Além do público geral que foi até a Escola Politécnica da USP, no início deste mês, conferir a oitava edição da Febrace (Feira Brasileira de Ciência e Engenharia), que contou com 280 finalistas dentre 1.200 inscritos, uma equipe de jurados também esteve por lá.

 

 

A missão desse grupo era espinhosa: selecionar nove projetos para a Intel ISEF, a Feira Internacional de Ciências e Engenharia que, desde a década de 50, acontece anualmente nos Estados Unidos. A difícil tarefa foi realizada e os “vencedores” já correm contra o tempo para aperfeiçoar os trabalhos que serão exibidos em maio.

 

O Instituto Claro conversou com dois desses jovens inventores com o propósito de mostrar como se diferenciaram dos demais. Constatou que, em comum, além do talento para a ciência e a dedicação às pesquisas, os entrevistados desenvolveram projetos inéditos para as áreas de nutrição e meio ambiente. Validados pelos jurados como relevantes para problemas enfrentados pela sociedade contemporânea, agora essas soluções inovadoras irão representar o pais no exterior.

 

Aos 15 anos, o pernambucano Heitor Geraldo Santos se dedica desde os 13 ao projeto “Perfis Alimentares: Trabalhando com Educação Alimentar”. Foi numa aula de biologia, no colégio onde cursava o ensino básico, que ele se interessou por estudar a alimentação dos jovens.

 

“Eu já vinha buscando um tema para pesquisar e decidi investir nesse quando percebi que a escola poderia ter muita influência no processo de educação alimentar”, conta o garoto, que foi buscar orientação nas universidades.

 

“Eu sentia a necessidade de ir fundo, de me aproximar do discurso da universidade”, diz ele, sobre a orientação que desejava para desenvolver uma metodologia de intervenção alimentar.

 

Devido à experiência que já acumulou nesse tempo de muitas trocas com os orientadores, Heitor encoraja outros estudantes que ainda estão na escola a fazer o mesmo: “Eles me receberam muito bem, com todo o comprometimento”, diz referindo-se aos professores Fernando Zucoloto, do Departamento de Biologia da USP, e Emília Alencar, do Departamento de Nutrição da UFPE.

O caminho
Após analisar as dietas de um grupo de baixa renda e de um grupo da classe média em escolas particulares, o jovem pesquisador conseguiu identificar hábitos comuns a quem ocupa a faixa etária que vai dos 10 aos 19 anos. A partir daí se cercou de pesquisas, artigos, relatórios de nutrição. “Pesquisei muito na internet, no repositório online da USP e no Scielo. Esses ambientes foram muito importantes para o trabalho”, afirma Heitor.

 

Para fazer a relação da metodologia que buscava desenvolver com a escola como instituição capaz de potencializar os resultados, o adolescente se debruçou também sobre as teorias pedagógicas. Encontrou suporte no sócio-construtivismo.

 

“No meu trabalho, sugiro que é preciso construir o conhecimento coletivamente. O professor deve fornecer estruturas, mas essas devem ser consolidadas pelos alunos após questionamentos entre todos e debates. É preciso sair da relação quadro/caderno”, teoriza o jovem.

 

Heitor está finalizando a cartilha que reunirá todos os pontos que devem ser levantados pelo professor com os alunos visando a educação alimentar. A cartilha estará disponível na web, no site do projeto, e poderá ser baixada gratuitamente por qualquer um que se interessar.

 

“Hoje, como a maior parte das escolas têm computadores, é muito fácil ter acesso a essa cartilha”, explica o entusiasmado pesquisador, que continua com os dois pés dentro da universidade. Um dos próximos passos, de acordo com Heitor, é realizar oficinas com alunos do curso de graduação em Nutrição da UFPE para disseminar a sua metodologia. “Não deu para fazer antes da Febrace porque a universidade estava em férias.”

 

Ares renovados

 

Aluno do 1º ano do colégio Dante Alighieri, em São Paulo, Victor Thut, outro participante da Febrace 2010 com vaga garantida para a Intel ISEF, também atinou para o tema da sua pesquisa na sala de aula quando se deu conta dos prejuízos causados ao planeta pelo excesso de gás carbônico na atmosfera. Começou a “matutar” possíveis caminhos de “retirar” CO2 da atmosfera. Decidiu que buscaria uma solução doméstica. Algo que possibilitasse a cada residência participar da causa.

 

O objetivo pretensioso seria mais um dos que ele decidira perseguir no seu precoce papel de pesquisador. Como participante das oficinas de robótica que o colégio promovera tempos atrás, Victor já havia buscado outras metas com grau de dificuldade elevado.

Projeto que usa garrafas pet em novo método de tratamento de água é um dos destaques da Febrace

 

Quase um ano após o início do projeto “Fotobioreator para Absorção de Carbono”, o aluno já conseguiu retirar CO2 da atmosfera. Com lições de Biologia e Engenharia, todas na própria escola, o estudante conseguiu cultivar microorganismos com alta capacidade de reprodução, o que representa, na prática, mais fotossíntese e, consequentemente, menos gás carbônico no ambiente.

 

Para saber o quanto precisa “retirar” desse gás, o morador de uma residência precisaria investir na compra de um bioreator caseiro e programá-lo após calcular quanto gás carbônico é expelido naquele local. “Esse cálculo vai ser feito num aplicativo que estará disponível no site do projeto”, revela Victor.

 

Tanto o site quanto o bioreator ainda não estão disponíveis ao público. “Por enquanto cultivo os microorganismos em laboratório, com iluminação e temperatura controladas”, explica.

 

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