Como apresentar uma ideia a um investidor? O que pode hoje ser considerado inovação? Como são as empresas mais abertas a projetos de estudantes e universidades? Todas essas questões foram debatidas no dia 5 de agosto durante o encontro “Modelo de inovação empreendedor vs. corporativo: a sinergia entre startups e empresas maduras”, realizado na Universidade de São Paulo, campus da capital. Organizado pelo Open Innovation em parceria com a Agência USP de Inovação, o evento reuniu estudantes, professores e especialistas em empreendedorismo.

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O evento contou com a presença de estudantes e professores, além de especialistas em empreendedorismo que palestraram ao público

O maior crescimento das startups – pequenas empresas ou projetos com características inovadoras – está no campo tecnológico, e o faturamento promissor desses novos negócios vem despertando um interesse maior por parte das empresas tradicionais para criação e desenvolvimento de novos produtos e processos. Com atitudes inovadoras e um plano de negócios com mais tolerância aos riscos, comparada às empresas grandes, as startups apostam no rápido crescimento e na expansão de mercado.

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O gráfico acima mostra um ciclo de investimento em suas quatro etapas

“As disputas internas e a grande preocupação com os riscos nas empresas maduras são responsáveis pelo engessamento na forma de gestão e pela lentidão na tomada de decisões. Já nas startups, as decisões são tomadas rapidamente, só que o valor para investir é reduzido”, afirma André Saito, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas. Segundo ele, as empresas maduras terão que se renovar para permanecer no mercado e as startups serão cada vez mais alvos de interesse. “As grandes empresas tendem a buscar novas formas de gerir. Todo investimento é um risco, mas a procura pela compra das startups mostra que o pensamento está mudando”, diz.

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Para André Saito, pesquisador da FGV, o pensamento das empresas com relação aos riscos de investimentos está mudando

Outro tema do evento foram os desafios enfrentados pelo novo empreendedor com a criação e gestão de um projeto. Entre eles, tem destaque a preparação de uma apresentação bem estruturada para captar recursos. Segundo Marcos Hashimoto, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), a fase de estruturação é muito importante e os empreendedores precisam estar bem preparados. “No Insper, temos um setor que ajuda na fase de estruturação dos projetos. Fazemos todo o planejamento, levantamento de riscos, elaboração de uma apresentação de alto impacto para o projeto. Esses quesitos são essenciais”. Ouça trechos da entrevista no podcast abaixo:

 

O consultor de projetos Yoiti Fugiwara trouxe à discussão a importância das incubadoras como espaços para desenvolver projetos bem elaborados e que possam obter investimento mais facilmente. Além disso, para ele, é necessário conhecer bem os critérios de avaliação usados pelos fundos de investimento para formatar os projetos. A estruturação mal elaborada é o que mais dificulta a aprovação.

Já o pesquisador e empreendedor Rodrigo Brandão acredita que é preciso questionar o conceito de inovação utilizado pelos investidores. “Os fundos investem em empresas que não têm nada de embrionário, já são consolidadas. E continuam falando que investem em projetos inovadores, sementes”. Para ele, os fundos, além de pouco numerosos, não têm transparência nas suas regras. “Os processos de escolha são lentos e as regras não são claras. Como alguém que trabalha com inovação pode esperar seis meses ou um ano de avaliação para o seu projeto?”, indaga.

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Bruno Rondani, diretor executivo da Open Innovation Center Brazil, palestrou sobre novas formas de se inovar em gestão

Outro ponto forte do encontro foi a discussão do conceito de inovação aberta, levantada por Bruno Rondani, diretor executivo do Open Innovation Center Brazil. De acordo com ele, as grandes ideias não vêm somente dos pesquisadores. “Cada vez mais, empresas surgem do nada e tornam-se líderes”. Rondani conta que o modelo de open innovation permite que conceitos externos entrem em diferentes momentos do processo de gestão. “Todas as etapas são primordiais na inovação aberta, então o idealizador ou o pesquisador passa a ser elemento complementar, não mais um elemento chave. Muitas vezes as pessoas acreditam que o idealizador é o gênio, mas existe uma série de apoios e processos que fizeram parte do desenvolvimento e que, sem eles, não aconteceria o sucesso do projeto”, declara.

Com o aumento da procura de empreendedores e pesquisadores, principalmente na área tecnológica, diversos cursos vêm surgindo. Órgãos como Sebrae, Insper, Fundação Dom Cabral, Fundação Getúlio Vargas e Agência USP de Inovação, entre outros, já oferecem capacitação e qualificação para novos gestores na área de inovação, empreendedorismo e tecnologia. “Estamos evoluindo em empreendendorismo e inovação, mas quando se trata de um órgão público, o processo é lento”, declara Alexandre Venturini, diretor técnico de transferência de tecnologia da Agência USP de Inovação, sobre a situação da universidade.

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