Há quase três décadas o escritor Rogério Andrade Barbosa percorre os países lusófonos do continente africano pesquisando histórias para crianças. Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe são alguns dos locais onde o autor já esteve para colher narrativas orais.

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“A literatura oral é um ponto de referência na cultura africana e muitos escritores atuais bebem dela, como o Mia Couto”, exemplifica. “Na tradição africana de contar histórias, a plateia não se limita apenas a ouvir. Ela também interage com o contador, fazendo ou respondendo perguntas, cantando e compondo o coro”, diferencia.

Confira, a seguir, a entrevista completa com o autor, que possui mais de 90 livros em seu currículo e um prêmio da Academia Brasileira de Letras, na categoria infanto-juvenil. 
 
NET Educação – Como é a arte de contar histórias na África? 
 
Rogério Andrade Barbosa – A contação de histórias é uma tradição que faz parte da cultura local. Há dois tipos de contadores: o tradicional e o profissional. O tradicional seriam os avós, tios e pais. Eles contam as histórias para as crianças à noite, após o trabalho. Já os contadores profissionais recebem diversos nomes, sendo o griod o mais conhecido. Para ser um griod, é necessário ter nascido em uma família de griods. É uma tradição familiar. O menino ou a menina vai decorando as histórias que seus pais contam para depois repassar.

NET Educação – Qual o papel do griod na sua comunidade?
 
Barbosa – Não é apenas um contador de histórias. Ele canta, dança e toca instrumentos também. Possui um profundo conhecimento sobre a genealogia dos reis de seu país, quem é filho ou neto de quem. Ele exalta, em suas histórias, os personagens que foram famosos e aborda os governos atuais. Isso faz deles uma espécie de historiador.  

NET Educação – E quais os temas presentes nas histórias contadas no âmbito familiar?
 
Barbosa – De todos os tipos, principalmente de animais, deuses e monstros. Algumas histórias são explicativas, tentam justificar, por exemplo, porque a zebra é listrada ou o elefante tem a tromba grande.

NET Educação – O que os professores precisam saber antes de abordar as histórias africanas em sala de aula?
 
Barbosa – Primeiramente, que a África é bastante diversa. São povos e culturas muito diferentes, e tendemos a cair no estereótipo, a achar que o continente é igual de ponta a ponta. Música, dança, jeito de falar são apenas algumas das características que diferem. Outro aspecto são os laços culturais que nos unem. Somos mais próximos a eles do que muitos imaginam. É importante acentuar essa aproximação. 

NET Educação – Qual a importância da oralidade na cultura africana? 
 
Barbosa – A literatura oral é um ponto de referência na cultura africana e muitos escritores atuais bebem dela, como o Mia Couto, por exemplo. Na tradição africana de contar histórias, a plateia não se limita apenas a ouvir. Ela também interage com o contador, fazendo ou respondendo perguntas, cantando e compondo o coro. A plateia é extremamente participativa e isso é um diferencial. 
 
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