Alfabetização e letramento são cobrados em concursos para professores, incluindo a diferença entre os conceitos.

“A alfabetização se refere ao processo pelo qual a criança desenvolve a capacidade de dominar a relação entre grafema e fonema, aprendendo a ler e escrever. Nesse estágio, o indivíduo adquire a habilidade de codificar e decodificar a língua escrita, ou seja, reconhecer letras, formar palavras e compreender o funcionamento básico do sistema de escrita”, resume o pedagogo, professor da rede do Distrito Federal (DF) e especialista em conhecimentos pedagógicos e legislação educacional para concursos públicos Victor Soares.

“Já o letramento diz respeito ao uso social da leitura e da escrita. Ele envolve a capacidade de utilizar esse conhecimento nos diferentes contextos da vida cotidiana. Atualmente, o debate educacional também incorpora o conceito de multiletramentos: cartográfico, científico, matemático, entre outros”, acrescenta.

Linhas sintética e analítica

Na alfabetização, costuma-se diferenciar a linha sintética e a linha analítica a partir do ponto de partida do ensino da leitura e da escrita. Segundo Soares, esse assunto é bastante cobrado nos exames.

“A linha sintética inicia o processo pelas menores unidades da língua, da letra para a sílaba, da sílaba para as famílias silábicas e, posteriormente, para a palavra e o texto”, destaca o pedagogo.

Soares explica que o método fônico, difundido pelos métodos alfabéticos, também é considerado sintético, pois parte da relação entre fonema e grafema. “No entanto, ele é visto como uma versão mais atualizada e vanguardista dentro dessa linha, por se aproximar, em alguns aspectos, da perspectiva analítica, ao valorizar a consciência fonológica”, complementa o docente.

Já a linha analítica parte de unidades maiores e significativas para a criança, como palavras, frases ou textos, para depois analisar seus elementos constitutivos. Assim, o aluno aprende o sistema de escrita a partir de situações reais de uso da língua.

“O processo tem início pela frase ou pelo texto, geralmente retirados de histórias e narrativas conhecidas pela criança. A partir desses textos significativos, o professor extrai palavras, frases e sílabas, conduzindo o aluno, gradualmente, à análise das partículas menores da língua. Posteriormente, as sílabas identificadas são utilizadas para a formação de novas palavras, consolidando a aprendizagem”, afirma Soares.

Teóricos importantes

Entre os teóricos da alfabetização, Soares explica que as bancas de concursos costumam se dividir entre as que cobram a psicogênese da língua escrita, de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, e as contribuições de Esther Pillar Grossi, fundadora do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia da Pesquisa e Ação (GEEMPA).

“A psicogênese da língua escrita descreve o processo de alfabetização a partir das hipóteses que a criança constrói sobre a escrita. Esse desenvolvimento ocorre em diferentes fases, que vão das etapas mais iniciais, como as garatujas (rabiscos) e os níveis pré-silábicos, até níveis mais avançados, como o silábico, silábico-alfabético e alfabético, culminando na escrita ortográfica. Assim, ela passa de hipóteses de escrita rudimentares para formas progressivamente mais elaboradas até se alfabetizar”, explica o docente.

“Nesse processo, a criança desenvolve gradualmente a consciência fonológica, compreendendo a relação entre sons (fonemas) e letras (grafemas), construindo esse conhecimento até alcançar a alfabetização”, acrescenta.

Para Emilia Ferreiro, o processo se encerraria no momento em que a criança atinge a escrita alfabética e ortográfica, sendo considerada alfabetizada.

“Já para Esther Pillar Grossi, há um avanço além da alfabetização inicial. Ela propõe fases posteriores à alfabetização, geralmente organizadas do nível um ao nível quatro, nas quais a criança continua a desenvolver suas competências linguísticas até atingir um desempenho esperado para um adulto médio brasileiro”, resume Soares.

Legislação e documentos educacionais

Em relação aos documentos de alfabetização, Soares destaca mudanças no período esperado para uma criança se alfabetizar.

“O Plano Nacional de Educação (PNE) 2014–2024 preconizava que a alfabetização deveria ocorrer nos três primeiros anos do ensino fundamental, o que divergia da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelece a ênfase na alfabetização nos dois primeiros anos”, relata.

“Entretanto, o novo PNE, já votado pelo Congresso, mas ainda não sancionado, alinhou-se à BNCC”, alerta.

A Política Nacional de Alfabetização (PNA) complementa esses conhecimentos ao tratar do direito de todas as crianças à alfabetização, defender uma diretriz de caráter nacional e incluir aspectos relacionados à implementação das políticas públicas e ao financiamento, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Como os temas aparecem nas provas?

Soares explica que as provas para cargos de professores municipais, estaduais e federais costumam cobrar os conceitos de forma mais direta e objetiva. Já a Prova Nacional Docente (PND) tende a apresentar esses conteúdos de maneira contextualizada, por meio de situações-problema, exigindo maior capacidade de análise.

Segundo ele, a melhor forma de estudar é resolver questões sobre alfabetização e letramento da banca responsável pelo concurso a ser prestado. “Isso ajuda o candidato a entender a preferência dela por determinados teóricos”, justifica.

“Ao errar uma questão, retorne à teoria, identifique os pontos centrais de cada abordagem, elabore quadros comparativos entre os autores e, em seguida, resolva novas questões para consolidar o aprendizado”, orienta.

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Crédito da imagem: FatCamera – Getty Images

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