O mito do basquete Michael Jordan já admitiu em entrevistas que errou mais de nove mil cestas ao longo de sua carreira. Santos Dumont também vivenciou diversos erros como inventor antes de chegar a um protótipo eficiente de avião. Esses foram apenas alguns dos exemplos dados pelo CEO da Matific – start up que desenvolve jogos de matemática – Guy Vardi, para ilustrar a importância do erro no processo de aprendizagem. Vardi discursou sobre humanos, tecnologia e futuro da educação durante a Campus Party 2016, na última quinta-feria (28/1).

“Na escola, o erro não serve para nada. O aluno recebe uma nota ruim e só. O erro, contudo, é importante, porque ajuda a pessoa a escolher novos caminhos e novas abordagens. Nesse sentido, o game é um ambiente mais tolerante ao erro”, comparou. O especialista apresentou ainda um ensaio fotográfico com as expressões faciais de pessoas jogando videogame. “Todos estão errando, mas não se vê expressões de sofrimento”, lembrou.
 
Outro dado destacado foi uma pesquisa onde 75% dos estudantes dos EUA entrevistados contavam que tinham medo de tirar notas baixas – taxa superior, por exemplo, ao medo do bullying em ambiente escolar. “Na matemática, por exemplo, quando o jovem fracassa na prova, sua habilidade de aprendizagem fica comprometida pela autoestima. Isso não ocorre no game”, pontuou.     
 
Aprendizagem ativa
Para Vardi, aprender é um processo ativo. “A atividade cerebral do aluno que só ouve instruções é baixa, enquanto aquele que está com a mão na massa, possui atividade cerebral alta”, afirmou. “Aqui no Brasil, todos jogam truco. A melhor palestra sobre truco no mundo não se compara a você aprender jogando”.
 
Apesar dos avanços tecnológicos, a profissão do professor, em sua opinião, nunca deixará de existir. “O ser humano é um ser social. Em outros estudos com dobraduras, os alunos que só ouviram as instruções de uma voz tiveram mais dificuldades para aprender do que aqueles que foram orientados por um professor num vídeo. Precisamos de uma pessoa para facilitar a aprendizagem”, ressaltou. “O professor, contudo, será mais um coach, uma pessoa que ajudará o aluno em seu processo de melhoria individual”.
 
Ao finalizar, Guy Vardi lembrou que a tecnologia ajuda a combater a pobreza. “Pessoas que não tiveram acesso a tecnologia e apresentaram carência de habilidades possuem piores empregos e pior qualidade de vida. A combinação de big data, conectividade e aparelhos acessíveis pode combater esse ciclo”, esclareceu.
 
"O erro é importante, porque ajuda a escolher novos caminhos e
abordagens", diz palestrante da Campus Party 2016
 
 
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