Realizada anualmente, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) reúne projetos de alunos do ensino fundamental, médio e técnico do Brasil inteiro. 2010 marca a oitava edição do evento, que é organizado pelo Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da USP e, este ano, conta com o patrocínio do Instituto Claro.

 

Estudantes e pesquisadoras, Camila Léda, Beatriz Gonçalves e Layla Adriane apresentam trabalho em feira de ciências da Escola Santa Teresinha, em Imperatriz (MA)

 

Com realização entre os dias 9 e 13 de março, a Febrace terá apresentações de 280 projetos, escolhidos entre mais de 1.200 inscritos. Entre os finalistas, uma parte significativa envolve temas de relacionados à educação e à tecnologia.

 

Os jovens que participam da feira serão os estudantes universitários dos próximos anos, o que sugere boas novas para a educação do país no futuro: “Tivemos mais de 100 avaliadores na primeira fase, que fizeram grandes elogios aos projetos. Não só pela crescente quantidade de inscritos, mas sim por um aumento de profundidade. Há idéias excelentes e originais, que devem ser levadas adiante”, diz Roseli de Deus, coordenadora geral da feira.

 

A tecnologia está presente em quase todos os projetos, como objeto de estudo, como meio de registrar a experiência ou como a maneira natural de viabilizar o trabalho. Os jovens estão imersos na cultura tecnológica, e isso se reflete na escola. “A juventude de hoje é bastante receptiva e curiosa. Essa garotada especial e protagonista só precisa encontrar professores especiais, que não estejam preocupados em apenas utilizar a tecnologia, mas sim em modificá-la para nossa vida, em desenvolver soluções para os nossos problemas cotidianos”, afirma Roseli.

“Influência Digital”, sobre o projeto das estudantes maranhenses

 

Ao longo da história da Febrace, vários projetos interessantes para educação já foram apresentados, alguns deles envolvendo celulares e outros dispositivos móveis. Este ano, por exemplo, alunos de uma escola maranhense inscreveram “A influência do uso da câmera fotográfica digital no comportamento e aprendizagem dos estudantes adolescentes de Imperatriz”, um dos trabalhos finalistas.

 

“Percebemos que o uso dessa ferramenta, apesar de amplo, raramente é voltado para a aprendizagem, se limitando à diversão. Então resolvemos desenvolver um trabalho que direcionasse o uso da câmera fotográfica nas escolas para a aprendizagem, aproveitando uma temática de interesse do adolescente”, diz Camila Bezerra Arruda Léda, uma das três jovens pesquisadoras que fizeram o projeto.

 

Por meio de uma pesquisa com alunos e professores de dez instituições de ensino da cidade de Imperatriz, entrevistas com especialistas e enquetes, o grupo expôs os pontos negativos – educacionais e comportamentais – do uso aleatório das tecnologias nas escolas. O trabalho ressalta a necessidade de uma orientação para que os aparelhos eletrônicos sejam usados a favor do processo de ensino-aprendizagem, proporcionando inúmeros benefícios a ele. Camila conta que o tema enfrentou dificuldades de aceitação, principalmente em virtude da visão ainda conservadora de muitos educadores. “Alguns adultos nos diziam que só um trabalho na área de engenharia ou saúde poderia fazer a diferença em feiras científicas. Mas isso nos impulsionou ainda mais. Acreditamos que, em todas as áreas do conhecimento, a tecnologia é fundamental para que aconteçam avanços. O celular, a câmera e outros eletrônicos podem e devem ser usados a favor da educação. A feira é uma oportunidade para mostrarmos às outras regiões do país que os eletrônicos são aliados na escola, não meros fatores de indisciplina e distração”, diz.

 

Outro projeto que chama atenção entre os finalistas não envolve tecnologias muito avançadas, tampouco precisa de grandes investimentos. Mas traz pontos essenciais para o sucesso de qualquer empreedimento científico: observação de um problema e busca de soluções. Realizado por quatro alunos da ETEC de São Roque (SP), o projeto “Crescendo com a tecnologia” surgiu da falta de um laboratório para aulas práticas do curso técnico em informática. “Em nossa escola não há um laboratório específico para fazermos instalação e manutenção de computadores. Nossa professora orientadora sugeriu de fôssemos atrás de um lugar onde pudéssemos fazer uma troca de aprendizagem”, conta a aluna Jéssica de Andrade. Com o incentivo, ela e seus colegas encontraram um laboratório desativado, usado como depósito, em uma instituição da região, a escola Zenith Rocha Oliani, voltada para alunos com necessidades especiais.

Projeto “Crescendo com a Tecnologia”, que evoluiu de uma necessidade educacional para a inclusão social

 

Ludimila Azevedo lembra que a montagem do laboratório foi difícil, pois as máquinas eram bem antigas. “Conseguimos, com muito esforço e, no primeiro semestre de 2009 começamos a realizar aulas práticas lá. Então sentimos a necessidade de nos doarmos um pouquinho mais”. Por iniciativa própria, os jovens ampliaram o projeto, acrescentando aulas de informática básica para alguns alunos da escola. Assim, todos ganham: uns por praticarem o que aprendem nas aulas, outros por descobrirem como se usa o Word, o Paint e outros aplicativos simples. “Essas pessoas têm necessidades especiais, mas podem ser inseridas no mercado de trabalho, só precisam de capacitação. Como orientadora e educadora, é muito gratificante ver que consegui passar para meus alunos não apenas a parte técnica, mas também a importância da responsabilidade social. Eu plantei uma sementinha e eles cultivaram, cresceram como cidadãos. A tecnologia pode unir as pessoas”, diz a professora Kênia da Silva.

 

Estreantes na Febrace, os dois grupos estão se preparando, com grandes expectativas. A partir do dia 9, durante três dias, a feira proporcionará um momento essencial, no qual finalistas, visitantes e especialistas estarão reunidos. É a chance presencial para todos se conhecerem e exporem suas idéias. “Mais importante que a inovação tecnológica em si, são os jovens, cheios de potencial. Além das premiações disponibilizadas pelos organizadores, incluindo 15 viagens para os Estados Unidos, surgem outras oportunidades. Por exemplo, empresas privadas podem se interessar por algum projeto, oferecer laboratórios e a oportunidade de continuar os trabalhos”, diz Roseli. Para incentivar a realização de projetos como esses, a coordenadora ressalta a necessidade de uma mudança de postura dentro das escolas. “As novas tecnologias têm poder de aproximação, só é necessário criar situações para isso na sala de aula. O professor precisa ser um mediador, um provocador. Ele não precisa mais ter todas as respostas, mas sim estimular os alunos a encontrá-las”, afirma.

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