Um projeto desenvolvido por estudantes de Física da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, busca melhorar a formação de professores na área. O trabalho está atrelado à experimentação e ao uso de novas ferramentas que permitam aulas mais dinâmicas e fujam do esquema de fórmulas e exercícios na lousa adotado na maioria das escolas.

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Temas inovadores e interdisciplinaridade são alguns dos
diferenciais do “Iniciação à Docência em Física”

 

Denominado “Iniciação à Docência em Física”, o projeto foi o vencedor do Prêmio Instituto Claro – Novas Formas de Aprender na Modalidade Pesquisa, categoria Graduação / Curso técnico. Os problemas na formação de professores e o estereótipo negativo que a profissão possui têm afastado muitos alunos desta carreira, segundo os responsáveis pela iniciativa, que buscam mudar este cenário.

 

O trabalho começou em uma iniciação científica realizada por um grupo de quatro alunos do curso de licenciatura em Física da UFMT. Thomas de Oliveira, 22 anos, que está no 8º semestre, foi quem montou o projeto. A ideia desde o princípio era melhorar a própria formação, já que, segundo Thomas, as aulas na universidade prezam muito o tecnicismo, faltando conteúdos específicos da disciplina, além de reflexão e metodologias de ensino. Junto a isso, a opinião dos alunos é de que a carreira de professor como um todo tem sua imagem manchada e os estudantes do Ensino Médio hoje teriam medo de investir nesta ocupação; para combater esse fato, era necessária uma aproximação entre cursos de Física e ensino de base.

 

O trabalho é desenvolvido em oficinas extracurriculares realizadas em duas escolas de Cuiabá que abraçaram o projeto. Nessas oficinas, o grupo de quatro jovens vem experimentando novos métodos para o aprendizado de Física, sempre levantando conteúdos extras, que não fazem parte, necessariamente, da grade curricular do Ensino Médio. Paralelamente, professores que acompanham a iniciativa cedem espaço de suas aulas para que essas atividades sejam realizadas dentro da rotina escolar.

 

Cinco frentes: das novas abordagens ao uso de tecnologias
Os jovens físicos apostam em cinco frentes para o seu projeto. Primeiro, a inovação nos temas. Para eles, Física Quântica e Física no meio ambiente são exemplos de assuntos que tornariam a disciplina mais atrativa. A intenção é divulgar a Física do século XXI, introduzindo novas perspectivas e permitindo um contato inicial com essas temáticas consideradas difíceis.

 

A ideia também é trabalhar conteúdos interdisciplinares, considerando a importância e o formato do Novo Enem. Assim, a Física, que muitas vezes nas escolas é traduzida em conceitos matemáticos, ignorando-se seus aspectos mais particulares, seria melhor aproveitada.

 

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Projeto concilia as atividades dos participantes
com seus trabalhos dentro da universidade

 

Pretende-se ainda alterar a situação apontada por levantamentos feitos em escolas do Mato Grosso, nos quais o curso de Física aparece nos últimos lugares como possível graduação a ser feita. Para isso, vêm sendo promovidas visitas de alunos do Ensino Médio ao ambiente universitário da UFMT.

 

Por outro lado, o projeto contempla dois pontos diretamente relacionados à formação em Física. O primeiro, visando a melhorias na licenciatura, concilia as atividades desenvolvidas pelos participantes ao seu trabalho dentro da universidade. Durante o curso, eles desenvolvem material didático que é utilizado nas oficinas extracurriculares. “Assim, promovemos aulas mais dinâmicas dentro da faculdade”, conta Thomas.

 

A outra frente acontece na produção de ferramentas que auxiliem tanto na formação do professor de Física como no contato com os alunos do ensino básico. É aí que a tecnologia entra, acelerando o aprendizado e tornando-o mais interessante. A internet funciona como elo entre professores, que podem buscar informações, discutir em fóruns e compartilhar conhecimento nesse tipo de espaço – além de atrair alunos para os debates.

 

O projeto, que começou em dezembro de 2008 e está previsto para terminar no final de 2010, faz uso de um blog para divulgar informações, novas idéias e resultados das oficinas. Programas de computador para a iniciação na disciplina também estão sendo desenvolvidos. Thomas justifica: “Ficamos arcaicos. A união entre ciência e tecnologia foi feita tardiamente na nossa universidade. Faltou quem pensasse nisso, entre governo e ensino”.

 

A evolução do “Iniciação à Docência em Física”
Na verdade, o projeto não começou em oficinas. No início, tratava-se apenas de aulas de reforço em escolas, já que a maioria dos estudantes não se considerava muito preparada para o contato direto com uma sala de aula – na condição de professor. Sentindo que o projeto podia ter uma atuação mais ampla, os estudantes de Física apostaram em cursos, palestras e oficinas no estilo que são feitos hoje. Como as escolas se mostravam receosas em relação a trabalhos diferenciados, o espaço cedido era pequeno, mas isso foi mudado quando se começou a perceber a importância dessas adaptações para os professores e o gosto dos alunos pelo modo como as oficinas são conduzidas.

 

Thomas acredita na continuidade do trabalho, mesmo após a sua formatura. Ele explica: “Além dos alunos de licenciatura em Física, que podem seguir com o projeto, alguns professores são nossos parceiros, ainda que nós não promovamos atividades nas escolas onde eles lecionam. Esses professores também viram que o ensino da disciplina de Física precisava de mudanças na nossa cidade e estão correndo atrás de aperfeiçoamento”.

 

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