Muitas escolas enfrentam dificuldades na hora de envolver os pais na vida escolar de seus filhos. Entre as principais justificativas dos pais estão a falta de tempo e a não dispensa da jornada de trabalho para frequentar as reuniões escolares. O assunto virou até pauta no Senado: enquanto um projeto de lei do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) prevê punição aos pais que faltarem em reuniões escolares, outro, da senadora Lídice da Mata (PSB-BA), permite que os pais faltem no trabalho uma vez por semestre para acompanhar a reunião dos filhos.

Para a pedagoga Janaina Maudonnet, a escola precisa diversificar os canais de participação para se aproximar dos pais. “A reunião precisa ser pensada em horários alternativos ou horários para atendimento individual. Nem todos podem participar da mesma maneira e nas condições ideais”, justifica.

Ambiente agradável
A reunião de pais – geralmente organizada entre regras a serem cumpridas e o feedback sobre o comportamento do aluno – é outro ponto que precisa ser repensado. “Será que a participação das famílias se resume em controlar o comportamento de seus filhos e seguir as regras da escola? Os pais podem participar de projetos da escola, contando histórias, falando de sua profissão ou ensinando uma receita gostosa. Podem participar de festas coletivas e nos processos decisórios”, acrescenta.
 
Para o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Vitor Paro, a escola precisa receber os pais bem, coisa que nem sempre acontece. “Dizer simplesmente que o filho é ‘bagunceiro’ afasta o pai da escola, que pensa que seu filho é burro. Esse mesmo pai que também se culpa por ter sido expulso da escola. A escola errou com ele e agora erra com seu filho”, destaca. “A escola deve recebê-lo com simpatia, alegremente, reconhecendo que sem a presença dele é mais difícil”, pontua. 
 
Participação ativa
A relação entre pais e escola teve um final feliz na E.E. João Cardoso dos Santos, em Mogi das Cruzes (SP).  Desde maio de 2014, os pais dos alunos fundaram o grupo “Pais Presentes”. Entre as suas atividades estão observar a entrada e saída de alunos e promover festas em datas específicas.
 
“Para envolver os pais, a escola pode apresentar o espaço e os funcionários para as famílias; expor currículos, projetos e os trabalhos dos alunos; informar resultados internos e externos de desempenho; propiciar encontros para debates e sugestões e até visitar as famílias”, opina a participante do grupo, Inês Aparecida Cardoso Miranda. 
 
Também é comum os pais terem receio de se envolver nas atividades escolares dos filhos por não possuírem escolaridade completa. Para Vitor Paro, o papel do pai em casa não é ensinar, mas incentivar. “A escola é quem tem que ensinar. O pai deve estimular o aluno procurando um lugar adequado para ele estudar e não o deixando muito tempo na frente da televisão e do computador”, ensina.
 
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