A Física é uma das disciplinas do ensino médio que mais afligem os alunos. Uma das principais razões para isso é a dificuldade de muitos estudantes em relacionar suas leis e fenômenos com o cotidiano. E o pior: muitos acreditam que a Física se resume a um conjunto de fórmulas que precisa apenas ser memorizado.

Contra essa corrente, o projeto “A Física e o Cotidiano”, da Secretaria Estadual de Educação da Bahia, busca desmistificar essa visão distorcida da disciplina, trazendo os fenômenos da Física mais para perto do dia a dia do estudante por meio da tecnologia digital e da Internet. O programa venceu o edital do Ministério da Educação ao final de 2008 para desenvolver conteúdo digital específico para a disciplina, e posicionou a Bahia como um dos principais estados do país produtores de conteúdo para o ensino público na internet. O programa pode ser acessado por meio do endereço http://ambiente.educacao.ba.gov.br/

Para fazer dos fenômenos físicos algo mais palpável aos alunos, o projeto usa a cultura e paisagem regionais não somente como pano de fundo para as animações, vídeos, jogos e áudios que podem ser baixados, mas também como proposta pedagógica para os exercícios.

“Em um dos experimentos educacionais, por exemplo, a idéia é construir um fogão solar, algo que poderia ser utilizado em qualquer região da Bahia e do Nordeste. Em outro, o aluno assimila os conceitos da refração da luz por meio do fenômeno do arco-íris”, diz Alfredo Matta, professor de Tecnologia da Informação da Universidade Estadual da Bahia e um dos idealizadores do “A Física e o Cotidiano”.

O programa foi desenvolvido por uma equipe de seis professores e educadores da Secretaria e é composto por quatro ambientes diferentes: um repositório de informações, onde está o conteúdo da matéria; os ambientes de aprendizagem; os sistemas de apoio – como textos para a leitura e guias pedagógicos; e uma rede social, para troca de informações. Atualmente, professores e alunos, não só da Bahia mas de todo o país, podem baixar gratuitamente 20 objetos virtuais – entre animações que reproduzem experimentos laboratoriais, vídeos e áudios – sobre diversos campos da Física (mecânica, óptica, ondas, gravitação etc). “A meta é ter até o final de julho 97 objetos disponíveis, entre eles jogos em RPG. Serão ao todo 11 objetos audiovisuais; 13 áudio-webs; 30 experimentos educacionais em laboratórios virtuais (animação) e 43 softwares educacionais”, diz Matta.

O número de visitações tem refletido a boa aceitação do programa. Segundo Matta, são cerca de 20 mil ao dia, e existem objetos que foram baixados mais de 400 vezes. A Secretaria estima que cerca de 70% da rede de ensino da Bahia já esteja usufruindo do programa em seus laboratórios de informática. “O projeto foi desenvolvido para ser autoexplicativo. Mesmo assim a Secretaria também vai desenvolver um curso para ajudar os professores da rede a tirarem o melhor proveito do conteúdo digital”, diz.

O professor de física Alex Vieira dos Santos, do colégio Luiz Pinto de Carvalho, em Salvador (BA), já adotou o “A Física e o Cotidiano” em seus planos de aula. “O material é rico e tem muita qualidade. O importante é ter em mente que a tecnologia não é a aula, mas sim um instrumento que pode potencializar a relação ensino/aprendizado”. Para Vieira, a inserção da tecnologia digital no plano de aula funciona melhor se obedecer a um planejamento anual, de acordo com o programa pedagógico da escola. “Usar os objetos virtuais de forma aleatória pode não ser produtivo. O aluno precisa de orientação”. Os conteúdos criados pelo projeto estão também disponíveis no Portal do Professor, do Ministério da Educação.

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