Em 1974, o então professor da Academia de Artes e Trabalhos Manuais Aplicados em Budapeste (Hungria), Ernő Rubik, tentava elaborar um quebra-cabeça que explicasse o conceito de terceira dimensão aos seus alunos. Assim nascia o protótipo do Cubo de Rubik, mais conhecido como cubo mágico, que se tornaria um brinquedo extremamente popular nas décadas seguintes.

Composto por seis faces com quadrados individuais de seis cores diferentes (azul, verde, amarelo, branco, vermelho e laranja), o cubo propõe que o jogador consiga unir todas as peças da mesma cor em cada face.

Para o professor do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Huerllen Vicente Lemos e Silva, o brinquedo pode ser uma ótima pedida de atividade durante as férias escolares. “O cubo mágico passa disciplina, concentração, respeito, diversão, maior poder de memorização e relaxamento. Além disso, um fato interessante é que ele pode ser um jogo individual, com um propósito coletivo de diversão. Os alunos aprendem individualmente para poder passar aos amigos”, sugere.

Matemática e diversão

Já na sala de aula, o cubo mágico se configura como uma ferramenta potente para a aprendizagem de matemática. O professor da rede estadual de São Paulo (SP), Fábio Aparecido, utiliza o jogo há pelo menos dez anos.

O professor Fábio Aparecido e seus alunos usaram o cubo mágico em uma competição intercolegial, em São Paulo (crédito: arquivo pessoal)

 

“Nos meus 17 anos como educador, percebo que o grande problema da disciplina está em quatro etapas: leitura, interpretação, concentração e raciocínio lógico. E o objeto, além de ajudar a desenvolver todas, aumenta a autoestima, incentiva o interesse e a iniciativa e promove a troca de experiência entre os estudantes”, opina.

“Consequentemente, o jovem acaba ‘quebrando o gelo’ com a matéria e passa a admirar mais a matemática”, revela Aparecido, que conheceu o brinquedo por meio de uma aluna sua.

“Ela chegou e disse: se eu conseguir resolver o cubo mágico na sua frente, você aumenta a minha nota? Aceitei o desafio e percebi o potencial do brinquedo”, relembra.

Aparecido utiliza o cubo mágico com estudantes do ensino médio e, segundo ele, o item pode ser integrado nos conteúdos de geometria. “É possível calcular a área total do sólido geométrico e a dos lados, pois o cubo é um hexaedro que possui seis faces quadradas; vértices e arestas. Também é possível o cálculo de volume e suas unidades”, ensina.

Além disso, a brincadeira ainda é indicada para o ensino de análise combinatória, como introdução da permutação, e na introdução do conceito de algoritmo, “que é muito utilizado em linguagem de programação de computadores”, contextualiza.

Sem preconceitos

Mestre em matemática pela Universidade Federal do Piauí com a dissertação “O uso do cubo mágico para o ensino da geometria plana e espacial no ensino médio”, Silva começou utilizando o brinquedo como um elemento motivacional para os alunos.

Montagem do cubo mágico pode ser feita com tempo cronometrado (crédito: arquivo pessoal)

 

“Algo imposto como difícil por muitos, como resolver um cubo mágico, é possível de ser solucionado se buscamos o conhecimento certo e a estratégia de estudo adequada. Nesse momento, eu falava sobre o preconceito de se estudar a matéria. Tentava tirar esses estigmas e apresentava a satisfação que é solucionar cada problema”, relembra.

Ao visualizar resultados positivos com os alunos, o professor passou, então, a utilizar o jogo com outros propósitos nas aulas. “Selecionei a geometria na dissertação, mas já o usei em aulas de probabilidade, função e determinantes de matrizes”, conta.

Crédito da imagem: xmagic – iStock

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