Toda terça e quinta-feira, a estudante do 1º ano do ensino médio Amanda sai da escola correndo. A aula termina às 12h20, ela pega dois ônibus até chegar em casa, no bairro Vila Padre Manoel da Nóbrega, em Campinas (SP). Já são por volta das 13h, quando ela almoça e continua apressada para conseguir estar a tempo no curso Repórter Comunidade, que inicia às 14h.
 
Quando Amanda Castro Batista se inscreveu para fazer o curso, não imaginava direito como seria. “Me falaram que fui escolhida para participar e já fiquei empolgada. Mas ao chegar lá e ver as câmeras, percebi que seria algo realmente bacana. Têm pessoas que enjoam de seus cursos, por causa da quantidade de lição ou por ser um curso muito sério. O Repórter é diferente disso e não tenho vontade de parar não”, conta animada. A jovem de 16 anos nunca faltou nas aulas e até foi premiada por isso. No dia do aniversário, ganho duas caixas de bombom. Geralmente os participantes do curso ganham apenas uma.
 
Ao trabalhar com a metodologia da educomunicação, o Repórter Comunidade utiliza as ferramentas de comunicação tendo como objetivo a educação e o desenvolvimento integral do ser humano. “Tudo a partir da prática, os jovens se envolvem com aquilo. E a educomunicação também trabalha com o conceito de mediação do conhecimento. Eles trazem suas experiências de vida, de sua comunidade, sua casa, e mediamos os temas problematizando-os”, conta a gestora do projeto NET Comunidade – onde acontece o curso –, Lúcia Caetano.
 
A ideia principal não é desenvolver um produto. “Não é apenas o vídeo pelo vídeo, tem um propósito, trabalhamos cidadania, direito à comunicação, olhar para a comunidade e o entorno onde está inserido, por meio da apropriação das linguagens de comunicação”, completa ela.
 
O Repórter Comunidade é dividido em quatro módulos (fotografia, jornalismo, vídeo e gestão de projetos). A partir do segundo semestre, os jovens já fizeram filmagens e Amanda diz estar muito animada com a produção de seu documentário. “Temos muita coisa para aprender. Mas se tivesse que escolher o que mais gostei, acho que seria o módulo de foto. Quando a câmera está parada lá no NET Comunidade já saio fazendo imagens. Até falarem para eu parar e prestar atenção na aula”, confessa ela, que até foi “contratada” para ser a fotógrafa do casamento do irmão.
 
Amanda diz que lembra como o primeiro dia no curso foi marcante. “Chegamos e ninguém se conhecia, mas em cinco minutos, todo mundo já estava rindo junto. Saímos para fazer um exercício com câmera e dividimos os equipamentos. Essa solidariedade foi interessante. Fizemos uma atividade de entrar na frente da câmera e falar como se chamava, um jeito mais original e divertido de se apresentar”, conta.
 
Agora, ela e os jovens que participam do Repórter estão finalizando o módulo de vídeo. “Vou ficar até o fim do curso. É uma oportunidade muito grande”, acredita. Para Amanda, aprender sobre diversas linguagens de comunicação tem feito diferença na sua vida, mais ainda depois que foi convidada para ter seu programa na Rádio Amarais (105,9 FM), uma rádio comunitária. “Comecei a realizar meu sonho que é ser locutora. Penso muito em trabalhar para ter mais independência financeira”, diz.
 
“Segunda tem Balada” é transmitido ao vivo às segundas-feiras, das 15h às 17h. “Colocamos esse nome, porque segunda-feira geralmente é um tédio, é um ‘dia cansado’, e todo mundo vai para a balada no fim de semana, então o programa é uma continuação disso.”
 
Amanda leva as músicas que seleciona em um pen drive, o estilo é “um pop mais eletrônico”, como ela mesma define. Também, conta que ainda está aprendendo a mexer na bancada de som, mas “na hora que começa o programa, abrem o microfone e é por mim mesma”. Até os comerciais é ela quem narra.
 
E o frio na barriga? “Claro que acontece toda vez que vou falar, apesar de estar tudo escrito no papel. Às vezes sai gaguejada a fala, mas logo em seguida o Marcos [educador do Repórter Comunidade] me liga e diz que está ótimo”, conta dando risada. Ela ainda participou de uma oficina pontual sobre rádio desenvolvida pelo NET Comunidade, o que também a ajudou na sua nova experiência na Amarais.
 
Veja abaixo vídeo produzido pelo NET Comunidade com depoimento da Amanda:
 

 
Sempre o rádio
Não é de hoje a paixão de Amanda pelo rádio. Quando estava no 6º e 7º ano do ensino fundamental, a diretora da EMEF Padre Francisco Silva, onde estudava, a chamou para colocar músicas na hora do intervalo das aulas.
 
Isso aconteceu após ela ajudar uma professora com as crianças que estavam aprendendo a ler. A educadora usava a rádio da escola, até então abandonado, para gravar os pequenos. “A professora tinha dificuldade em fazer as crianças falarem. Uma vez entrei no estúdio e comecei a brincar com elas e deu certo, consegui ajudá-las. Passei a trazer umas músicas e foi quando me apaixonei.”
 
Quando completar 18 anos, ela pretende fazer o curso de radialismo no Senai, e também já sabe o que vai prestar no vestibular: jornalismo. “Agora, para trabalhar em rádio não é obrigado ter o diploma, mas quero fazer por opção mesmo”, finaliza.
 

Amanda faz ao vivo o programa “Segunda tem
Balada” 
na Rádio Amarais


A jovem em atividade de fotografia no curso
Repórter Comunidade

 

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