Oficinas do projeto "Tô no Rumo" com estudantes da rede pública na
cidade de São Paulo (Crédito: divulgação)
 
O currículo do ensino médio geralmente impede que os estudantes desenvolvam habilidades e pensem em estratégias para continuar os seus estudos no ensino superior. “Ele não dialoga com a realidade desse jovem, que é trabalhador e possui uma trajetória não linear. O estudante primeiro irá se inserir em um posto de trabalho que não dialoga com seus sonhos, e cursar um cursinho para entrar na universidade mais tarde”, contextualiza Gabriel Di Pierro, assessor do projeto “Tô no Rumo”, da Campanha Educativa, que tem como objetivo auxiliar jovens das escolas públicas na sua escolha profissional.
 
“O jovem também não tem espaço para reflexão em casa, pois seus pais nem sempre ascenderam ao ensino superior. Não é uma realidade que conhecem”, acrescenta. O próprio modelo de currículo universitário adotado no Brasil também conta pontos contra uma escolha profissional consciente. Nos Estados Unidos, por exemplo, o universitário cursa matérias diversificadas antes de se concentrar em um campo específico de estudos.
 
“A formação profissional universitária adotada no Brasil é de superespecialização. São mais de 30 modalidades de cursos de engenharia oferecidas, por exemplo. Isto dificulta a escolha”, opina o orientador profissional Silvio Bock, diretor-geral do Nace Orientação Vocacional. “É necessária uma revisão deste modelo. Algumas experiências têm sido realizadas, como na  USP-Leste, onde os primeiro-anistas passam por um ciclo básico independente do curso”, destaca.  
 
Abrindo horizontes
Segundo Di Pierro, o primeiro passo é discutir com os alunos as profissões que existem. “Eles têm um repertório limitado de profissões, que conhecem pelos meios de comunicação. É preciso abrir o leque”. Outro ponto é apresentar a universidade pública como uma possibilidade real. “Há um baixíssimo conhecimento do universo do ensino superior. Muitos conhecem pessoas que estão na faculdade privada, mas não conhecessem a faculdade pública. Não sabem o que é a Fuvest, por exemplo”, assinala. 
 
Por fim, é preciso ensinar os mecanismos para que os estudantes acessem o ensino superior, como Sisu, ProUni, cotas e cursinhos populares. “Esses acessos tornaram complexa a vida dos jovens, que devem aprender sobre as notas que precisam atingir, bônus e etc. É difícil fazer isso sozinho”, revela. 

Como trabalhar?
O psicólogo Clenilton Martins Faria desenvolveu um programa de oito encontros com os alunos da Escola Labor Clube, de Governador Valadares (MG), para discutir orientação profissional. Segundo ele, as atividades devem ser realizadas em grupo. “Assim, os integrantes podem trocar informações e relatar suas respectivas vivências e experiências. Podem ser utilizadas dinâmicas, workshop, rodas de conversa, palestras, questionários, dentre outros”, orienta. 
 
Fundado em 2007, o Projeto “Tô no Rumo” disponibiliza para download gratuito um guia com atividades, materiais de apoio e dicas para professores falarem sobre escolha profissional na escola. Também, o projeto oferece, anualmente, formação para professores por meio de um curso de extensão na Universidade Federal do ABC (Ufabc). As inscrições se iniciam em abril.
 
O "Tô no Rumo" ainda realiza parcerias individuais com professores e escolas. “São 20 horas de oficinas, que podem ser concentradas em uma semana ou distribuídas em disciplinas. Como a realidade de cada escola é especifica, são necessárias adaptações”, complementa Di Pierro.  
 
O ideal é que as atividades sejam desenvolvidas em sala de aula, não no contraturno. “No contraturno, você já esta, de certa forma, selecionando quem terá acesso à informação, perdendo de vista a noção do direito à educação para todos”, defende.  
 
Serviço
Para mais informações sobre o projeto “Tô no Rumo”, entre em contato com a Ação Educativa pelo telefone (11) 3151-2333 ou e-mail acaoeducativa@acaoeducativa.org.
 
Professora durante atividade do projeto "Tô no Rumo" (Crédito: divulgação)
 
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