Durante o “3º Encontro sobre Laptops na Educação”, evento presencial realizado em São Paulo, o professor Wilson Azevedo, em Natal, acompanhava a cobertura coletiva feita via Twitter e não se sentia nada satisfeito com o que via na tela do seu computador. “Eram várias mensagens repetidas, pouco aprofundamento. Achei que o Twitter não era a melhor forma para cobrir uma evento como aquele.”

Foi por meio do Google Docs, ferramenta que armazena as informações “na nuvem” -não precisa ser instalada no computador do usuário-, que Azevedo propôs uma nova cobertura do evento. Lá mesmo de Natal(RN), criou um arquivo e disponibilizou o link no próprio Twitter, convidando as pessoas a compartilharem no documento anotações e percepções sobre os debates que aconteciam na USP. “Não sei exatamente quantas pessoas colaboraram, mas elas iam escrevendo e eu editando no mesmo momento, organizando, corrigindo eventuais erros de digitação. Ao fim, tínhamos um documento com um panorama geral do evento e que estaria disponível por tempo indeterminado na rede.”

O trabalho colaborativo simultâneo é uma das possibilidades educacionais oferecidas pelo Cloud Computing, ou “computação na nuvem”, como mostra a experiência de Azevedo. É um caminho não apenas para gestores potencializarem a comunicação e a troca de conhecimento, mas também para professores e alunos trabalharem juntos, mesmo que estejam em locais diferentes. O que significa aumentar a mobilidade das práticas educacionais.

Devido à tendência de intensificação de atividades educacionais online que reflete, conforme mostram pesquisas, uma sociedade cada vez mais conectada, surgem diariamente na web novas ferramentas. Formadora de educadores do Instituto Paramitas, Cybele Meyer andou explorando o Live@Edu, plataforma educacional gratuita desenvolvida pela Microsoft para funcionar somente na “nuvem”. Em seguida, realizou treinamento com professores do ensino fundamental de São Paulo.

Cybele diz que vestiu a camisa do Live@Edu depois de ver uma experiência bem-sucedida no município de Ourinhos. No espaço para grupos de discussão existente na plataforma, uma professora da rede pública criou um grupo para debater o combate à dengue e convidou parte de seus contatos na plataforma para um evento presencial. Educadores de diferentes escolas replicaram a informação e a mobilização potencializou a participação de educadores em um evento batizado de “Dia do Cata Entulho”. “Na mesma plataforma onde os professores podem realizar uma tarefa coletiva com os alunos, podem mobilizar colegas para uma ação”, observa a formadora.

Cultura web

Estar na “nuvem” ainda é uma escolha, mas não apenas dos professores. O projeto Um Computador por Aluno, referência em inclusão digital no Brasil, é um exemplo de que a cultura web pode estar enraizada já na estratégia de projetos ou programas educacionais.

Os laptops que chegam às escolas que fazem parte do projeto têm baixa capacidade de armazenamento. A ideia é que os alunos usem o laptop como instrumento de produção, mas que as atividades sejam complementadas na “nuvem”. Assim, o computador portátil já traz alguns programas leves instalados, mas atrelados a eles estão comunidades online, como a do Scracth, onde o resultado da produção é publicada. Além de ficar armazenado em uma rede, o conteúdo pode ser facilmente acessado por outros usuários.

Na série “Educação na Nuvem” que publicou no seu blog que aborda tecnologia educacional e software livre, o professor Daniel Caixeta cita diversas ferramentas web que ele mesmo testou e que recomenda. Ele conta que seus alunos do curso de pós-graduação em gestão escolar, em Pato de Minas (MG), costumam usar seus posts como referência para trabalhos e discussões. “Eu os estimulo a utilizar ferramentas que são úteis”, diz ele, reforçando algo que todos os outros entrevistados também destacaram: o uso da tecnologia, seja na “nuvem” ou fora dela, precisa atender a um propósito. Apenas usar porque está disponível não vai, de fato, impactar a aprendizagem.

Leia mais:

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