Pelo segundo ano consecutivo, o Instituto Claro apoiou a realização da maior feira de ciências e engenharia do país, a Febrace, onde estudantes de todo o Brasil apresentaram projetos carregados de empreendedorismo. Jovens como Lizandra Mayara, 17 anos, e Joilane Freitas, 18 anos, que chegaram a São Paulo vindas do município de Laranjal do Jari, Amapá, para mergulhar no evento, corroboram a relevância da causa do Instituto ao mostrarem como a educação que incentiva a aprendizagem inovadora resulta em práticas diferenciadas para a sociedade.

Estudantes amapaenses expuseram peças produzidas a partir do reaproveitamento do lixo eletrônico

As amigas são mentoras de um dos 302 projetos finalistas do evento, que aconteceu entre os dias 22 e 24 de março no pavilhão da escola Politécnica da Universidade de São Paulo. O passaporte das estudantes amapaenses para a feira foi o Recicl’art: Arte de Reciclar e Reutilizar o Lixo Eletrônico. O projeto revela o engajamento das duas jovens na causa da preservação do meio ambiente e, ao mesmo tempo, a capacidade de atrelar conhecimento técnico à criatividade na busca de soluções para questões relevantes aos dias de hoje.

“Ao observarmos a placa-mãe de um computador em desuso, vimos que poderíamos transformá-la em diversos objetos e diminuir a quantidade de lixo tecnológico da nossa cidade, que não conta com postos de descarte de eletrônicos”, explica Lizandra.

Desde agosto, após pesquisas e orientações de professores, Lizandra e Joilane começaram a produzir peças diversas, de bijuterias a material de escritório. Na Febrace, o estande do projeto ficou na área de Ciências Biológicas, ao lado de outros 46 trabalhos finalistas. O assédio dos visitantes pela venda dos produtos expostos era grande. “Não temos planos de vender por enquanto, mas entendemos que as peças são originais e chamam a atenção”, disse uma orgulhosa Lizandra.

Grupo de Rio Claro mostrou como realizou trabalho educativo com a população local

Mais conscientização

Em Rio Claro, cidade a 190 km da capital paulista, alunas do 3º ano do ensino médio também agiram a favor da conscientização para o descarte de eletrônicos. Focaram em baterias de celular e em pilhas ao desenvolverem o projeto Conscientização Social sobre o Descarte de Pilhas e Baterias. “Na cidade há cinco postos oficiais para o descarte de pilhas, mas apuramos que pouca gente sabia onde ficavam e não entendiam a importância de realmente utilizá-los”, disse Maria Eduarda Melli, 17 anos.

Com a ajuda de orientadores, as meninas dissecaram uma pilha, estudaram seus componentes químicos, prepararam uma amostra na escola onde estudam e, depois, disponibilizaram mais uma urna para descarte. “A nossa iniciativa foi bem recebida e tivemos a oportunidade de apresentá-la durante o Ciência na Praça, evento organizado pela Unesp e aberto a toda a população”, contou Cassiara Brumatti, 17. A urna da escola ainda não está cheia. “Começamos em outubro e tivemos uma período longo de férias. Estou confiante de que vai encher”, opina Giovanna.

Mobilidade em destaque

Pela primeira vez, estudantes da Fundação Bradesco foram finalistas da Febrace com aplicativos

Mesmo selecionando os participantes entre jovens estudantes dos ensinos fundamental, médio e técnico de todo o país –este ano foram 1.427 inscritos –, a Febrace tem atraído empresas que investem em softwares, aplicativos e soluções eletrônicas. Muitos dos projetos finalistas são produtos que têm potencial para, com mais investimento, serem desenvolvidos pelo mercado.

O projeto que levou ao aplicativo Vestibulando é um exemplo. No dia em que a reportagem do Instituto Claro esteve na feira, os estudantes Luana Alba, 18 anos, e Aurélio Peres, 18, de Osasco, aguardavam com certa ansiedade a visita de duas empresas de tecnologia que haviam agendado uma visita com o orientador do projeto, Luiz Francisco Teixeira.

No ano passado, Luana e Aurélio sentiram na pele a correria da vida de vestibulandos. Estudantes da Fundação Bradesco, tinham aulas pela manhã e à tarde e programas específicos de estudo para as diferentes universidades para as quais prestariam vestibular. “Organizar a vida é fundamental, temos um amigo que se confundiu com as datas do vestibular e perdeu a segunda fase da USP”, conta Aurélio.

Para melhorar a experiência, resolveram desenvolver o Vestibulando. O aplicativo torna o celular uma ferramenta de estudo, mas também uma agenda de datas e programas. Permite ainda que os usuários estudem por meio de quizzes –estes podem ser atualizados frequentemente em um banco de dados e recebidos via tecnologia RSS–, permite que leiam notícias sobre assuntos do seu interesse e que, por meio de alarmes, sejam avisados da proximidade das datas de inscrições e provas.

Visitante da Febrace se diverte com um dos games apresentados por estudantes de Brasília

No universo jovem da Febrace, os games têm, anualmente, presença garantida. De Brasília, um grupo de jovens trouxe o projeto Joia (Jogo Orientado e Indução ao Aprendizado), que ocupou a área de Ciências Exatas e da Terra da Febrace, onde outros 56 trabalhos também estavam abertos à visitação.

Um dos integrantes do grupo, Edson Henrique, 20 anos, ao realizar uma explanação para um grupo que encostou no seu estante, logo explicou: “Os alunos hoje chegam à sala de aula e não encontram nada parecido com o que eles vivenciam em casa, na casa dos colegas, pois a tecnologia não é contemplada pelos professores”, disse. Em seguida, Henrique destacou que os games que o grupo desenvolveu – dois deles estavam expostos na Febrace – visavam estimular o raciocínio lógico dos estudantes.

Os jogos contemplam a tecnologia 3D e são direcionados para o ensino fundamental. Tratam o conteúdo de forma lúdica e apresentam possibilidades que tornam a aprendizagem divertida para os estudantes. “Usar um game em sala pode ter muitas vantagens, mas precisa do envolvimento do professor, da continuidade das atividades. Caso contrário, o game realmente vira mera distração”, avalia criticamente.

ISEF e edição 2012

Os projetos eleitos pelos mais de 200 juízes selecionados pela organização da Febrace como os melhores da feira são classificados para a Intel Isef, a maior competição internacional de estudantes pré-universitários realizada anualmente nos EUA. Neste ano, acontecerá entre os dias 8 e 13 de maio, em Los Angeles. E os jovens pesquisadores que ainda não estão na Febrace já podem pensar em participar da feira, que vai comemorar seus dez anos entre os dias 13 e 15 de março de 2012. As inscrições começaram, mais informações no site do evento.

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