Sem saber direito o que os aguardava, no dia 20 de janeiro de 2009, dois grupos de jovens percorreram os quarteirões da Avenida Paulista, em São Paulo, seguindo instruções de um programa de celular, que apontava num mapa o local aonde deveriam ir. Chegando lá, era preciso cumprir uma tarefa e registrá-la em áudio, vídeo ou foto. Ganhava quem melhor realizasse as etapas. A brincadeira, chamada de Gincana Global, garantiu a diversão de dez jovens e ainda mostrou a eles aspectos desconhecidos da cidade.

 

“É uma experiência de sala de aula expandida”, explica Paulo Hartmann, um dos idealizadores e organizadores do Mobilefest, Festival Internacional de Criatividade Móvel, que articulou o projeto junto ao instituto holandês Waag Society. O objetivo da Gincana Global é permitir que os jovens explorem e façam parte de fenômenos culturais diversos. O tema da primeira ação, um piloto realizado em janeiro, foi investigar os patrimônios culturais da cidade.

A ideia é que, nos próximos meses, jovens de São Paulo e da capital holandesa, Amsterdã, troquem suas descobertas e aprendam mais sobre a cultura uns dos outros e também sobre a própria realidade.

A primeira tarefa na Avenida Paulista foi conversar com os transeuntes, para saber suas origens e costumes. “Para começar, nós tratamos da grande diversidade cultural da cidade. Foi uma atividade educacional, mas usando recursos que os jovens estão acostumados, como os games e os celulares”, diz Paulo.

Em outras etapas do jogo, os adolescentes foram ao vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo) e à Casa das Rosas, Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. Eles aprenderam sobre a origem de alguns prédios e a utilização destes espaços pela população. Ao passar na frente do prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), por exemplo, os grupos se questionaram se ali não teria sido um casarão da época dos barões do café, que ocuparam a região no começo do século 20.

“A gincana proporciona uma reconquista do espaço urbano, tão esquecido por causa da violência ou da correria do dia-a-dia”, comenta o organizador do Mobilefest.

Todo o trabalho foi feito usando celulares Nokia N958GB, equipados com GPS, câmera fotográfica e o software 7scenes, desenvolvido pela Waag Society, que oferece suporte para jogos e expedições.

“Desde a primeira edição do Mobilefest, pensamos nas possibilidades do uso da tecnologia móvel para a educação”, conta Marcelo Godoy, um dos organizadores do festival. O Mobilefest acontece todos os anos e traz seminários e mostras internacionais sobre o tema da tecnologia móvel e sem fio e o impacto delas nas áreas da saúde, cultura, educação, arte e meio ambiente. Há alguns anos, o festival desenvolve projetos para que a discussão seja mais permanente e se torne ação – seja ela experimental ou não. A Gincana Global é uma delas e deve ser consolidada este ano, com a participação de mais escolas e alunos.

Segundo Marcelo e Paulo, o projeto é interessante porque pode ser jogado em qualquer lugar. Pode também ser usada para conectar alunos de diferentes países em aulas de história, geografia, entre outras disciplinas.

Ao final do piloto na Avenida Paulista, foi feito um workshop com professores e jovens para pensar nas possibilidades do uso da tecnologia em sala de aula. Os estudantes sabiam mais que os mestres sobre o aparato digital e houve uma rica troca de informações e experiências. “Os professores só tem a ganhar ao conhecer melhor as ferramentas disponíveis hoje em dia”, afirma Marcelo. Com criatividade, os jovens aprenderam sobre cultura, produziram seus próprios vídeos, fotos e gravações de áudio e ainda curtiram a cidade como se fosse o cenário de um game.

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