Quando a prática docente vira inspiração: (da esqueda para a direita) Carolina Padilha Garcia de Oliveira com a mãe Dulcinéia Padilha Oliveira e Dirce Colaço Geraldi com a filha Gisela Colaço Geraldi

Inspirar os filhos a seguirem a própria profissão nem sempre é um  ato intencional. No caso específico da prática docente, a presença de gerações de educadores em uma mesma família pode indicar, para além de uma escolha profissional, um modo particular de se relacionar com o conhecimento e a sociedade. Uma influência que, ao  perpetuar-se, possibilita também a troca de experiências e o aprofundamento da valorização do trabalho do professor para as gerações seguintes.

“A sala de aula foi tão revolucionária pra mim, que eu permaneço há 52 anos lecionando para jovens de 12 a 15 anos. Permaneço porque acredito que esses jovens têm o poder de mudar a história e a sua realidade. No entanto, sempre falei à minha filha sobre a dificuldade que é ser professora no Brasil. Ainda assim, acho que ela entendeu que vale a pena”, comemora Dulcinéia Padilha Oliveira, professora e mãe de Carolina Padilha Garcia de Oliveira que atua como educadora infantil.

A professora de história Gisela Colaço Geraldi também seguiu os passos de sua mãe – a também professora de história, Dirce Colaço Geraldi. A admiração de Gisela pelo ofício começou na infância, quando assistia à sua mãe trabalhar.  “Nós tínhamos os mesmos horários de escola: ela como professora e eu como aluna. Depois da aula, quando voltava para casa, sempre estudávamos juntas. Afinal, ela estava preparando as aulas e eu fazendo as lições de casa. Essa rotina era tão comum que eu tinha certeza que trabalhar significava estudar em casa”, relembra.  “Além disso, eu adorava as férias, porque podia acompanhá-la na escola para as aulas de recuperação e reuniões de planejamento. Podia entrar na sala dos professores e ver como era os bastidores de uma escola”, completa.

Foi também por meio de sua mãe que Gisela entendeu a importância social de um educador. Isso contou pontos na hora de decidir pela graduação em História. “Ela me influenciou em muita coisa. Principalmente nessa leitura crítica de mundo a partir da educação, da transformação dos indivíduos em pessoas conscientes e cidadãs”, revela. “Minha mãe é uma humanista incansável. Acredita que todo mundo pode mudar e faz isso em sala de aula até hoje”, orgulha-se.

“Eu cresci assistindo as pessoas da minha família felizes com profissão que seguiram. Sempre vi que a profissão de professor tinha valor e que o acesso ao conhecimento era transformador. Isso me influenciou e é algo em que continuo acreditando”, destaca. “Acho emocionante, por exemplo, quando estou caminhando com a minha mãe e um homem adulto vem agradecê-la por ter sido sua professora. É uma experiência que gera bastante gratidão”, descreve.

Troca de experiências
Mas será que as gerações mais novas de professores buscam orientação com os mais experientes? Tanto para Gisela quanto para Carolina, os conselhos são diários, mas aparecem de forma natural, na troca de experiências. “Eles chegam a partir de uma história, ou quando ela conta sobre um problema que vem enfrentando e como ela resolveu”, explica Gisela.“Se eu pudesse dar um conselho à minha filha, diria que ela seja aberta às mudanças, aos questionamentos dos alunos e, principalmente, que esteja disposta a aprender o tempo todo”, ensina Dirce, mãe de Gisela.

Para Carolina, o atual momento histórico trouxe consigo novos desafios aos professores. “Há outras pautas, como as novas tecnologias, as questões de gênero, de inclusão, o racismo e a diversidade. Mas estes são desafios bons, que exigem formação para provocar respeito e empatia nos alunos de hoje”, analisa.

De sua experiência Dulcineia, mãe de Carolina, aponta que o aluno de hoje lê menos que o do passado. Já para Dirce, um diferencial é a facilidade dos estudantes em acessar fontes de informação. “O professor precisa saber como transformar esse ‘bando’ de informações em conhecimento e conteúdo, que servirão de referências para a trajetória de aprendizado do educando. Isso é desafiador”, finaliza.

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