Atividades que reúnem professor e alunos para pensarem, juntos, sobre as fake news, ou notícias falsas, são eficientes. A opinião é da educadora e jornalista estadunidense Esther Wojcicki. Em seu currículo, ela reúne livros sobre educação e comunicação, é membro do conselho do Creative Commons (ONG voltada para melhorar a difusão de conteúdos abertos) e professora na Palo Alto High School, escola que possui um programa de jornalismo praticado por alunos do ensino médio nos Estados Unidos.

“Pessoas precisam estar bem informadas para tomarem decisões de vida importantes”, defende a educadora Esther Wojcicki (crédito: divulgação)

 

“O professor pode, por exemplo, projetar um determinado site de notícias na tela e, junto aos alunos, discutir se ele é fidedigno ou falso. O processo de identificar, em conjunto, se um site ou uma notícia são falsos ou não ajuda as crianças a aprenderem a pensar sobre o tema”, indica. Confira, a seguir, uma entrevista exclusiva com a educadora.

Como a educação pode combater as notícias falsas?

Esther Wojcicki: A única maneira de combater as notícias falsas é com a educação. Ela ajuda o aluno a compreender como as notícias são escritas e publicadas. Entender esse processo os tornará conscientes do que são as fake news. Além disso, a educação conscientiza de que as pessoas precisam estar corretamente informadas para tomar decisões importantes sobre a sua vida. Como na escolha do voto, nas eleições.

Quais habilidades os alunos devem adquirir ao final de processo de aprendizagem sobre fake news?

Wojcicki: Pensamento crítico, colaboração e habilidades de comunicação, que são habilidades muito importantes para a vida. Por pensamento crítico entende-se fazer perguntas, duvidar e ser um leitor atento. Além disso, não acreditar em tudo que se lê. E entender que se deve, primeiro, verificar qualquer informação lida.

O que os professores precisam saber ou entender antes de trabalharem o tema com os alunos

Wojcicki: Antes de ensinar os alunos a se informarem sobre as notícias falsas e as identificarem, os professores também devem fazer o mesmo. Professores e alunos, aliás, podem fazer isso juntos. O educador pode, por exemplo, projetar um determinado site de notícias na tela e, com os estudantes, discutir se ele é fidedigno ou enganoso. Este processo de identificar, em conjunto, ajuda as crianças a aprendem a pensar sobre o tema.

Qual é a idade ideal para começar a falar sobre notícias falsas?

Wojcicki: Cerca de dez anos de idade. As crianças precisam saber que isso está acontecendo.

As fake news podem ser ensinadas em qual disciplina?

Wojcicki: Eu penso que o tema pode ser ensinado nas aulas de história. As notícias falsas não são um fenômeno novo, e o professor pode resgatar esses exemplos históricos. Na União Soviética, por exemplo, os censores se armavam de aerógrafos e bisturis para falsificar fotografias e apagar os inimigos de Stalin das narrativas. Outro caso clássico ocorreu em 1938, quando a rede de rádio CBS interrompeu sua programação musical para noticiar uma suposta invasão de marcianos. A informação era, na verdade, uma peça de Orson Welles, mas gerou pânico real em diversas cidades dos Estados Unidos. Após os exemplos, vale perguntar aos alunos: as notícias falsas relatadas causaram problemas reais? Por que você acha que as pessoas acreditaram nelas? Essas notícias falsas possuem similaridades ou diferenças com as que são feitas hoje?

Quais suas dicas para identificar notícias falsas?

Wojcicki: Os alunos podem pensar: essa notícia faz você ficar bravo ou com raiva? O site possui um domínio estranho? Ele já foi reportado anteriormente por publicar informações falsas? Os demais materiais que ele apresenta aparentam serem falsos? Sites confiáveis também publicaram esse mesmo conteúdo? A notícia prevê um futuro desastroso, a cura de uma doença ou relata uma história engraçada ou bizarra? Além disso, fique atento se o site não mescla textos sérios com conteúdos de sátiras e humorísticos, que podem ser retirados de seu contexto e compartilhados como verdadeiros.

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