As crateras de impacto são provocadas pelo choque de corpos celestes contra a superfície terrestre. Embora a atividade seja intensa desde os primórdios, grande parte dessas estruturas teve seu registro apagado pelas constantes atividades geológicas e atmosféricas que se sucedem ao longo dos anos. Quando as ‘cicatrizes’ na superfície terrestre são comprovadamente originadas pelo impacto de corpos extraterrestres contra a superfície do Planeta são chamadas astroblemas.

Segundo informações de especialistas da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da cidade de São Paulo, os parâmetros comuns a essas áreas, embora não conclusivos para sua identificação, são formato hemisférico, relação diâmetro profundidade, circularidade da crista da cratera e singularidade no contexto regional.

De acordo com projeto de pesquisa conduzido pelo geólogo Victor Velázquez Fernandez (Caracterização dos registros geológicos na região da Cratera de Colônia, SP: base para um desenvolvimento ambientalmente sustentável) atualmente são contabilizadas 178 crateras de impacto ao redor do mundo sendo que, destas, apenas a Cratera de Ries, na Alemanha, e a Cratera de Colônia, em São Paulo, são habitadas.

Os elementos naturais comuns a essas regiões as transformam em verdadeiros laboratórios naturais para os mais variados tipos de estudos e fonte inesgotável de informações geológicas, biologias, paleoclimáticas e paleoecológicas.

Cratera da Colônia

A bióloga Alice Maria Calado Melges, gestora do Parque Natural Municipal Cratera de Colônia, e o geógrafo Jânio Marcos Rodrigues Ferreira, da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da cidade de São Paulo, são unânimes ao constatar que o possível impacto de um meteorito pode modificar questões ambientais locais. No entanto, afirmam que a constatação requer pesquisas geológicas e paleoclimáticas.

Ainda de acordo com os especialistas, no caso da Cratera da Colônia, localizada na cidade de São Paulo, a 37 km da Praça da Sé, no território da Subprefeitura de Parelheiros, as modificações englobam os padrões de drenagens locais, a geomorfologia e os padrões de vegetação ocorrentes na área.

A área é a única do Hemisfério Sul a possuir preenchimento sedimentar de turfa (produto de origem vegetal formado a partir da deposição de restos de plantas em um terreno alagadiço), além de contar com significativa presença de Mata Atlântica, em sua diversidade de fauna e flora, e estar situada na principal área de proteção dos recursos hídricos da região metropolitana de São Paulo (sua drenagem percorre perto de 1,5 Km para desaguar diretamente na Represa Billings). 


Vista aérea da Cratera da Colônia, em São Paulo. Crédito da imagem: Felipe Spina

Os atributos ambientais específicos tornam a Cratera da Colônia uma área de extrema importância do ponto de vista geológico, o que implica, segundo especialistas, maior conhecimento sobre sua gênese, evolução e conformação atual. Com o intuito de garantir a preservação das questões geológicas e culturais locais, a região foi considerada uma área de proteção ambiental (APA) em 2001 e inserida à APA Capivari-Monos, integrante do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, regulado pela Lei 9.985 de 18 de julho de 2000. (Saiba mais sobre a APA Capivari-Monos).

Ainda assim os recursos naturais da Cratera da Colônia não estão mantidos em sua íntegra, por um fator histórico social. O processo de ocupação da Cratera da Colônia, iniciado no final da década de 80, ocorreu de maneira irregular e já em desacordo à Legislação Estadual de Proteção aos Mananciais e Zoneamento Municipal da época. Além do Condomínio HabitacionalA ocupação, hoje baiiro de Vargem Grande, com todos os serviços públicos, ocupa cerca de 15% da região, fica evidente o descaso do próprio governo Estadual, que construiu o Presídio Estadual, atual Centro de Detenção Provisória(CDP) de Parelheiros. 
Melges e Ferreira apontam perdas em relação à conservação dos solos, da vegetação e dos corpos hídricos ocasionados pela falta de planejamento. “Tivemos o desaparecimento de árvores para instalação do loteamento, descarte de esgoto não tratado no solo e nos corpos d’água (principais cursos d’água, tais como rios, represas ou reservatórios artificiais) e também irregularidades quanto ao descarte de resíduos sólidos”, revelam.

Na tentativa de regularizar o loteamento, o condomínio passou a integrar em 1996 o Programa Mananciais, criado a partir de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo (Sehab) e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). “A população que reside no local fica submetida aos regramentos advindos da lei específica, do zoneamento ambiental da APA e da resolução do tombamento, que prezam pela conservação do patrimônio geológico”, explicam Melges e Ferreira.

Em 2003, a área foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) e, em 2007, a Prefeitura de São Paulo criou o Parque Natural Municipal da Cratera da Colônia, como forma de neutralizar os impactos ambientais causados pela Furnas Centrais Elétricas devido à passagem dos linhões.

Cratera de Ries

Localizada ao sul da Alemanha, a cratera de Ries também tem origem meteórica. Na área está alocada a cidade medieval de Nördlingen e o Museu da Cratera Ries que reúne o acervo das pesquisas e perfurações locais. A cidade trata seu acervo histórico e o patrimônio geológico cultural da Cratera, fazendo da mesma, além de um conhecimento, o eixo da economia local e da identidade regional. Para se ter uma ideia, os alemães chegam a investir anualmente cerca de 50 milhões de reais na manutenção do Museu da Cratera, que organiza visitas monitoradas pela região e torna o turismo uma base econômica.

Saiba Mais:

– Confira o estudo Cratera de Colônia, SP: Provável astroblema com registros do paleoclima quaternário na Grande São Paulo

– Confira o estudo A Cratera do Ries: um fenômeno geológico

– Veja a matéria "Conheça as Áreas de Proteção Ambiental (APA) da cidade de São Paulo"

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