Atrair e manter a atenção dos estudantes durante as aulas sempre foi tarefa das mais desafiadoras para os professores. Porém, nos últimos anos, os educadores sofrem para lidar com alunos dispersos e em transmitir o conteúdo da forma tradicional. Pudera. Eles ainda estão se adaptando a essa nova geração de nativos digitais, nascidos sob o signo da nova tecnologia e que não conseguem achar interesse em classes baseadas somente na binômio lousa-livro.

A expressão "nativos digitais" foi usada pela primeira vez pelo escritor Marc Prensky em um artigo de 2001. Nele, dissertou sobre a geração nascida no mundo digital e berço das novas tecnologias da informação. São crianças que frequentam o ensino fundamental, e que cresceram dividindo a atenção entre televisão, música, computador, celular e as muitas redes sociais criadas desde então.

A Pesquisa TIC Domicílios 2010 mostrou, entre outros dados, que o número de residências urbanas brasileiras com acesso à internet passou de 13% para 31% entre 2005 e 2010. Especificamente sobre os nativos digitais, 71% dos usuários de 10 a 15 anos acessam sites de relacionamentos. A vedete é o Twitter, com 13% da preferência.

Segundo a pesquisadora Lucia Giraffa, do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-RS, esses estudantes estão acostumados a interagir com os colegas, a buscar lazer e informações utilizando os meios digitais. "Temos uma geração de professores educados nos moldes convencionais, numa cultura oralista e do papel impresso, tendo que lidar com essa geração que já nasceu com o advento da internet, seus servidos e seus recursos", afirma.

E é desse contraste que nasce o que Lucia chama de "problema de comunicação". Afinal, motivar esses seres multitarefas, acostumados a fazer o dever de casa com a televisão ligada, ouvindo música e acessando, ao mesmo tempo, redes sociais como Facebook e Twitter, é um desafio e tanto. "A característica dessa geração é a superficialidade, eles perdem a motivação pelas coisas rapidamente e têm um forte apelo visual. Estão acostumados com esse mundo dinâmico e visual", diz a professora.

Outra dificuldade enfrentada pelos nativos digitais é lidar com um texto volumoso e sequencial, pois suas mentes funcionam como um grande hipertexto. O fato é que eles aprenderam a agrupar as informações em porções. "Estão acostumados a se relacionar de um jeito, e recebem a aula de outro", resume Lucia.

Interação

Toda essa hiperatividade, avidez por conhecimento e descaso com a rotina podem ser capitalizados pelo professor para atrair a atenção desses estudantes, afirma a professora Eloiza Oliveira, da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  "É preciso inovar. Mesmo que não inclua a tecnologia o tempo todo, estimular a pesquisa na web, aceitar a busca por informação, abrir horizontes da prática pedagógica", afirma. Para os nativos digitais, nada melhor do que apostar em jogos, brincadeiras e enigmas para despertar a curiosidade em relação ao conhecimento. Aposte na empatia com os jovens, sem estabelecer competições ou concorrências. "O aluno sabe mais do que o professor em relação à tecnologia, mas professor tem conhecimento acumulado", destaca Eloiza.

Os professores também devem ficar de olho nas novas tecnologias. "Com isso, conseguirão dinamizar as suas aulas com recursos tecnológicos do cotidiano, como sites, e-mail, Twitter, blogs, SMS, MSN e outras ferramentas", ressalta, por sua vez, Miguel Carlos Damasco dos Santos, professor de Tecnologia Aplicada à Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Associação Educacional Dom Bosco.

E como na educação não existe uma fórmula que funcione para todos os alunos, fica a cargo do professor observar as características da turma, como ela percebe, busca e processa as informações e quais recursos está acostumada a usar. "Depois, ele pega essas informações para fazer os ajustes na sua aula", conclui a professora-pesquisadora Lucia Giraffa.

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