Copa do Mundo é futebol, festa, torcida. Além de Jabulani e vuvuzelas, o evento deste ano trouxe novidades interessantes. Muitas delas, com o auxílio da tecnologia, são ótimas ferramentas para utilizar na educação. Infográficos e animações disponibilizados na web fazem da Copa também uma chance de aprendizado. Com a ajuda de especialistas, o Instituto Claro fez uma seleção de sites interativos que podem ser usados em sala para potencializar o processo de ensino-aprendizagem.

 

Professor de Geografia e editor de livros didáticos, Gustavo Nagib fala de sua própria experiência: “A Copa pode render diversos temas às minhas aulas, como: sentimento nacional, identidade cultural, políticas voltadas para o esporte, economia global, globalização da cultura, geografia do turismo etc”. Para Nagib, o infográfico “Caminho da Taça“, por exemplo, é bem apropriado para aulas de Geografia. Ele mostra o caminho do troféu do mundial, em uma jornada por 86 países iniciada em 2009. São apresentadas as principais características – como área, população e clima – das cidades por onde a taça passou e ainda vai passar.

 

 

Já o “Guia da África do Sul“, do site UOL, traz diversas informações sobre o país sede do campeonato, divididas em nove categorias: cultura; esportes; idiomas; gastronomia; lazer; economia e geografia; política e história; religião; e curiosidades. “Este é a Disneylândia dos infográficos relacionados à Copa. Ele aborda várias questões interessantes sobre a África do Sul, como a influência inglesa na cultura local. Você sabia que a maior cratera do planeta fica lá? É um infográfico com bastante potencial para um trabalho interdisciplinar”, diz Guilherme Erwin Hartung, professor de física e matemática.

 

 

Outra ferramenta que chama sua atenção é a “História das Copas“, também do UOL. Nele, o usuário escolhe duas seleções e compara seus desempenhos em mundiais. São apresentados números de jogos, de cartões amarelos e vermelhos, de finais disputadas, e muitos outros dados, com o auxílio de tabelas e gráficos. Para Guilherme, “ele pode ser usado na aula de matemática quando o assunto é estatística e interpretação de gráficos. Podemos utilizá-lo para trabalhar os conceitos de função crescente, decrescente e linear, por exemplo”.

 

Um infográfico bem divertido, que chama atenção principalmente das crianças menores, é o “Mascotes de todas as Copas“, mostrando os personagens que representaram os países sede dos mundiais, desde 1966. Como o desenho sempre busca simbolizar o local por uma característica – como fauna, flora, culinária, cultura etc -, a ferramenta pode render bons trabalhos interdisciplinares. Guilherme sugere uma atividade: “é bacana correlacionar o desenho da mascote com a linha do tempo (ano da copa) e as características do país. Um belo trabalho de educação artística, geografia e história”.

 

Por último, temos “2010 será a primeira Copa multimídia”, que analisa a evolução dos meios de comunicação. O torneio deste ano tem transmissão digital, e muitos espectadores acompanham as partidas por televisores modernos, além de celulares e computadores capazes de exibi-las. Separadas por datas, são descritas as principais inovações na transmissão dos jogos durante os anos. “Com essa ferramenta, dá para fazer uma profunda análise de como a comunicação afeta nossas vidas e de como a Copa pode ser uma alavanca para as novas tecnologias. As TVs 3D prometem ser um marco, mas no próximo mundial”, diz Guilherme.

 

 

Cuidados importantes

Gustavo Nagib percebe que, atualmente, os infográficos são recursos bastante utilizados pelos meios de comunicação. Objetivos e didáticos, eles servem para aprofundar o tema discutido e proporcionam uma interação prazerosa aos alunos. “Entre aqueles que podem agregar valor às aulas, destaco os que relacionam questões políticas ao país sede da Copa, apresentando um retrato cultural e político da história da África do Sul; aqueles que discutem rivalidades político-ideológicas entre os países que se enfrentarão em campo; os que trazem uma retrospectiva de Copas passadas, como meio eficiente de reproduzir momentos distintos da História Contemporânea; os que utilizam os mascotes das Copas passadas para, de maneira lúdica, captar a atenção dos alunos e chamar a atenção para a diferenciação entre o que é estereótipo do que é identidade nacional”, diz.

 

Os professores devem ter cuidado ao usar os links, para evitar a intensificação de estereótipos e preconceitos. Brasil não é simplesmente o país do futebol, na Alemanha não são todos loiros de olhos azuis, e a fauna da África não tem apenas elefantes e zebras. Os sites podem ser usados em sala de aula como forma de ultrapassar visões generalizantes, ou até mesmo para analisar o tratamento que a imprensa dá aos países. “Há diversas ferramentas interessantes, mas como elas se tornam algo relevante no estudo cultural e não na construção de estereótipos? Educação é muito mais do que informação. É ampliação. É ver a cultura nova como uma diversidade, sem perfis pré-montados, e isso só se consegue com projetos. O material divulgado na imprensa e na internet tem conteúdo e pode despertar a curiosidade dos alunos, mas educar é muito mais. Exige um trabalho de discussão complexo, para o qual esses infográficos podem servir como ponto de partida”, conclui Paula Carolei, coordenadora do curso de pós-graduação em tecnologias na aprendizagem do SENAC-SP.

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