O comprometimento e a colaboração do aluno durante o processo de ensino e aprendizagem costuma ser um desafio para professores de todas as etapas. Pois o docente de Física & MIE do Sesi Internacional Londrina (PR), Renato Zandrini, conseguiu gerar o tão almejado engajamento a partir do uso do jogo Minecraft, em sala de aula. Zandrini foi um dos palestrantes do evento “Desafios Digitais na Educação”, ocorrido em São Paulo, no dia 9 de novembro de 2017.

“O aluno entende que o conhecimento será indispensável para o momento do jogo. Assim, vemos que o engajamento acontece em todo o processo, não apenas na hora em que ele estará jogando”, garante.
O Minecraft é um jogo que permite a criação de “mundos” a partir de blocos que se encaixam e se sobrepõem. No Sesi Internacional Londrina (PR), Zandrini utiliza a ferramenta para discutir atualidades com estudantes do Ensino Médio. Um de seus projetos foi o “Ecocities & Minecraft”, no qual estudantes criaram cidades sustentáveis tendo como gancho as eleições municipais.
“O conceito de cidade sustentável foi discutido e eles acompanharam uma sessão, na Câmara dos Vereadores, sobre zoneamento rural e urbano. Na sequência, eles foram divididos em sete secretarias do município e passaram a construir prédios sustentáveis – sempre apoiados nos conteúdos do currículo”, apresenta.

Resultados concretos

O engajamento não é a única vantagem do uso pedagógico do Minecraft. Para o consultor de aprendizagem Microsoft, Leandro Holanda, o jogo também estimula o trabalho em grupo e a exploração criativa. “No primeiro caso, os alunos estão juntos, construindo algo no mesmo mundo”, descreve. “Criativamente, os alunos estão sempre com a mão na massa e com inúmeras possibilidades de se expressarem”.
Diretora da Escola Bosque São Paulo, Silvia Scuracchio, conta que o Minecraft é utilizado em diversas disciplinas na Instituição: de Física às Artes. “Você pode colocar, por exemplo, o Fernando Pessoa declarando um poema ou analisar e reproduzir obras de arte. Na escola, já tivemos projetos de recriação da Grécia Antiga ou o uso do Redstone para a simulação de circuitos elétricos”, revela.
Para ela, apesar do jogo se dar no plano virtual, o resultado gerado é concreto. “Parte-se de um problema, desafio ou projeto que são reais, ao final, a aprendizagem e o conhecimento aprendido também são concretos”, complementa.
Estudante e professor podem utilizar o jogo nos modos criatividade ou sobrevivência. No primeiro, a única preocupação do jogador é a criação de novos elementos. Já o segundo ajuda a trazer para a sala de aula conceitos de gameficação. O jogador pode morrer a todo o instante e precisa lidar com seus erros e acertos.

Versão para educadores

Criado originalmente como um jogo e apropriado por educadores, o Minecraft já possui sua versão para educação. Ela permite, por exemplo, baixar códigos que aliam Minecraft com a linguagem de programação Scracht. Para professores que falam inglês, a comunidade “Minecraft Education Edition” reúne planos de aula, biomas prontos para baixar e suporte de mentores para ajudar no uso da ferramenta em sala de aula.
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Talvez Você Também Goste

O pensamento de Paulo Freire está presente hoje nas escolas públicas brasileiras?

Pesquisadores descrevem como seria um ambiente escolar sintonizado com as concepções do autor

Dia da amizade: 4 histórias de professores e alunos que se tornaram amigos depois da escola

‘Rede pública oferece ambiente plural que permite conhecer pessoas diferentes’, afirma ex-estudante

Escolas ribeirinhas exploram cultura local no processo de aprendizagem

Rotatividade de professores e falta de livros didáticos que representem comunidade são desafios

Receba NossasNovidades

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.