“Nós, professores, estamos acostumados a que o mundo chegue até nós”, afirmou o professor George Siemens, do Canadá, em sua conferência ‘Pensando a Mudança: a Aprendizagem nos próximos 50 anos’, em 5 de abril, último dia da Interdidática. Ele propôs uma participação mais ativa dos professores para que o novo modelo de educação reflita o que eles querem das mudanças que acontecem no mundo.

“O futuro está se tornando muito complexo: vivemos uma grande crise econômica, com o aquecimento global, o crescimento populacional e epidemias”. Para entender esse futuro, o professor defende que a melhor maneira é participar dele, é vivenciar o momento atual que trará mudanças fundamentais na sociedade.

No campo da educação, embora haja um valor na presença humana e seja preciso conhecer os alunos, o espaço físico deixou de ter a importância que já teve. As escolas e os alunos, afirma Siemens, parecem prescindir cada vez mais da presença do professor em sala de aula. E a pergunta que mais o preocupa é a que questiona qual será então o papel do educador.

Para o palestrante, o professor deixará de ser o detentor da resposta certa para desenvolver com os alunos uma gama de respostas que podem vir a serem consideradas hipóteses corretas num futuro. “A estrutura linear atual restringe a criatividade. A educação passará a ser em rede”, analisa.

Os professores também terão como função ensinar as crianças a interagir com o meio tecnológico para que elas mesmas possam fazer suas pesquisas experimentais. A boa formação do aluno não dependerá apenas do professor e é o aluno quem vai escolher o que quer aprender.

Ele conta que no Reino Unido a aprendizagem já começa a acontecer também em “centros comunitários”, para onde o aluno vai quando quer para aprender o que quiser. Outra experiência interessante aconteceu em uma biblioteca em Montreal, no Canadá, onde em uma manhã de domingo, havia mais de cem pessoas esperando em fila para entrar. Isso porque a biblioteca, equipada também com vídeos, videogames e CDs, era um espaço social, em que os usuários podiam interagir e receber as informações e os entretenimentos que buscavam.

“Não vamos largar as pessoas no vazio. Vamos oferecer uma estrutura de apoio para garantir que elas consigam o que querem”, disse ele, para quem continuaremos a ter salas de aula, “só que com mais tecnologia”.

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