A ideia de substituir o sistema de avaliação do ensino médio passando da Prova Brasil, utilizada para calcular o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é equivocada, segundo a integrante do Conselho Estadual de Educação de São Paulo e idealizadora da prova do Enem – antigo Provão –, Maria Helena de Castro.

Na última semana, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante retrocedeu sobre a decisão de alterar o sistema. Após ter anunciado que o MEC estava estudando substituir a Prova Brasil pelo Enem para calcular o Ideb, o ministro afirmou que manterá a atual avaliação enquanto o Enem não estiver completamente adaptado para analisar a etapa.

“O Enem serve para a seleção de aluno, é um vestibular nacional, não avalia escolas, como é o objetivo da Prova Brasil, que segue uma matriz de referência para melhorar a qualidade do ensino”, explica Maria Helena. Hoje, o ensino médio é avaliado por amostra de 70 mil alunos, enquanto o Ideb é calculado com base no conhecimento dos estudantes (Prova Brasil) e na taxa de aprovação.

“Para fazer o exame, alunos estão no cursinho, a própria matriz é cada vez mais parecida com programas de vestibulares. Então, são completamente diferentes o Enem e o Ideb”, completa Maria Helena. No ano passado, o Enem contou com 1,5 milhão dos quase dois milhões de formandos no ensino médio. Criado para ser uma autoavaliação dos estudantes, hoje o exame define quem ingressará no ensino superior via programas federais, como Fies (Fundo do Financiamento Estudantil) e o Prouni (Programa Universidade para Todos). Também, é usado por instituições privadas como parte da nota.

Reforma do ensino médio
A discussão sobre o modo de avaliação do ensino médio teve início após divulgação dos dados do Ideb mostrarem que a etapa não evoluiu.

“Precisamos de uma reforma estrutural no ensino médio. É um desastre, os alunos não têm o menor interesse nas aulas. Não encontro sentido nos currículos do ensino médio. O Brasil está atrasado nesse debate”, dispara a conselheira.

Mesmo fazendo parte da faixa etária que deve ter atendimento obrigatório por lei desde 2009, cerca de 42% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. A informação é de um estudo feito pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, divulgado na sexta-feira, 31/8. 

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