Capa da edição 73 do Joca. Objetivo do jornal é tratar temas atuais sob o
olhar das crianças (Crédito: divulgação)

Um jornal impresso feito por e para crianças. Essa é a proposta do Joca – veículo idealizado pela empresária franco-alemã Stephanie Habrich, que passou a infância entre o Brasil e a França. Na Europa, Stephanie cresceu tendo contato com títulos voltados exclusivamente para os pequenos. “Na França, são aproximadamente 80 revistas e 10 jornais para esse público, realidade bastante diferente do Brasil”, conta ela.

Depois de sobreviver aos ataques às torres gêmeas no fatídico 11 de setembro de 2001, quando trabalhava em um banco alemão no quarto andar de um dos prédios, Stephanie se programou para voltar à São Paulo e realizar o sonho de abrir uma editora infanto-juvenil. Nascia, assim, a Magia de Ler, que publica as revistas Toca (para crianças de um a quatro anos),  Peteca (cinco a oito anos) além do Joca, que tem como público alvo os estudantes de sete a 14 anos.
 
Em pauta, temas como mundo, Brasil, esportes, cultura, entrevistas e tecnologia. “O Joca é a ponte entre a escola e o mundo. Os objetivos são despertar o interesse pela leitura de jornal e ser uma ferramenta para a formação de leitores com espírito crítico”, resume.
 
Mão na massa
O Joca tem tiragem quinzenal e pode ser assinado por pais ou pelas próprias escolas, que o utilizam como material pedagógico. “A entrega do jornal é feita no nome da criança, para criar um sentimento de pertencimento a essa literatura que é voltada para ela”, explica a idealizadora.
 
Veja também:
 
Nas escolas que trabalham com o Joca, os editores oferecem treinamento para professores sobre como utilizar o jornal em sala de aula e oficinas para as crianças, que entendem o processo de produção de um veículo impresso e aprendem a produzir conteúdo para o jornal. “Explicamos como funciona uma reunião de pauta, o que são matérias frias e quentes. Além disso, perguntamos o que eles querem ver no jornal. Nesse momento, percebemos o quanto o repertório das crianças ainda é pequeno”, destaca. 
 
A realidade, contudo, está mudando. Um estudo realizado de forma independente pela Planète D’Entrepreneurs, organização francesa que avalia negócios de impacto social pelo mundo, avaliou alunos do 4° e 5° ano do ensino fundamental que liam e que não liam o Joca.
 
Quando questionados sobre as últimas notícias que lhes chamaram a atenção, o estudo apontou que 26% dos leitores do Joca se atentaram a ciências, tecnologia e finanças, enquanto apenas 2% dos jovens do grupo de controle se interessou por esses temas. Além disso, 39% dos jovens que não têm acesso ao Joca citaram matérias envolvendo violência, celebridades e entretenimento de massa, enquanto apenas 14% dos leitores do Joca mencionaram esses assuntos. “Somente em relação às notícias de crimes e violência, a proporção foi nove vezes maior entre os não leitores”, pontua Stephanie.
 
Portal de notícias
Atualmente, o Joca tem uma versão para web e planos para migrar para aplicativos. Apesar da diversidade de conteúdos, o foco principal continua sendo o jornalismo impresso. “O objetivo é dar, pelo jornal, uma base de leitura para as crianças. Muitas, ao abrirem o jornal pela primeira vez, se confundem ao perceberem que ele não tem grampo. Não são familiarizados com essa mídia”, conta a empresária. “Além disso, é uma faixa etária que ainda depende bastante do professor. Em sala de aula, eles recortam e colam o Joca e fazem atividades que necessitam do papel”, finaliza.  
 
Em oficinas, editores do Joca ensinam crianças de
escolas públicas e particulares a escreverem
para o jornal (Crédito: divulgação)
 
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