Em um cenário onde milhões de pessoas são excluídas do acesso a bens e serviços, alguns projetos se destacam por conseguirem impactar positivamente em suas comunidades. Muitas vezes frutos da iniciativa de pequenos grupos, conseguem seu objetivo ao articularem com a sociedade e permitirem que as pessoas desenvolvam suas competências e a autoestima. Nesse cenário, iniciativas que se valem das TICs (tecnologias de informação e comunicação) têm conseguido se reproduzir em escala, ampliando ainda mais o potencial de transformação local.

Divulgação

Jovens em aula da cooperativa Pirambu Digital

Outra característica marcante das iniciativas bem-sucedidas é a capacidade de se autossustentarem, ou seja, o potencial para que o projeto cresça e se mantenha. Um bom exemplo disso é a cooperativa Pirambu Digital, no Ceará. Fundada em 2006 por 54 jovens, a organização atende hoje mais de 600 pessoas por ano, mobilizando voluntários, parceiros e alunos em atividades de inclusão digital. A organização oferece reforço escolar, atividades esportivas e culturais, além de cursos de informática e uma biblioteca integrada à LAN house.

Jocilda dos Santos, diretora-presidente da cooperativa, conta que tudo começou com um curso técnico de informática ministrado na região. A partir dessa formação inicial, alguns participantes vislumbraram a oportunidade de criar uma empresa e levar para a comunidade o que tinham aprendido.

Mas não foi um caminho fácil. Jocilda destaca que, na época, a maioria tinha entre 18 e 20 anos e nenhuma experiência profissional na área. “Passamos três meses definindo o que seriam nossos serviços e atuações. Durante esse período, não tínhamos fonte de renda e muitos desistiram”, conta.

A história começou a mudar quando a cooperativa conquistou seus primeiros clientes e passou a receber pelos serviços prestados. Um deles, por exemplo, foi o desenvolvimento do Sistema de Controle de Finanças da Prefeitura de Fortaleza. A empresa tem desde um polo de desenvolvimento de softwares até um centro de negócios e administração, que oferece soluções para gerência e captação de negócios. Com cinco anos, já se estabeleceu e ajuda a financiar projetos sociais da Pirambu Digital. Jocilda destaca também a importância das parcerias firmadas com instituições locais, como uma faculdade que oferece bolsas de estudo para alguns cooperados se capacitarem ainda mais.

Prêmio Instituto Claro recebe projetos que inovam na comunidade

O Prêmio Instituto Claro apoia projetos que utilizam as TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) para inovar na aprendizagem como forma de alcançar o desenvolvimento humano e social.São duas modalidades: “Inovar na Escola” e “Inovar na Comunidade”. Esta segunda irá contemplar ações que possam impactar positivamente contextos educacionais não formais. As inscrições vão até o dia 09 de agosto. São R$ 150 mil e cursos no Senac em prêmios.Na página especial do Prêmio, você encontra todas as informações e ainda um infográfico com dicas de como estruturar um projeto na hora de colocá-lo no papel.

De aluno a professor

Leandro e Francisco se formaram na Aldeia do Futuro e hoje dão aulas

Na Aldeia do Futuro, na zona sul de São Paulo, dois jovens encontraram suas vocações em oficinas de audiovisual e hoje dão aula para mais de 50 alunos da região de Americanópolis. Fundada em 1993 por empresários, um dos projetos da instituição, que atende anualmente 1.200 pessoas, é o Núcleo de Comunicação, que forma jovens empreendedores para trabalharem com vídeo, fotografia e outras mídias. Nessas oficinas, Leandro da Costa, 22 anos, e Francisco Lima, 24, tiveram o primeiro contato com o mundo do audiovisual.

Mais de cinco anos depois, os dois voltaram para a instituição como professores convidados para ministrarem o mesmo curso em que se formaram. “Depois de ficar quase um ano e meio nos cursos da Aldeia do Futuro, encontrei um emprego em uma produtora com a ajuda da ONG. Outros alunos daqui também partem para atuar nessa área, e é bom poder trazer essa experiência para outros jovens”, afirma Francisco.

O núcleo se estrutura a partir dos alunos mais experientes das aulas de audiovisual. Empresas parceiras contratam os serviços desses jovens, alunos e ex-alunos que recebem por projeto. O “lucro” é investido na estrutura e na manutenção da própria ONG. O modelo, semelhante ao da cooperativa Pirambu Digital, foi bem-sucedido e hoje a produtora do Núcleo de Comunicação tem outros clientes privados, além dos eventuais parceiros.

“Quando começamos, tínhamos somente uma ilha de edição e algumas câmeras. Hoje já são quatro ilhas, equipamentos diversos para iluminação, captação e mais câmeras”, afirma Leandro, que também passou por outras produtoras e cursa publicidade. Ele diz que procura trazer conhecimentos e práticas de seu curso para o universo dos alunos.

Os dois educadores afirmam que o fato de terem se formados ali, no mesmo lugar em que hoje dão aula, coloca-os mais próximos da realidade dos alunos. Além da capacitação em diversos aspectos do audiovisual, como roteiro, câmera, iluminação e edição, eles afirmam que a formação de cidadãos é uma preocupação constante nas oficinas. O próprio conceito delas privilegia esse aspecto, e temas atuais como o bullying são tratados de forma divertida e prática, como no vídeo abaixo:

 

https://youtu.be/miJ1C_XbcqY

 

Maria Teresa Arvelos, uma das coordenadoras da Aldeia do Futuro, é responsável pela inserção dos jovens no mercado de trabalho e afirma que cerca de 60% dos participantes das oficinas conseguem atuar na área. “No dia da apresentação dos TCCs dos alunos dos cursos, ex-alunos que já estão no mercado vêm conferir, dar apoio e quem sabe ajudar na busca por um emprego.”

Seja no Ceará ou em São Paulo, os resultados vão muito além de uma realidade local. Dados divulgados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) neste ano mostram que a cada R$ 1 investido em educação, R$ 1,85 retornam para o PIB nacional. O levantamento foi feito a partir do investimento público, mas evidenciam mais uma vez a importância da educação para o desenvolvimento de uma região.

Projetos especiais da Pirambu Digital

Além de projetos culturais e esportivos, duas iniciativas da cooperativa merecem destaque. Uma delas, o Bila (Biblioteca Integrada à LAN house), incentiva a leitura de forma simples: a cada hora de leitura, o jovem tem acesso a uma hora de internet na lan-house da Pirambu Digital. A outra é o Condomínio Virtual:  por meio de parcerias, a cooperativa oferece internet a R$25 para moradores no bairro. No podcast abaixo, Jocilda dos Santos explica como funciona este projeto:

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Talvez Você Também Goste

13 dicas para criar uma peça de teatro com os alunos

Professores recomendam trabalhar com jogos, improvisações, literatura e música no processo criativo

Como ensinar ginástica na educação física escolar?

Professoras indicam 8 possibilidades para desenvolver com alunos do ensino fundamental

11 formas de acolher o aluno com síndrome de Tourette

Ambiente inclusivo evita que estudantes sofram com bullying e dificuldades de aprendizagem

Receba NossasNovidades

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.