Para quem atua no dia a dia da educação, é notório que a geração de jovens hoje em idade escolar possui hábitos de comunicação diferentes das gerações anteriores, principalmente pela forma como lida com a tecnologia e utiliza os recursos da internet para estar em contato, aprender e se divertir. Um dos conceitos desenvolvidos para compreender estes jovens é o da Geração C, criado por Dan Pankraz, especialista australiano no universo jovem.

Ele se refere a pessoas de 10 a 35 anos que estão conectados, co-criam conteúdos, customizam suas experiências com os dispositivos, se organizam em comunidades e são extremamente curiosos. Como as escolas e os professores estão se preparando para recebê-los e formá-los?

Atualização de professores

O principal desafio dos educadores é apropriar-se de tecnologias que já são completamente integradas ao cotidiano de seus alunos. Rodolfo Araújo, professor de branding na PUC-MG, lembra que os novos estudantes fazem parte de uma geração que não vive sem internet e smartphone. “Há um estudo elaborado pela Nielsen que investiga o uso dos smartphones por grupos de idade nos Estados Unidos que indica uma tendência clara. Entre jovens com idade entre 13 e 17 anos, a penetração é de 62%. Entre 18 e 24, 54%, e entre 55 e 64, apenas 30%. É uma função que decresce conforme a idade”, aponta.

Elizabeth Fantauzzi, professora e assessora de tecnologia educacional, vai na mesma linha ao afirmar que a escola e os professores precisam se aproximar do universo conectado dos jovens e se apropriar destes dispositivos como ferramentas pedagógicas.

Confira uma apresentação de Elizabeth sobre o assunto:

https://www.slideshare.net/efantauzzi/geracao-conectada2

 

Fluência digital

Na maioria das vezes, os jovens lidam com as tecnologias digitais de forma mais natural que seus professores. “São indivíduos que veem menos barreiras para seu potencial realizador e também são seres eminentemente céticos, que recorrem a múltiplas fontes de informação quando desejam formar opinião sobre algo”, lembra Araújo.

A fluência nos meios digitais pelos jovens não vem por acaso: “Pesquisas apontam que os jovens chegam a trocar em média 3,3 mil SMS por mês. Imagine o que flui de relevante nesse volume”, continua o pesquisador. Estes números podem assustar pessoas não habituadas ao impacto das tecnologias digitais, mas não podem passar despercebidos pelos professores.

Com o mundo conectado transformando tão profundamente o comportamento dos jovens em idade escolar, surge uma questão. “A escola não consegue atuar com essas competências que os alunos têm e os professores ainda estão buscando uma forma de lidar com a atitude dos jovens da geração C perante às tecnologias”, afirma Elizabeth.

Um dos problemas que a educação precisa enfrentar, segundo ela, é a existência de dois comportamentos que o aluno apresenta atualmente: um dentro da escola, onde ele é passivo e somente recebe informações, e um fora da escola, quando naturalmente criam vídeos, postam em blogs e vivem em redes. A escola deve retomar seu papel de referência, ajudando os jovens a se sentirem estimulados também no ambiente de aprendizagem para construírem conhecimento e criarem conteúdos cada vez melhores, derrubando as fronteiras entre a sala de aula e o mundo lá fora.

“A referência na formação dos jovens é o professor. Ele deve estar inteirado sobre os impactos das TICs no dia a dia”, afirma Elizabeth. A forma mais efetiva para atingir este objetivo, segundo ela, é proporcionar vivência online para formar e atualizar os educadores. “O professor precisa usar a rede, se habituar a utilizar a internet para pesquisas, redes sociais, ferramentas online. O ideal é que a escola estivesse por trás destes projetos, mas não dá para esperar. O professor pode aprimorar sua formação e seu trabalho por conta própria também”, conclui.

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