“Em qual escola colocar nossos filhos”? Essa era um dúvida que afligia a pedagoga Ana Bocchini e seus amigos, moradores da região de Manaus (AM). A procura era por instituições que incentivassem a formação de cidadãos críticos, independentes e criativos, e que valorizassem áreas da educação como artes, filosofia, sociologia e educação ambiental. 
 
“Pensamos em abrir uma escola. Mas refletimos e decidimos que queríamos lutar por uma educação pública de qualidade. Nascia, assim, o Coletivo Escola Família Amazonas (CEFA), em abril de 2015”, conta.  
 
O CEFA passou a colaborar com três escolas municipais – uma de educação infantil e duas de ensino fundamental. Os pais matricularam seus filhos e começaram a atuar como lideranças nas reuniões de pais. De lá para cá, as conquistas foram diversas. 
 
“Conseguimos, por exemplo, que as escolas trocassem as fileiras pelo círculo de cadeiras nas salas de aula. Estabelecemos uma parceria com a Secretaria Municipal para a formação de professores em práticas inovadoras e ajudamos na elaboração do ‘Seminário Mudar a Escola, Melhorar a educação: transformar vidas’, que trouxe a Helena Singer e o Braz Nogueira como palestrantes”, comemora Ana. 
 
A autonomia da escola e dos professores, contudo, é preservada. “Os professores que são os especialistas e hoje eles sabem mais do que a gente. Somos apenas parceiros”, esclarece. 
 
Todos por um
Tendência nos últimos anos, os coletivos de pais funcionam como uma associação de pessoas unidas por um interesse comum. O objetivo é trocar experiências e promover ações, com o diferencial que as decisões são tomadas em conjunto e de forma mais democrática.  
 
No caso do CEFA, um dos principais desafios foi encontrar escolas que estivessem interessadas em práticas inovadoras e na colaboração ativa de pais. 
 
“Visitamos mais de trinta escolas públicas de Manaus e as reações foram diversas em termos de receptividade”, relembra Ana. “Havia muita desconfiança por parte dos gestores e professores. Mas não deveria ser assim, já que Gestão Democrática  está prevista no Plano Nacional de Educação (PNE)”, justifica.
 
Conseguir reunir os demais pais em torno de interesses pedagógicos foi outro  problema. “Num primeiro momento, muitos viam as práticas pedagógicas como ‘brincadeiras’. Não entendiam que aquilo tinha uma função de aprendizagem. Além disso, a escola ainda é  vista como um depósito de crianças. Nem todos os pais querem se envolver”, assinala. 
Por fim, o grupo também viu dificuldades na forma como a secretaria municipal lida com a autonomia das escolas. “A secretaria é uma parceira, mas muitos processos ainda são impostos e atropelados”, aponta. 
 
Crescimento da rede
A rede do CEFA possui hoje aproximadamente 100 pessoas. “Hoje temos no grupo também pessoas que não são pais, mas profissionais de educação que se interessaram pelo projeto”, revela. 
Entre os pais que se juntaram ao coletivo em 2017 está o biólogo Gil Miranda. Após conhecer o coletivo, decidiu transferir as duas filhas, de seis e novas anos, para uma das escolas parceira do grupo. 
 
“Elas vieram de uma escola particular. O que me chamou a atenção foi elas não terem visto a mudança para a rede pública de forma pejorativa. Ambas se adaptaram e gostaram das aulas logo no primeiro dia. E não estranharam passar mais tempo na escola, por conta da educação integral“, descreve.
 
  
 
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