Incorporar um game ao plano de aula pode ser uma atitude inovadora para um educador, mas nem sempre é garantia de que os alunos vão se sentir motivados. No palco Jogos, da Campus Party Brasil, Túlio Soria, diretor do estúdio de desenvolvimento de games Mother Gaia, destacou que um jogo que não apresente desafios, que não tenha recursos para envolver e divertir os estudantes, pode falhar e não atender as expectativas do professor.

Giulliana Bianconi

Túlio Soria, na conferência da Campus Party

Soria fala com certa autoridade. Foi convidado pela organização do evento para palestrar sobre o tema “Parece impossível, mas não é – Educação e diversão podem andar juntas” porque, aos 22 anos, já apresenta um case de sucesso na área. Com amigos da universidade, desenvolveu o City Rain, jogo de simulação baseado em princípios de planejamento e sustentabilidade que alçou o grupo ao primeiro lugar da Imagine Cup, competição mundial da Microsoft para jovens talentos. Agora, uma nova versão com foco 100% educacional, o Cidade Verde –que já foi testado pelo Instituto–, está sendo utilizado por escolas públicas do país. Já são 20 as instituições que fazem uso da ferramenta em salas de aula.

Como um desenvolvedor e ainda um representante da geração Y, Soria dá dicas aos que têm interesse em seguir caminho semelhante ao seu: “Alguns problemas dos jogos educativos que vejo por aí são o foco no conteúdo, com muito texto, muita informação, a falta de elementos lúdicos e de desafios, a infantilização dos alunos com termos como ‘parabéns amiguinhos’ e o uso de tecnologias ultrapassadas”.

Para o agora jovem empresário, o contrário disso é o que os alunos querem em um game. “O estudante vai ao shopping, vê um GTA [Grand Theft Auto, em 3D], aquela coisa futurista, depois vai à escola e encontra aquela coisa antiga. Parece até que ele entrou em um túnel do tempo!”, disse.

Apesar de defender o uso de tecnologias avançadas e de design construído profissionalmente, Soria acredita que os jogos educativos que tentam excluir o professor do contexto também falham. No Cidade Verde, como ele explicou, houve a preocupação de oferecer diversão e sensação de imersão do estudante – uma vez que ele assume o papel de prefeito de uma cidade -, mas o jogo não é uma lição completa. Foi pensado para provocar discussões sobre a sustentabilidade. “A proposta é que os estudantes vivenciem um planejamento urbano com o auxílio do professor.”

Empreendedores de olho na competição

Sem uma grande verba ou um “anjo”, como são apelidados os investidores que apostam em projetos que ainda não vingaram no mercado, Soria e os amigos Rafael Fantini e Guilherme Camargo apostaram na Imagine Cup para ganhar notoriedade. A estratégia deu certo, e eles venceram na categoria Desenvolvimento de Games e logo embolsaram U$ 25 mil, valor que permitiu que eles pensassem na abertura da empresa.

O desafio seguinte, como empreendedores, foi aprender a gerir aquele novo negócio, o que só foi possível, segundo Soria, porque a equipe foi incubada por uma empresa de Bauru. “Saímos da faculdade sem noção nenhuma disso, aprendemos com outra empresa e depois fomos buscar subvenções do governo.” Sempre em uma curva ascendente, o grupo venceu um edital da Finep que rendeu mais R$ 120 mil e a possibilidade de uma verdadeira profissionalização, com contratação de gestores e consultoria.

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