Na década de 1990, o espanhol César Coll, professor de Psicologia Evolutiva na Faculdade de Psicologia da Universidade de Barcelona e coordenador da reforma educacional espanhola, foi um dos principais consultores do Ministério da Educação (MEC), aqui no Brasil, na elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Estes documentos, elaborados de acordo com a disciplina e com o segmento de ensino, oferecem diretrizes para a elaboração dos currículos escolares.

Um dos motivos pelos quais os PCNs não são um currículo “fechado”, mas apenas uma matriz de referência, deve-se à linha de pensamento de Coll e à teoria da Aprendizagem Significativa, criada pelo pensador americano David Ausubel (1918 – 2008). Para Ausubel, aprender significativamente é ampliar o repertório, isto é, dar um novo significado a ideias já existentes em nossa mente, com base em novas informações que recebemos. É como se criássemos novos links mentais, com base no conhecimento que já temos.

Coll segue nesta linha de pensamento. Para o espanhol, não importa o que o professor ensina, mas o que o aluno absorve na aprendizagem. E, para que o estudante aprenda, alguns aspectos devem ser levados em conta – como o ambiente em que ele está inserido e os conhecimentos prévios que já tem.

“Os PCNs são muito importantes no direcionamento de alguns ensinamentos, mas cada escola deve ordená-los com sua proposta pedagógica e estabelecer uma metodologia”, explica Cristiana Assumpção, coordenadora do curso de ciências e do laboratório de biologia do Colégio Bandeirantes. Além disso, os currículos escolares devem contemplar as especificidades culturais e sociais de cada região e de cada comunidade. Um bom currículo contém conteúdos, objetivos e procedimentos de ensino, enquanto que os parâmetros são um guia para a elaboração das diretrizes curriculares.

O currículo impacta a aprendizagem significativa

Para Coll, que bebe na fonte de pensadores que são verdadeiros pilares da educação, como Jean PiagetLev Vygotsky e o já citado David Ausubel, a elaboração do currículo escolar é essencial para o aprendizado. Para o professor da Universidade de Barcelona, este documento deve inclui muito mais que a descrição das práticas de sala de aula ou uma lista de conteúdos. Um bom currículo deve incluir atividades que contemplem toda a comunidade escolar. O pensador dá a este envolvimento o nome de Comunidades de Aprendizagem, onde todos ao redor do estudante são partes fundamentais no processo de ensino.

“Coll tem uma linha de pensamento construtivista e hoje, no Brasil, nós estamos passando pela mudança do papel do professor e da sua relação com os alunos”, afirma Cristiana, que acredita que as ideias do pensador estão cada vez mais integradas às escolas. “Existem escolas mais radicais, onde o aluno ajuda a construir, ativamente, o próprio currículo e outras que os deixam colaborar. Mas o fato é que não se pode mais negar a importância do papel do estudante”, observa.

César Coll acredita que entender o contexto cultural e social da vida do aluno é essencial para que ele absorva os conteúdos transmitidos pelos educadores. Por isso, a aprendizagem é indissociável do contexto. Além disso, o espanhol defende a forte presença de temas transversais no currículo, como as questões relacionadas à saúde, reciclagem, sexualidade e outros assuntos recorrentes na vida dos jovens.

A tecnologia como aliada

A tecnologia deve ser uma forte aliada dos professores, tanto na hora de transmitir conhecimento, quanto no momento da pesquisa e da preparação das aulas. A utilização das ferramentas comuns no dia-a-dia dos alunos é uma forma de fazer com que os conteúdos sejam compreendidos mais facilmente.

Cristiana, que criou um projeto com o uso do jogo Minecraft para os alunos do Ensino Fundamental do Colégio Bandeirantes, afirma que é necessário que os educadores conheçam as TIC para mediar e incentivar certas práticas. “Os alunos utilizam muito bem as ferramentas, mas falta uma maturidade para encontrar caminhos que façam com que estas ferramentas sejam benéficas no quesito educacional e é aí que entra o professor”, explica. A professora também indica que a colaboração na rede é o melhor caminho para que educadores troquem experiências e inspirem-se para lidar com diferentes situações didáticas.

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