TVs, jornais, revistas, rádios, sites, blogs, redes sociais… Por meio de ferramentas de comunicação, a mídia em geral tem um potencial elevado para contribuir com a educação, de acordo com especialistas entrevistados pelo NET Educação.

“Qualquer coisa publicada na mídia e em qualquer mídia é um conteúdo educativo desde que exista a figura do educador para analisar e ajudar o aluno. Precisamos olhar com criticidade em meio a tanta informação”, afirma a diretora do Instituto Educadigital, Bianca Santana. Ela recorda que quando a internet chegou à escola, existia uma preocupação com as informações na rede com relação à falta de confiança nas publicações. “Mas podemos aproveitar e usar isso para falar para as crianças e jovens que eles precisam mensurar as informações.”

“A democratização da educação só será possível desde que professores, pais e sociedade em geral souberem lidar melhor com a mídia, no sentido de criar experiência forte de cidadania”, acredita a consultora em educação e mídia e ex-secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Regina de Assis.

Já o pesquisador de educação e editor da revista Nova Escola, Rodrigo Ratier, aponta que a mídia tem em si uma função educativa. “Em um sentido amplo, assim como família, escola e trabalho. E a opinião de uma pessoa nasce do entrecruzamento dessas várias influências. A mídia propaga modelos de conduta e apresenta exemplos e contra exemplos, que podem refletir em uma mudança de conceitos em maior ou menor grau. Ela educa no sentido de provocar, de lançar uma centelha que pode se transformar em algo maior mais para frente.”

Para Regina, as universidades brasileiras têm se omitido no processo de qualificação do que é produzido na mídia. “Nos cursos de pedagogia, de informática, webdesigner, cinema e comunicação em geral, essas questões deveriam ser colocadas, pois esse universo que cria e distribui mídia deveria estar melhor preparado para atrair para o âmbito do desenvolvimento de mídia educativa”, diz ela que, durante sua gestão na prefeitura, entre 1993 e 1996, criou a Empresa Municipal de Multimeios (MultiRio), com o objetivo de desenvolver ações educativo-culturais voltadas para a realização de produtos em diferentes mídias.

Na avaliação dela, hoje, a produção com conteúdo especificamente para a aprendizagem é pequena. “O cuidado com a programação de canais, por exemplo, é um direito que não tem sido respeitado. Mesmo nas emissoras públicas TV Cultura e TV Brasil, é produzido pouco conteúdo. Para crianças de três a dez anos, não tem quase nada, enquanto países como Noruega, Dinamarca e Finlândia não permitem a existência de propagandas feitas para criança. Existe uma preocupação.”

Bianca acredita que tenham coisas interessantes sendo produzida por meio da mídia, no entanto admite que grande parte é voltada para o consumo. “O que falta? Possibilidade de abertura para os alunos e professores manipularem conteúdos. Mexer naquilo que está feito. Quando você apenas lê algo, não necessariamente aprende. Mas quando constrói algo em cima daquilo, a aprendizagem acontece de um jeito mais profundo”, ressalta.

Ratier lembra que a partir da segmentação de público na década de 70, o número de produtos midiáticos para jovens aumentou. Porém, isso aconteceu mais por uma necessidade de consumo, “não creio que tenha tanto a preocupação educativa. Hoje, não mudou esse caráter da mídia, mas o jeito como o jovem consome informação dela sim. Isso acaba dando mais relevância a coisas que estão fora da grande mídia”.

A diretora do Instituto Educadigital acrescenta que apesar de potencialmente qualquer pessoa com acesso conseguir influenciar nos conteúdos para jovens e estudantes, veículos com mais recursos têm mais chance de alcance. “Sem dúvida o que é mais acessado é o que está na grande mídia, então acaba sendo um canal importante”, pontua.

A neuropsicóloga e pesquisadora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Ana Cristina Olmos, aponta que dependendo de como o veículo repercute informação a partir de entretenimento, pode gerar um conteúdo inteligente. “Os programas Mundo da Lua e Anos Incríveis [séries transmitidas pela TV Cultura, produzidas entre 1991 e 1992, 1988 e 1993, respectivamente] abordavam temas intimamente interligados e com tratamento fantástico. Se for pensar na criança, a mídia pode contribuir para visão de princípio de realidade de forma muito mais desenvolvida.” 

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