Maria de Lurdes Fidelis (à direita) e sua torta de arroz nutritiva (Crédito: Prefeitura de Matelândia/Divulgação)
Não raro a merenda é uma das poucas refeições que o aluno da escola pública faz no dia. Além disso, as refeições realizadas em casa nem sempre são nutricionalmente balanceadas. No início de 2015, foi divulgado que 15% das crianças brasileiras com idade entre cinco e nove anos têm obesidade, De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses dois dados corroboram com a importância da figura da merendeira na rede.
“A merendeira da escola é mais do que uma cozinheira, porque ela educa o paladar da criança. Ela tem o papel de construir hábitos alimentares. O que elas fizerem vai ficar na memória afetiva dos alunos, para o bom e para o ruim”, resume a nutricionista do Instituto Avisa Lá, Elza Corsi.
Os desafios vividos pela merendeira na escola não são poucos. Além de nem sempre ter sua importância reconhecida, muitas vezes ela é vista apenas como uma força braçal. “Ela precisa atender a dois comandos: um externo, que é a figura da nutricionista, e o interno que é o diretor da escola, que cria as rotinas de alimentação. Infelizmente, na prática, há pouca conversa entre o gestor e o nutricionista. Essa profissional fica dividida”, descreve a profissional.
Ainda, segundo Elza, é necessária formação adequada para a merendeira entender o protagonismo do seu papel. “Não é apenas saber cozinhar, mas entender que hábitos são construídos não em aulas ou no discurso, mas na vivência. Eu aprendo com aquilo que eu tenho a oportunidade de experimentar”, destaca.

Melhores receitas
Organizado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o concurso “Melhores Receitas da Alimentação Escolar” premiou cinco pratos desenvolvidos por merendeiras, um de cada região do país. Ao todo, foram 2.433 receitas inscritas.
Uma das ganhadoras foi Osmarina Pereira Assini, da Escola Estadual Vereador Antônio Laurindo, de Iporá (GO). Ela desenvolveu uma torta de batata doce com peixe. “Eu já fazia essa torta na escola, que é de liquidificador. Mas aí decidi diminuir a farinha e colocar o peixe no lugar do frango e da carne”, relembra. “A torta é servida apenas uma vez ao mês devido ao seu custo mais alto. Gastamos apenas 44 centavos por aluno para a refeição diária”, explica, única profissional da escola para atender 165 alunos no período diurno. “O desafio no dia a dia é preparar um lanche saudável e deixar tudo organizado”, revela.
Da Região Sul, a ganhadora foi a merendeira Maria de Lurdes Fidelis, da Escola Municipal Dom Pedro II, de Matelândia (PR). Sua torta de arroz nutritiva já havia sido responsável por fazê-la tirar o primeiro lugar no concurso que escolheu a merendeira da escola. “É um lanche ótimo, já incorporado ao cardápio e aceito pelas crianças. Olho na bacia de desperdício da escola e não acho nada. E geralmente criança nem gosta de legume”, comemora.
Osmarina e Maria de Lurdes foram premiadas com cheque de R$ 5 mil e uma viagem ao Chile. “Será uma experiência nova, porque vamos conhecer a merenda deles também”, conta Maria de Lurdes. “Nunca andei de avião. Como tenho problema de labirintite, já fui ao médico fazer uma consulta. Estou muito animada”, garante.
Alunos da Escola Municipal Dom Pedro II, de Matelândia, no Paraná (Crédito: Prefeitura de Matelândia/Divulgação)
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