Luciana tem 17 anos e está animadíssima com a cobertura “show de bola” que está fazendo da Festa Literária Internacional que acontece em sua cidade, Paraty. Para ela, a sétima edição da FLIP está muito mais agitada, cheia de coisas para fazer. Ela passa os dias pelas ruas, registrando tudo o que lhe interessa com um celular que grava vídeo e tira fotos. 


Para Suelen,15 anos, “realmente estava faltando isso para os adolescentes”. Ela também está gostando muito da experiência proporcionada pela FlipZona, o braço da FLIP que surgiu com a intenção de fazer uma atividade para os jovens, considerando a FLIP voltada para o público adulto e a Flipinha, para o infantil. Na hora de abordar seus entrevistados ela deixa a vergonha de lado e pergunta logo sobre o que está certo e o que está errado no evento, quer revelar as críticas, opiniões de gente importante, polêmicas. E ela considera muito importante o que está fazendo: “mostrando o que acontece na FLIP para quem não está na FLIP”.


Confira a produção dos estudantes da FlipZona

 

 

 

 


Mateus, também com 15 anos de idade, conta com orgulho que o blog da FlipZona está sendo mais visitado que o da FLIP: “É por causa da divulgação que fazemos entre os nossos amigos”, explica. A entrevista mais interessante que realizou “foi com um cara que estava fazendo um protesto durante a FLIP, um protesto sobre o meio ambiente”.

 

Sérgio Zeigler, coordenador da oficina de blogs da FlipZona diz que “tiveram a ideia de criar um blog para fazer uma cobertura extra-oficial da FLIP: uma cobertura oficial da FlipZona feita pelos próprios jovens. Então resolvemos transformar isso em uma oficina de 15 ou 20 jovens, munidos de um celular que grava vídeo e foto. Nos decidimos por uma coisa muito livre, aberta e pouco teórica. Abrimos um blog, um Twitter, um canal no Flickr, um canal no Youtube e eles vão postando. À medida que eles saem para as ruas e trazem coisas que eles mesmos acham interessantes, a gente vai ensinando e encaminhando para que eles coloquem aquilo disposto dentro do blog da melhor maneira”.

 

O primeiro dia de postagem de conteúdo no blog da FlipZona foi, efetivamente, na última quinta-feira. Isso porque foi necessário um aquecimento para os jovens conhecerem e entenderem a linguagem e se acostumarem com o celular, para a organização resolver problemas técnicos de compatibilidade do celular com os computadores, montar a internet etc. Além disso, as atividades de cobertura da FLIP foram conciliadas com as aulas e provas dos jovens estudantes de escolas públicas e privadas de Paraty.

 

“Um dos objetivos da oficina de blogs é fazer com que esses jovens se habituem e tenham contato com essas ferramentas de comunicação e possam usá-las do jeito que eles quiserem na vida deles”, afirmou Sérgio Zeigler. De tudo o que experimentou até agora na FlipZona, o que Suelen mais gostou de fazer foi gravar entrevistas em vídeo, “apesar desses vídeos não terem ficado tão bons, pois deixei o celular muito longe da pessoa e o áudio ficou muito baixo”, conta. Luciana, que não tem internet em casa, nunca tinha ouvido falar em Twitter e adorou a rapidez e a possibilidade de ser lida por tantas pessoas ao mesmo tempo “e também tem aquele negócio, não lembro o nome, que a gente pode ajustar a cor da foto para ficar bonita como a gente quer”.

 

Para Sérgio Zeigler, essas ferramentas são excelentes por permitirem aos jovens entrar em contato com essa festa de uma outra maneira, buscando um olhar pessoal e alcançando visibilidade, pois o que eles produzem vai para o ar e é visto. “O importante é aproximá-los de um mundo de comunicação e de diálogo com a cultura, que é o que eles têm efetivamente aqui. É coloca-los em contato com o universo da FLIP que não é só uma feira de livros, é uma festa literária, que permite encontrar pessoas, dialogar, se comunicar.”



O rico olhar local
Outra característica importante do trabalho desenvolvido pela Central FlipZona de Produção (onde os jovens produzem conteúdo para o blog da FlipZona) e apoiado pela oficina de blogs é a ideia de estimular a busca pelo significado da FLIP para Paraty, o olhar do jovem morador da cidade sobre o evento como um todo, sobre a FLIP enquanto um acontecimento ali.

 

Neste primeiro ano, a FlipZona conta ainda com oficinas de videogames, animação e grafite, das quais participam 200 jovens de escolas publicas e privadas de Paraty. Traz temas como fotografia digital, design gráfico, cinema, mídias e comunicação por meio de bate-papo com autores e profissionais da área, como Marcelo Tas. Cristina Maseda, do núcleo de educação da Associação Casa Azul, que produz a FLIP, garante que a FlipZona surge não só como um evento de cinco dias, mas para ser um programa que dure o ano inteiro.

 

Vídeos interessantes


A produção dos alunos feita com câmeras e celulares está disponível no Youtube, neste endereço: https://www.youtube.com/user/flipfestaliteraria. Confira, abaixo, em um dos vídeos disponíveis, trecho de um debate entre os escritores Chico Buarque e Milton Hatoum.

https://youtu.be/3QhxQX3qNsA

 

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