Na última reportagem da série Desafios do Empreendedorismo na Aprendizagem, o Instituto Claro conversou com educadores para traçar um panorama de como o tema chega à sala de aula e quais os obstáculos que se impõem às instituições e aos profissionais. Todos os entrevistados veem com otimismo essa nova forma de aprendizagem, capaz de formar pessoas mais preocupadas com a comunidade e dispostas a encontrar soluções para os problemas.

O professor Fernando Dolabela, responsável pela implementação do empreendedorismo na rede pública de 27 cidades do país, frisa que a pedagogia empreendedora vai muito além da criação de empresas. Trata-se de um comportamento ligado à cultura e envolve atitudes ousadas e proativas que geram sustentabilidade, combatem a miséria e aumentam o desenvolvimento econômico em todas as áreas. Por isso, Dolabela afirma que o maior desafio hoje é tornar o tema presente na escola desde o maternal.

A seguir o relato de três educadores, que ao analisarem a realidade em que vivem, falam dos desafios e de atividades bem-sucedidas no dia a dia.

Empreender desde cedo

Divulgação

Professora do Centro de Educação Infantil 52, de Sorocaba, Cristina Brunetti acredita que a aprendizagem empreendedora deve começar ainda na educação infantil. Nesse processo, diz, os educadores devem estimular os sonhos das crianças buscando um envolvimento da família e propondo atividades lúdicas. “Trabalhamos os conteúdos com as crianças de forma lúdica e explorando temas como solidariedade, coletividade e ética. Seja o sonho dela montar um cavalo ou ser um médico. Não queremos transformar as crianças em empresárias, mas queremos desenvolver suas habilidades e competências”, afirma. Como exemplo, ela cita a construção de um caminhão de papelão _uma das fantasias mais recorrentes na faixa etária entre três e cinco anos. Nesse tipo de exercício, Cristina explica que é possível introduzir conceitos de sustentabilidade e cidadania de forma divertida. Seja mostrando às crianças que elas estão usando materiais recicláveis ou apresentando as regras de trânsito e como um caminhão real poderia ajudar a comunidade.

Os conceitos em sala de aula

Para empreender, é preciso conhecer a realidade de uma comunidade, inovar nas soluções de problemas e compartilhar ideias. Ao transportar esses conceitos para as escolas, muitos educadores enfrentam no seu dia a dia um grande desafio: a falta de estrutura de muitas instituições, sejam públicas ou privadas.

Patrícia Rios, professora do ensino fundamental da Escola Estadual Profª Deuzuita Pereira, de Redenção, no Pará, conta que, desde que começou a adotar a pedagogia empreendedora, viu seu jeito de dar aula mudar para melhor. Por outro lado, sente de forma mais dura as limitações da falta de recursos.

Como as atividades coletivas propõem aulas livres, visitas, uso da tecnologia para exercitar a comunicação e a articulação dos alunos, muitas acabam não saindo o papel por falta de recursos. É o caso da rádio interna que Patrícia quer montar com os alunos para poder trabalhar os assuntos da comunidade. “Alguns estudantes querem ser jornalistas, locutores, para denunciar o que está errado. O sonho ainda está adormecido. Mas vamos conseguir”, diz ela, que tem feito o que pode.

Com a chegada do laboratório de informática à escola no segundo semestre deste ano, por exemplo, ela já conseguiu criar um blog em que os alunos podem postar fotos das atividades e interagir uns com os outros.

Patrícia também destaca a importância de os estudantes conhecerem bem a comunidade em que vivem para desenvolver a solidariedade e o senso comunitário. Por isso, a professora tenta driblar as dificuldade e realizar atividades externas nas quais eles possam ter contato com outras realidades. Em uma dessas saídas, ela levou alunos do ensino fundamental à escola Padre Anchieta, que é uma das mais carentes da região, e sentiu o efeito positivo. “Os alunos passaram a ter sonhos mais coletivos voltados para melhorar a comunidade”, diz.

Maria Clara Arruda, 11 anos, participou da atividade e quando questionada após o passeio sobre o que queria ser quando crescer, afirmou. “Quero ser dentista para ajudar todo mundo a ficar com um sorriso bonito”.

Só a tecnologia não basta

O professor projeta em Power Point, aproxima automaticamente uma região em um mapa digital, faz um tour virtual em um corpo humano em 3D, baixa imagens de um banco de dados em tempo real e apresenta trechos de filmes. Todos esses recursos ajudam, mas não são suficientes para prender a atenção dos alunos.

Professor dá aula no COC, em Salvador

Coordenador-geral da escola Sartre COC na Bahia, que coloca todos esses recursos à disposição do professor, Renato Lopes, conhecido como profº GG, diz que a performance do docente e um plano pedagógico são os grandes desafios para tornar o aluno mais interessado e mais preparado dentro e fora da sala de aula. O que Lopes destaca é que nesse novo cenário de aprendizagem, cada vez mais tecnológico, o papel do educador também mudou. O profissional passou a ser um norteador de conhecimento. E isso não deve ser um problema, uma vez que os alunos, ao se sentirem parte do processo, tornam-se mais interessados. “As aulas trazem mais conexão e troca, então o nível de concentração e disciplina aumenta.” Nessa troca de conhecimento, afirma o coordenador, o calendário interdisciplinar, que estimula a criatividade e a articulação dos estudantes, é o grande desafio que se impõe às escolas.

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