https://youtu.be/99gBMXfp3fE

Da educação aos negócios, o impacto das tecnologias tem provocado mudanças cada vez mais rápidas na sociedade e uma maior convergência para os modos de vida em rede. Pesquisa recente da agência F/Nazca, por exemplo, mostra que até mesmo o comércio de rua passa 44% pela web –o que significa que, antes de sair às compras, as pessoas fazem consultas na internet.

O levantamento revela ainda que 91% dos jovens entre 12 e 15 anos têm o hábito de acessar internet, sendo que 41% possuem computador em casa. Os dados corroboram o alerta feito por vários especialistas de que processos de aprendizagem eficientes hoje devem estar inseridos na cultura digital. Mais do que usar a tecnologia como instrumental de trabalho, os educadores precisam vê-la como possibilidade de conexão e troca efetiva de experiências e conhecimento. Em um processo que deve envolver todos os níveis da sociedade.

De acordo com Fernand Alphen, diretor nacional de planejamento da F/Nazca, a ideia tradicional de que quanto maior a renda maior o acesso à rede é desmentida pelos dados, uma vez que o local mais utilizado pela população brasileira para navegar na web são as LAN houses. “O uso da internet no Brasil é um fenômeno que contraria todos os clássicos paradigmas ligados à inovação e tecnologia. Quanto mais uma população for marginal no acesso ao conhecimento, à cultura, a informação e ao entretenimento, mais a internet se torna útil e acessível”, afirma.

Destaques da F/Radar

➢ Há hoje 81,3 milhões de brasileiros com acesso à web

91% da população de 12 a 15 anos têm o hábito de usar internet

➢ Dispositivos móveis já representam 8% do acesso

57% da população coloca conteúdo de autoria própria na rede

73% dos jovens entre 12 e 25 anos compartilham conteúdos próprios na internet

44% do comércio de rua passa pela rede

Revolução pedagógica

Se muitas escolas se limitam a trabalhar com as tecnologias de forma instrumental, Ismar Soares, chefe do departamento de Comunicação e Artes da Escola de Comunicação e Artes da USP, destaca que os gestores das instituições têm se preocupado em rever suas metodologias de ensino. “Frente ao fato de que a sociedade da informação vai além da simples presença da tecnologia, é necessário rever a própria educação a luz dessas condições. Trata-se de uma revolução na parte pedagógica, que já teve início, mas que ainda não está totalmente direcionada.”

Grandes apostas para os processos de aprendizagem nos próximos anos são as TICs e, mais especificamente, as redes sociais. Para o professor, essas ferramentas tendem a verticalizar a troca de conteúdos e criar verdadeiras ilhas de relações. A escola deverá trabalhar questões como o diálogo e a convivência dentro desses ambientes, não se limitando ao papel instrumental, mas mostrando toda a complexidade cultural, social e política dos novos arranjos da sociedade em rede.

Cursos de educomunicação na USP e em outras universidades, para Soares, já formarão profissionais para atuar na interface entre educação, informação e tecnologia. “É essencial que o sistema de ensino como um todo se envolva no atendimento ao aluno de forma coerente com o mundo e suas mudanças”, conclui.

Educação empreendedora como aliada

Nesse sentido, Juliano Seabra, diretor da Endeavor, defende que, em 2011, o Brasil deve consolidar os processos da educação empreendedora para criar mais oportunidades para todos. Apesar de forte em áreas como administração e segmentos de TI, faz-se necessário levá-la a outros segmentos. “Se você é jornalista, cabeleireiro, trabalha na indústria têxtil, pode abrir seu negócio, fazer acontecer e gerar outros empregos. Mas precisa ter ferramentas para isso”, afirma.

De acordo com o diretor da Endeavor, foi-se o tempo em que o país buscava novos empreendedores. “O que precisamos é de pessoas que inovem mais, que gerem mais empregos e mais desenvolvimento”, afirma.

Para Guilherme Ary Plonski (ouça aqui), presidente da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), o ano de 2010 consolidou a inovação no ideário nacional, e esse cenário tende a se disseminar cada vez mais nos próximos anos. “O que temos são diversas empresas inovadoras em várias áreas, desde a economia verde até setores mais tradicionais. Há uma cultura muito favorável ao empreendedorismo no Brasil, e isso tende a crescer”, aponta.

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