação macro que já aborda este tema é de autoria do IDIE Brasil, um dos institutos mantidos pela OEI (Organização dos Estados Ibero-americanos). Para saber mais sobre o trabalho do IDEI, leia entrevista com a coordenadora do projeto, Márcia Padilha.

Avaliação na rede
Se a preparação das avaliações dos resultados do uso das tecnologias na educação ainda acontece em grande parte em ambiente offline, o mesmo não ocorre com as avaliações voltadas para os alunos. Plataformas educacionais trazem sistemas embutidos, a exemplo da popular Moodle, uma das mais utilizadas no Brasil.

Mecanismo do Amadeus permite trocar mensagens ao
mesmo tempo em que se assiste a um vídeo

Porém, segundo o mestre em Ciência da Computação pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e pesquisador da área de Avaliação e Migração para o padrão e-Learning, Jorge Cavalcanti, existem outros mecanismos de avaliação virtual além dos disponibilizados no Moodle. O Amadeus, ambiente semelhante que permite estender as experiências de educação a distância para internet, desktops, celulares e, futuramente, TV Digital, oferece aos tutores “diferencias” como a possibilidade de personalização das avaliações.

“O Amadeus possui um banco onde as questões estão classificadas por nível de dificuldade. Assim, posso simplesmente selecionar o nível e um assunto, como Matemática, e o sistema elabora diversas versões de provas dessa disciplina para uma mesma turma. Não importa se as questões não serão iguais para todo mundo, importa que são equivalentes em termos de dificuldade. Isso é inovação nos sistemas de EAD”, afirma Jorge Cavalcanti.

Ele destaca ainda que o sistema, por ser de código livre, permite que o tutor adicione questões. Ou seja, se um conteúdo discutido durante as aulas merece estar na avaliação e ele não possui questões correspondentes no banco, o tutor de EAD, aquele que tem acesso ao gerenciador do ambiente, pode criar e adicionar.

Não conhece ainda?

Mesmo baseado no conceito de “blended learning”, que consiste num misto de ensino a distância e ensino presencial, o Amadeus oferece a possibilidade de um sistema de avaliação 100% virtual, inclusive indireta. Além da elaboração de “provas”, que é a avaliação direta, é possível também levantar os dados de cada usuário em relação a dúvidas registradas.

O sistema apresenta todos os alunos e as respectivas dúvidas registradas, a data em que foram adicionadas, a quantidade de comentários postados por outros alunos (que, colaborativamente, podem respondê-la) e a situação da dúvida naquele momento.

Jaclason Machado, pesquisador da Universidade Federal do Maranhão, expôs parte do seu trabalho do mestrado, que também foca as avaliações. Segundo ele, as pesquisas para a dissertação “Modelagem do Software Virtual-Taneb Aplicado na Avaliação da Aprendizagem no Ensino da Matemática da Quarta Série do Ensino Fundamental Usando a Teoria da Resposta ao Item” mostraram que é possível realizar comparações entre populações submetidas a provas diferentes, desde que essas provas tenham algumas questões em comum. Ou é possível, ainda, a comparação entre indivíduos da mesma população que tenham sido submetidos a provas totalmente diversas.

Diferentemente do Amadeus, o software Taneb ainda está em estudo, mas já é visto pelos acadêmicos como uma proposta de se avaliar, simultaneamente, os resultados de diferentes grupos.

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