Levar as tecnologias digitais de forma efetiva para as salas de aula passa necessariamente por uma reestruturação dos currículos escolares. Nesse processo, os professores precisam ser apoiados e incentivados pelos gestores das instituições. “A escola se tornou hoje mais um espaço onde as pessoas aprendem. Se não mudar a forma como se comporta, ficará esvaziada. Mas, para essa mudança acontecer, o gestor precisa perceber esse movimento e integrar a tecnologia em todos os âmbitos da escola”, ressalta a pesquisadora Ana Hessel, da PUC-SP.

Ana Hessel coloca que o docente precisa ser valorizado, para não se isolar em suas iniciativas

Para a docente do curso de tecnologia e mídias digitais, a escola precisa ressignificar seu papel dentro dessas mudanças, discutindo todo o conhecimento adquirido pelos alunos, além de colocar em questão as mídias pelas quais os estudantes aprendem. Mas como essa transformação tem acontecido nas escolas? Entre os meses de março e abril, o Instituto Claro realizou duas enquetes com seus leitores, nas quais buscava ver como o uso das TICs aparece nos planos pedagógicos e no dia a dia.

Respondendo à questão “O que mais ajuda os professores a trabalharem com as tecnologias em sala de aula?”, os principais motivos apontados foram “Treinamento constante para o uso das TICs” e “Maior comprometimento dos gestores”, ambos com 37% dos votos cada um.

Quando a questão foi “Professor, você usa as tecnologias em seus planos de aula?”, os educadores que responderam à pergunta se mostraram proativos e optaram pela alternativa (51%) que enfatizava o uso das TICs independentemente das diretrizes da escola.

Para Regina Helena Ribeiro, coordenadora de tecnologias aplicadas à educação do Senac-SP, as enquetes traduzem diversas de suas experiências. De acordo com a pesquisadora, os alunos já estão imersos em um mundo digital, e a escola precisa inserir esses conteúdos em seus cursos. Por isso, é necessário haver um trabalho para que os estudantes aprendam a lidar com os desafios impostos pela internet, como por exemplo as questões de direitos autorais, segurança na rede, entre outros temas.

O papel da formação

Para as duas pesquisadoras, a formação de professores e gestores para atuarem com as novas tecnologias é um ponto decisivo para a entrada das escolas no século 21. Segundo Regina, a entidade tem de definir o melhor método pedagógico e dominar as possibilidades da ferramenta escolhida para conseguir sucesso em sua empreitada. “É preciso ter clareza em certas áreas quando se faz uma proposta de uso da tecnologia. Tem de ter pedagogia e apoio de uma área de engenharia”, afirma.

Ana Hessel defende ainda que o trabalho do professor precisa ser valorizado em todas as circunstâncias para que ele não fique isolado em suas iniciativas, o que faz perdurar as aflições com o uso das TICs. O uso integrado das tecnologias, com o apoio do gestor, é que pode tornar todo o processo mais fácil.

Como a mudança da sociedade é mais veloz que a mudança curricular, Ana afirma ainda que é preciso que o currículo aponte e dê dicas para o professor acompanhar as transformações. O educador tem de saber despertar a curiosidade dos alunos, mas, para isso, precisa ter tempo e condição para se preparar.

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