Em 28 de dezembro de 2018, é celebrado o centenário da morte do “príncipe dos poetas brasileiros”, Olavo Bilac. Carioca da gema, nascido em 1865, ele chegou a estudar medicina e direito antes de se consolidar como jornalista profissional. Aposentou-se, contudo, no cargo de inspetor escolar.

“Ele formou, com Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, a tríade dos principais poetas parnasianos. Estreou ‘Poesias’, em 1888, que se abria com ‘Profissão de fé’, na qual Bilac expunha suas convicções parnasianas. Nos demais poemas, seguia à risca recomendações feitas por Machado de Assis aos poetas de sua geração quanto à necessidade de correção métrica e gramatical, precisão vocabular e uso moderado de figuras”, revela o professor do Departamento de Literatura da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Assis) e autor do livro “Bilac Vivo”, Alvaro Santos Simões Junior.

Durante muito tempo, foi um poeta extremamente popular, com boas vendas para os padrões brasileiros. “Dedicou poemas a personagens da antiguidade clássica, narrou paixões e homenageou povos nômades, grandes líderes militares, as cruzadas, os navegadores portugueses, entre outros”, afirma Simões Junior. “No poema ‘Episódio da epopeia sertanista no 17º Século’, exercitou o gênero heroico, atribuindo aos bandeirantes paulistas um significado mítico de fundação da nacionalidade brasileira”, aponta.

Defensor da república

Apesar de ser conhecido pela poesia, Bilac produziu outros gêneros literários, como narrativas, um tratado de versificação (em parceria com Sebastião Guimarães Passos), discursos e obras paradidáticas. Em jornais e revistas, divulgou romances-folhetins, textos humorísticos, sátiras, reportagens, editoriais, versos publicitários e, principalmente, crônicas.

Além disso, sua obra se desenvolve em um contexto histórico bastante peculiar. O poeta era próximo ao grupo do abolicionista José do Patrocínio e aderiu à campanha republicana. Posteriormente, contudo, fez oposição a Floriano Peixoto, que assumiu o poder após renúncia do presidente Deodoro da Fonseca, tragado por uma crise econômica e política. Contra Peixoto, publicou sátiras e crônicas, chegando a ser preso após uma manifestação.

“No jornalismo, foi defensor da democracia, dos princípios republicanos, da ampliação da educação básica, dos direitos dos artistas e do acesso da população a serviços públicos de qualidade, como água, transporte e segurança”, lembra Simões Junior.

“Empolgou-se com saneamento da cidade do Rio de Janeiro, que era palco de febre amarela, tuberculose, cólera, tifo, varíola etc. Em crônicas e sátiras, criticou o acúmulo de lixo, as habitações e o saneamento precários, os cortiços e a falta de higiene. Cobrava as autoridades municipais e entusiasmou-se com a erradicação da febre amarela. Por isso, apoiou as autoridades durante a repressão à Revolta da Vacina”, contextualiza.

Diversidade em aula

Para abordar a vida e obra de Olavo Bilac em sala de aula, o pesquisador sugere evidenciar a variedade de sua produção, como a poesia lírica, a sátira e o jornalismo. Como um poema representativo do parnasianismo, Simões Junior sugere “A sesta de Nero”, de Panóplias. “Nota-se o hábil emprego do verso alexandrino e das aliterações, o gosto pela palavra rara e a idealização da antiguidade clássica”, aponta. “Do livro ‘Via Láctea’, eu destaco por seu lirismo confessional e dicção clássica o ‘soneto XIV’”.

A criação artística também foi um tema recorrente para o autor, sendo o poema “A um poeta”, do livro póstumo “Tarde”, um representante dessa vertente. “Como exemplo de sátira pró-saneamento, eu recomendo a “Ode-tromba” (1896), a propósito da tromba d’água que atingiu a cidade de Sapucaia (RJ) e provocou mortes”.

Das crônicas, o especialista indica “Registro” (1904), quando o poeta lamenta o derramamento de sangue após a Revolta da Vacina. “Bilac atribuiu isso à ação de ‘pescadores de águas turvas’, isto é, políticos demagogos que teriam incitado com seus discursos inflamados a revolta na população”, relata.

Veja mais:
Plano de aula – Olavo Bilac
Site Universia Brasil disponibiliza livros de Olavo Bilac para download gratuito

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