Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho é candidato à presidência da República pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Foi governador do Estado de São Paulo entre 2001 e 2006 e de 2011 a 2018. Além disso, foi prefeito e vereador por Pindamonhangaba (SP), deputado estadual e candidato à presidência nas eleições de 2006.

Como governador de São Paulo, sua gestão enfrentou uma mobilização estudantil contra uma reestruturação da rede pública que previa o fechamento de salas de aula e que, posteriormente à onda de protestos, foi cancelada. O movimento de secundaristas chegou a ocupar 225 escolas no estado em dezembro de 2015.

O Instituto Claro realizou entrevistas com todos os presidenciáveis das eleições 2018, ou representantes indicados, para saber quais são suas propostas para a área da educação, e ainda a opinião dos candidatos ao pleito eleitoral sobre questões específicas relacionadas ao ensino que estão em debate.

Quem respondeu às perguntas em nome de Alckmin foi um dos coordenadores da área de educação de sua campanha, Eduardo Pádua. Acompanhe:

Principais propostas

– Priorizar a educação básica com foco em três pilares: primeira infância, juventude e professor;
– Na primeira infância, focar nas famílias vulneráveis, oferecendo as mesmas chances a todos, independentemente das condições de nascimento. Para isso, integrar os serviços de saúde, assistência social e educação. Cada criança passar a ter um prontuário único, reunindo informações das três áreas e um plano de desenvolvimento infantil de acordo com suas necessidades, como creche, treinamento para pais e cuidadores, visitação domiciliar ou etc. isso comporia um programa que ficará subordinado à presidência, para melhor acompanhamento;
– Na juventude, no final da educação básica, aproveitar a reforma do ensino médio em curso para tornar a escola interessante para o jovem, conectada com as demandas do século 21 e, assim, reduzir o problema da evasão. Ao final do ensino médio, o estudante deverá estar preparado para trilhar uma das três opções: o mundo do trabalho, do empreendedorismo ou da universidade;
– Redesenhar a carreira do professor reformulando o currículo de sua formação, e incluir as competências e habilidades do século 21 e práticas em sala de aula; aumentar significativamente seu salário e articular novos reajustes ao cumprimento de metas, como a melhora do rendimento dos alunos.

Qual é a opinião de Alckmin sobre:

– Plano Nacional de Educação (PNE)
“O PNE é um importante instrumento, construído num amplo debate nacional. Avançamos em algumas metas, mas não nas voltadas para a educação básica. É por isso que ele deve ser prioridade. Também é preciso rever a questão do orçamento. Hoje, gastamos com educação 6% do Produto Interno Bruto (PIB). Ter mais recurso é sempre bom, mas, antes de colocar mais verba, precisamos melhorar a gestão e eficiência dos programas. Além disso, teremos uma janela de oportunidade a partir da transição demográfica, com menos crianças em idade escolar. Ou seja, teremos um valor maior por aluno. E isso pode ser uma alavanca para melhoria da qualidade do ensino.”

– Reforma do ensino médio
“Não existe em nenhum lugar do mundo uma estrutura curricular como a nossa, com 13 disciplinas obrigatórias. A reforma do ensino médio em curso aponta para o caminho certo, oferecendo um currículo diversificado, capaz de desenvolver o protagonismo, o interesse e o potencial pleno dos jovens. Vamos garantir a efetiva implementação da reforma e tornar a escola interessante para o estudante, respeitando a diversidade.
Vamos expandir a escola de tempo integral, nossas metas são alcançar 50% dos alunos do ensino médio, reduzir a evasão escolar do ensino médio em 50% e ampliar em 50 pontos a nota no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em 8 anos. Vamos também resgatar o valor da educação profissional e ampliar a integração com o setor produtivo e a vocação econômica regional.”

– Lei do Teto dos Gastos Públicos (Emenda Constitucional 95/2016)
“O quadro fiscal no Brasil é grave, precisamos ter reponsabilidade e tomar as medidas necessárias para retomar o crescimento econômico. Investimos em educação o equivalente a 6% do PIB, índice maior que a média gasta pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 5,5%. Ou seja, o problema não é falta de recursos, mas como geri-los de forma eficaz. Precisamos melhorar a gestão do Ministério da Educação (MEC). A Lei do teto de gastos, neste sentido, não vai afetar o orçamento da área e deve ser mantida.
Vamos garantir que o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) se torne permanente e que seja mais distributivo, apoiando mais fortemente as redes com maiores desafios e ao mesmo tempo incentivando as com melhores desempenho.”

– Escola Sem Partido
“Acreditamos que a escola não deve impor ideologias. O poder que os professores têm sobre os alunos é muito grande, por isso tentar influenciá-los não é saudável. A função da instituição de ensino é apresentar visões de mundo diferentes e estimular os estudantes a discutir e questionar e ajudá-los a fazer perguntas para que cada um forme sua própria opinião.”

– Debate sobre orientação sexual e gênero na BNCC
“Precisamos ficar atentos a essa discussão, porque ela passa por uma determinação legal: em muitos estados estão em vigor leis que já impedem a discriminação em razão de orientação sexual e identidade de gênero nas escolas. O tema requer amplo debate e reflete como as mudanças sociais e comportamentais avançam de forma rápida na sociedade, e a escola não pode permanecer alheia a isso.”

Leia o plano de governo do candidato Geraldo Alckmin na íntegra

Veja as propostas para a educação de todos os candidatos à presidência nas eleições 2018 aqui

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