O que é uma escola humana? Essa reflexão foi o tema central da mesa “Cotidiano escolar e formação humana integral: artimanhas e re-existências”, ocorrida no VIII Seminário Fala Outra Escola, ocorrido no final de julho de 2017. Para a professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Adriana Varani, a escola se torna humana quando escuta a criança.

“Humanizar-se é reconhecer o humano no outro, que é sujeito de sentimentos e vontades. Quando a criança senta em uma roda com outros alunos e seus professores e sabe que pode falar, que aquele espaço é possível para ela, tem a sua humanidade reconhecida”, defendeu. “Humanizar-se é entender o outro como prioridade absoluta da relação. E se ele é prioridade, devo escutá-lo, olhar no seu rosto”, complementou.

Ainda segundo a pesquisadora, entender o diálogo e a escuta dentro da relação com os alunos é importante para a humanização da escola e do professor. “Ser dialógico é vivenciar o diálogo, de forma a não invadir ou manipular. Para isso, é preciso ouvir realmente”, explicou.

“Escutar todo mundo escuta, mas falamos aqui de uma escuta que me modifica, que me torna criança também para eu poder entender o meu aluno. Muitos adultos acham que tudo o que a criança fala é besteira, e não conseguem ter essa escuta que impacta, que é transformadora”, assinalou a doutora em Educação pela Unicamp, Cristina Maria Campos.

Direito à infância

Para as pesquisadoras, uma escola humanizada não deve negar à criança o direito à sua infância. “A escola deve entender a necessidade da criança, não o contrario. A infância é necessária à criança. E o que for necessário a esse aluno, ele irá mostrar ao professor na conversa ou em ações”, ressaltou Cristina.

Para ela, um dos maiores erros a rondar a educação infantil e o ensino fundamental é a ideia de que a criança deve ter uma aprendizagem voltada a ser útil. “Quando visa ser útil no futuro, a criança não pode ter sua infância no presente. E para que ela seja o contrário do que é, a escola muitas vezes molda, sobrecarrega, fere e pune”, advertiu.

Por fim, a professora Adriana Varani relembrou a necessidade de humanização das relações para que uma educação seja, realmente, integral. “É preciso combater a visão da educação integral como aumento de conteúdo e carga horária. Uma atividade de sete horas pode ser realizada em duas e ainda ser integral, pois contemplou a formação humana”, relembrou.

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